É extraordinário o azedume que por aí anda por haver uma organização que junta milhares de pessoas, sem que haja, até agora, um carro incendiado, uma montra partida, barricadas por todo o lado e essas coisas de que frequentemente se alimentam as notícias.
O clericalismo é um defeito das igrejas mais estruturadas, semelhante ao problema da endogamia das universidades, o fechamento dos partidos ao exterior ou a defesa da lógica interna das empresas contra o bem comum, mas isso não torna o anticlericalismo, interno ou externo às igrejas, numa virtude por si só.
O azedume das elites que há séculos falam do alto da sua superioridade moral e intelectual e que associam obscurantismo à religião, ao mundo rural ou, mais genericamente, à simplicidade da adesão a uma ideia ou um conjunto de ideias, bem visível por estes dias, corresponde à enésima declinação de um velho princípio da esquerda revolucionária: sempre, sempre ao lado do povo, mas nunca por nunca no meio deles.
Com satisfação soube que a Câmara de Oeiras mandou retirar um cartaz alegórico às práticas sexuais da Igreja Católica em Algés. Prantado lá pelos filhos da "Pita" da esquedalhada.
ResponderEliminarSobre o azedume: há que ver que estamos no verão. O calor inflama as emoções, e as pessoas nada mais têm sobre que falar (política caseira, tipo Galamba demite-se ou é demitido, etc). Na ausência de outro pretexto, as pessoas vomitam o seu fel sobre a JMJ. Os noticiários nada mais têm que noticiar, portanto noticiam a JMJ. É tudo um efeito de agosto. Em tempos vituperava-se o touro de Barrancos, agora vitupera-se a JMJ.
ResponderEliminarTens razão, penso que a originalidade de meter no mesmo saco os touros de barrancos e as jornadas mundiais da juventude é verdadeiramente digna de nota.
ResponderEliminarExacto, HPS! O Balio é único! E nem sei como o Balio, a propósito de azedume, não acrescentou que o calor também azeda o leite, naqueles suas "misturas" originais...
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