O título deste post surgiu por acaso, quando me apareceu à frente um texto, que tem associada uma ligação para um sketch bem bom, e que lá para o fim usa o título deste post (na verdade é o post que usa a frase do texto, com uma pequena alteração, como se pode verificar).
O autor é Pedro Gomes Sanches, que desconheço por completo mas a quem agradeço o título.
Recapitulemos.
Um presidente de uma federação de futebol tem umas atitudes resultantes da mais completa falta de noção (falta de noção não é crime, se fosse Marcelo estaria preso há muito, diria eu), uma delas (das que se conhecem) envolve uma terceira pessoa.
Na sequência, umas quartas, quintas e sextas pessoas resolvem fazer um charivari e a terceira pessoa envolvida só pede que a deixem em paz, não gostou do que aconteceu, mas está mais interessada noutros assuntos (como ganhar um campenonato do mundo).
Acontece que, ao lado do mais completo silêncio sobre a forma como os nossos sistemas jurídicos tratam deste caso descrito por Helena Matos, há muita gente que acha que não se pode passar ao lado do que se passou, por ser inadmissível (eu até acho que é, mas se a terceira pessoa envolvida pede que a deixem em paz, quem sou eu para a obrigar a reagir de outra maneira?), portanto é perfeitamente legítimo "instrumentalizar a vítima e inflamar o trauma", obrigando-a a ter a sua vida virada do avesso, contra a sua vontade, porque calhou ser a bandeira perfeita para fazer avançar uma agenda socialmente relevante, na opinião dos seus promotores e, provavelmente, de muito mais gente.
Já contei esta história e volto a ela.
Era eu dirigente intermédio no ICN e entra uma colega minha no meu gabinete, mesmo não sendo da minha unidade orgânica e nunca tendo trabalhado comigo, conhecíamo-nos de olá, olá e nada mais.
Vinha falar comigo depois de ser aconselhada por outras colegas a quem tinha contado uma cena inacreditável de assédio, que tinha começado num andar e tinha acabado com ela posta fora do edifício do ICN, à força.
Conhecia bem o idiota, sabia que era um prepotente de primeira ordem - tinha tentado forçar-me a fazer coisas que eu não queria fazer, nada pessoal, questões funcionais e profissionais, mas tinha tido azar porque rapidamente percebeu que eu não tinha medo dele (ele não sabia que sempre que ele levantava a voz eu dava uns passos atrás para ficar fora do alcance do braço e olhava à volta para identifcar caminhos de fuga, portanto medo, talvez tivesse, mas ele não sabia), o que tornava inúteis os mecanismos de coação que usava - não lhe conhecia a forma particular de prepotência de usava com as mulheres, mas não tive a menor dúvida de que a história, por bizarra que fosse, e era, traduzia o que se tinha passado.
A minha primeira pergunta foi para saber se havia terceiras pessoas que pudessem ter sido testemunhas e havia duas: a funcionária, externa, da segurança da entrada do prédio, que nunca iríamos pôr na posição de arriscar o seu emprego e o chefe directo da funcionária, a quem ela tinha telefonado a meio da cena, que era (e é) um Pilatos que lavaria as mãos com certeza.
Portanto, era a palavra da minha colega, contra a palavra do idiota, cujas fundas ligações ao poder era sólidas, percorriam toda a cadeia hierárquica até chegar a Sócrates, na altura a tutela política do instituto.
Foi então que expliquei à minha colega que se me estava a perguntar o que eu faria naquela situação, eu sabia responder, eu faria queixa e comprava uma guerra, quaisquer que fossem as probabilidades de ganhar ou perder, incluindo as probabilidades de ter efeitos futuros funestos para mim.
Mas isso seria a minha opção que sempre fui parvo e socialmente incompetente, incapaz de gerir equilíbrios sociais assentes em coisas a que sou bastante sensível, como a injustiça ou a prepotência.
Se o que me estava a ser perguntado era o que deveria a minha colega fazer, provavelmente a minha resposta era diferente, porque era a palavra de um contra o outro, e o mais natural é que acabasse completamente isolada e prejudicada, com o trauma inflamado e sem nenhum resultado prático útil, fosse para quem fosse.
Hoje diria que cometi um erro, porque na altura não conhecia o histórico que vim a conhecer, contado por várias outras colegas, de atitudes semelhantes do mesmo idiota (que espero que com a idade tenha ganho algum juízo, que a gente entretém-se com esperanças vãs, para não variar da cabeça).
No que tenho a certeza é de que não cometi, e espero nunca vir a cometer, o erro de instrumentalizar a vítima e inflamar o trauma, só porque me daria jeito ter mais uma bandeira para consertar o mundo, beneficiando dezenas de pessoas imateriais à custa da pessoa concreta que estava à minha frente.
As proporções sociais que atingiu a história que resultou da falta de noção do presidente da federação espanhola de futebol, face à ausência de comoção face a problemas bem reais como os descritos por Helena Matos, é o mesmo tipo de viés dos que acharam que os abusos sexuais na igreja eram úteis para fazer avançar a agenda da modernização da igreja, o que tornava moralmente aceitável menorizar o problema global do abuso sexual de menores através do esquecimento de que o que se passou (e passa) na Igreja não ter nada de específico, sendo muito provável que uma investigação do mesmo tipo no desporto, nos escuteiros, nos campos de férias, nas escolas, etc., viesse a ter conclusões semelhantes.
Aparentemente andamos com os critérios de análise e relevância dos assuntos um bocadinho baralhados.
ResponderEliminareste caso descrito por Helena Matos (https://observador.pt/opiniao/os-juizes-deviam-falar-com-os-bispos-e-quanto-mais-depressa-melhor/)
Não faço ideia de que caso se trate e não tenho acesso ao Observador para o ficar a conhecer.
Por isso, de facto, não entendo a primeira parte deste post.
ResponderEliminaro esquecimento de que o que se passou (e passa) na Igreja não ter nada de específico
Aquilo que tem de específico é que a Igreja pretende ser e passar por uma luminária moral.
Ou seja, temos uma instituição que pretende guiar moralmente a sociedade, mas cujo pessoal aparentemente se comporta tão mal como as pessoas de qualquer outra instituição.
Isto em ; Espanha, tornou-se a boia de salvação da "Cajera"...
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ResponderEliminarEste post intitula-se "instrumentalizar a vítima e inflamar o trauma" mas eu, lamentavelmente, não percebo a que vítima se refere e de que forma é que ela está a ser (contra a sua vontade, presumo) instrumentalizada, nem se essa vítima está traumatizada ou não, e por quê.
Quanto à história que se terá passado com a antiga colega do Henrique, é como o Henrique diz, é a palavra dela contra a palavra do outro. E mesmo que haja outras mulheres a contar histórias similares, continuará a ser as palavras delas contra a palavra dele. Enquanto não houver provas ou testemunhas, podemos acreditar nas, e solidarizarmo-nos com, as alegadas vítimas, mas não podemos condenar ninguém.
ResponderEliminarEsta forma de escrever não ajuda à compreensão do post. O presidente da federação de futebol é a primeira pessoa, a terceira pessoa é a envolvida na atitude; quem é a segunda pessoa?
Eu diria que Rubiales é a primeira pessoa, Hermoso é a segunda, e não há terceira pessoa nenhuma.
A lei deveria ser aplicada de forma mais incisiva para não haver abusos nem margem de dúvidas.
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ResponderEliminarGrande menorização da capacidade da mulher em causa em tomar as suas próprias decisões. Se ela decidiu escalar a questão, é porque refletiu e achou mais apropriado tornar este assunto importante para a defesa dos seus direitos.
Tem uma única evidência de que ela decidiu escalar a coisa? Eu não encontro, mas estou aberto a mudar de opinião se me mostrar uma única evidência de que foi ela que decidiu escalar a coisa.
ResponderEliminarO uso da palavra escalar é dúbio... tão escalate... inglesices.
ResponderEliminarA senhora só "escalou" depois do circo ter pegado fogo. Que o hermano não tem postura parece unânime, mas há uma vontade de o afastar que vem de trás, e vontade política em fazer festa devido à questão pós-eleitoral.
Não sou competente para julgar as reacções emocionais de uma jogadora de futebol publicamente beijada de surpresa e sem consentimento mas lamento imenso que ela não tenha reagido com uma valente estalada.
ResponderEliminarMas as consequências - que não para ela - parecem divertidas. Sanchez pede a demissão e a Federação apresenta uma queixa contra o Governo Espanhol por intromissão em assuntos internos.
P.S. O que já não acho tão divertido - mas esclarecedor - é ler os comentários de "Balio" e constatar que há pessoas que têm mecanismos de pensamento - a que, no caso, recuso chamar lógica - diferentes dos meus.
Tantas, mas basta uma: ela decidiu deixar de jogar pela seleção espanhola enquanto o senhor lá continuasse.
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ResponderEliminarA Índia desenvolve tecnologia e explora o planeta Lua. Os BRICs fundam um banco para financiar o desenvolvimento dos seus associados a juros mais baixos que o fmi ou o banco mundial.
As caquistocracias europeias alimentam uma comunicação/intoxicação social que se dedica a à promoção de assuntos de caca como o referido no postal.
Esta Europa pelintra, a quem o russo passou o certificado de insignificância total, faz lembrar o Titanic, afunda-se com a orquestra a tocar, sendo neste caso, em sentido figurado, a orquestra, a tal intoxicação. Uma orquestra reles, pois.
Não sei quantos dias depois de uma pressão brutal sobre ela, um sindicato emite um comunicado em nome da jogadora (não o desmentiu, portanto é de presumir que é de facto em seu nome) em que dezenas de jogadoras dizem que se recusam a jogar na selecção.
ResponderEliminarDa jogadora, por si, de viva voz ou assinado por si, ainda não ouvi nada.
Portanto, não entendo como isso demonstra que a jogadora mudou de ideias e em vez do pedido insistente para a deixarem em paz, passou a querer este circo em que um ministério público de um país a convida a apresentar queixa de um crime cometido noutro país.
Palavras da própria: https://twitter.com/Jennihermoso/status/1695149241889403233
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ResponderEliminarJá que refere a Federação, permita-me que acrescente ao seu comentário o seguinte e que tem a ver com a FIFA, que parece que também terá suspendido o 'beijoqueiro'.
Não me parece que o assunto tenha nada que ver com FIFA, com Federação, com governos e outras entidades 'cacarejadoras' do assunto. Terá a ver apenas com o tal 'beijoqueiro' e a senhora beijada.
Voltando à dita FIFA, tão feminista que ela é e não teve pejo nem 'vergonha na cara' de organizar um campeonato mundial … no Qatar.
É preciso ser zeloso ...
Nesse caso da sua colega funcionaria muito bem uma verguinha de ferro a estalar uns quantos dentes na boca do artista. Garanto que numa próxima levaria a mão à placa e pensaria 2 vezes.
ResponderEliminarEu conheço esse comunicado do sindicato a transmitir as declarações da jogadora, não vejo rigorosamente nada que indique que era vontade da jogadora que o assunto tivesse estas proporções, sendo explicitamente referidas as pressões para que fale sobre o assunto (que ela recusa.
ResponderEliminarAs pressões de que ela fala são da Federação Espanhola sobre ela e sobre a sua família para que interviesse a favor do presidente. Fala de uma cultura de manipulação não por parte dos medias e da agenda woke, mas sim do Rubiales. Mais claro que isto não acho que seja possível.
ResponderEliminarDe facto, "escalar" só o Everest, e a dourada (para quem não sabe mais).
ResponderEliminarTem razão. Li numa altura, interrompi e escrevi noutra e deu asneira.
ResponderEliminarIndependentemente disso, não há nada, nada, no comentário que permita dizer que foi ela que quis que a situação atingisse estas proporções (pelo contrário, passa o tempo a dizer que não queria comentar o assunto).
Entretanto a O-nu também já comentou a situação (pelo porta voz do sr do Pântano) dizendo ser lamentável o machismo no desporto e etc. Isto vindo de uma organização que permite a Arábia Saudita na dita comissão dos direitos humanos(lol) da referida O-nu. Se isto não é um manicómio global não sei o que seja um manicómio global.
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ResponderEliminarnão há nada no comentário que permita dizer que foi ela que quis que a situação atingisse estas proporções
Parece-me que o Henrique está a ser demasiadamente rigoroso, ao exigir que a jogadora (Hermoso) tome uma posição desligada das suas colegas e do seu sindicato.
É natural que a jogadora não queira comprar uma guerra individualmente e prefira respaldar-se nas suas colegas da seleção e no seu sindicato. É para isso, ao fim e ao cabo, precisamente, que os sindicatos servem: para apoiarem os trabalhadores, evitando que eles tenham que lutar sozinhos contra as malfeitorias da entidade patronal.
Interpretando a coisa de um ponto de vista benevolente para com Hermoso, podemos dizer que esta buscou o apoio do sindicato e das suas colegas e só quando se assegurou de que estava respaldada por ele e por elas é que se manifestou.
Note-se ademais que o comunicado do sindicato diz de forma muito clara que esta atitude de Rubiales foi tão-somente a última, e mais visível publicamente, de atitudes análogas que diversas jogadoras (da seleção) têm experimentado ao longo dos anos. Não foi caso único nem isolado.
Mas eu estou a exigir alguma coisa à senhora?
ResponderEliminarO que disse foi que não foi ela que quis ir atrás do assunto, é instrumental numa agenda que não é dela.
ResponderEliminarnão foi ela que quis ir atrás do assunto
Segundo a wikipedia, ela quis ir atrás do assunto, mas não individualmente e sim através do sindicato do qual é membro.
"La jugadora indicó durante un vídeo que no le había gustado la acción para, posteriormente, delegar en su sindicato, y en su agencia de representación la gestión del incidente."
https://es.wikipedia.org/wiki/Luis_Rubiales
E quem achas que escreveu essa entrada na wikipedia?
ResponderEliminarDesde sempre ela pediu que a deixassem em paz e só com o circo todo montado e a pressão sobre ela, parte de quem acha que pode instrumentaliza-la para ter ganhos de causa, é que ela, através do sindicato e da sua representante, fez dois comunicados, nenhum deles a pedir nenhum levantamento social.
ResponderEliminarDesde sempre ela pediu que a deixassem em paz
Claro, é precisamente por isso que ela delegou no sindicato e na sua representante o tomarem conta do assunto. Ela quer que seja o sindicato a falar por ela. Isso é normal, na maior parte dos contenciosos.
parte de quem acha que pode instrumentaliza-la
Nada me dia que ela esteja a ser instrumentalizada contra a sua própria vontade. Parece-me que o Henrique está a imaginar, ou a inventar, esse ponto.
fez dois comunicados, nenhum deles a pedir nenhum levantamento social
Ninguém jamais pediu qualquer levantamento social. O que o sindicato e as jogadoras da seleção pedem é que Rubiales e, em geral, a direção da Federação saiam. Somente isso. Não me parece de mais... Não me parece nenhuma revolução!
O sindicato que a representa é, ao contrário do sindicato que foi formado pelo próprio Rubiales, um sindicato somente de jogadoras (mulheres), que tem objetivos mais revolucionários, nomeadamente a igualdade de salário com os jogadores masculinos.
E Ayuso, uma vez mais, exemplar...
ResponderEliminarJSP
Para conversar é preciso que as duas partes acordem num mínimo dos mínimos de respeito pela realidade, visto que te estás nas tintas para a realidade, eu vou gastar o meu latim para outro lado.
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ResponderEliminarEstá na moda dar microfone a inúteis e nulidades, como é o caso, e depois nós temos os ler.
Não há meio de o nível do mar subir acima das orelhas desse inútil ...
Check https://desporto.sapo.pt/futebol/mundial-feminino/artigos/mais-um-capitulo-na-polemica-video-mostra-jenni-hermoso-a-rir-se-do-beijo-de-rubiales
ResponderEliminarOs grandes defensores do Estado que de tudo cuida clamam ainda mais moralidade.
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ResponderEliminarO facto de ela se ter (eventualmente, não vi o vídeo) rido do episódio não implica que ela não esteja disposta a utilizá-lo para atingir certos fins.
Não restam dúvidas _depois de ver este vídeo _ de que a jogadora está descontraidíssima e não parece sentir-se ofendida com o "beso", como parece ter achado divertido. Todas as outras jogadoras também estão eufóricas com a vitória e dentro do autocarro gritam alegremente em coro "Beso!Beso!" numa alusão ao sucedido minutos antes, e comentam que o beijo do "Presi" (sic) foi como o famoso beijo de Casillas a Sara Carbonero.
ResponderEliminarJá se tinha notado a mesma parcialidade, falta de isenção e o mesmo silêncio em relação ao assédio sexual explícito e aos outros abusos de igual espécie cometidos pelo Boaventura Sousa Santos. E com este ninguém se indigna?! Não se exige condenação?!
ResponderEliminarPodemos ver a coisa pelo lado oposto.
Se Jenni Hermoso está a ser instrumentalizada contra a sua vontade, e sendo ela uma mulher perfeitamente adulta (33 anos de idade), porque tolera ela isso? Porque não se manifesta contra a exploração de que está a ser alvo, supostamente contra a sua vontade e para seu sofrimento e prejuízo? Porque não se demarca? Porque não abandona, por exemplo, a sua filiação no sindicato que, alegadamente, está a explorar o seu caso?
Não fazendo ela nada disso, só podemos concluir que a exploração do caso está a ser feita de acordo com a vontade dela ou, pelo menos, não contra essa vontade.
Ou seja, não há, de facto, qualquer exploração da vítima, mas tão-somente exploração do acontecimento, da ocorrência que, digamos assim, a vitimou. Ou seja, o beijo está a ser explorado, mas Hermoso não está. Pelo contrário, o beijo está a ser explorado por vontade de Hermoso, ou pelo menos não contra essa vontade.
Contra a sua vontade é invenção tua, não é argumento meu.
ResponderEliminarHá muitas maneiras de instrumentalizar pessoas, incluindo o condicionamento da sua vontade.
ResponderEliminaro episódio foi inflamado por alguém que quis instrumentalizar as jogadoras
Não necessariamente. Pode ter sido inflamado pelas próprias jogadoras (ou por algumas delas) com objetivos próprios delas. As jogadoras são seres adultos, que não se deixarão facilmente instrumentalizar.
foram instigadas e convencidas a mudar de atitude para se juntarem à "causa"
Não necessariamente. Podem ter causas próprias delas mesmas e estarem a utilizar este episódio para avançarem essas causas.
ResponderEliminarUm liberal, como eu, tende a considerar, à partida, que, quando as pessoas exprimem a sua vontade, essa vontade deve ser tida em conta, ainda que se possa acreditar que as pessoas estejam a ser instrumentalizadas.
Ademais, em minha opinião, as jogadoras não estão, de facto, a ser instrumentalizadas. Elas têm os seus desejos, que passam por serem mais respeitadas e, muito em particular, por ganharem tanto quanto os seus colegas masculinos. Esse é o objetivo, declarado e expresso, do sindicato delas - não é segredo nenhum. Para darem força a esta sua causa, elas estão a fazer um braço-de-ferro contra Rubiales e contra a "Real" Federação (que de real nada tem, o rei não mete nela prego nem estopa). Trata-se de uma causa delas e de uma tática delas. Não estão a ser instrumentalizadas, estão tão-somente a lutar pela sua causa.
Este "Titanic" está quase todo dentro de água e os membros da orquestra estão agora acorrentados ås grades da popa . E só vão parar de tocar quando lhes faltar o ar.
ResponderEliminarQuando esse se "afogar" logo metem lá outro no lugar . A O-nu é um antro que só tem solução com uma implosão.
ResponderEliminarBalio, provavelmente, porque bem lá no fundo, a jogadora sente que não repudiou veemente o beijo, nem demonstrou suficientemente o seu incómodo, conforme, aparentemente, o sugerem as imagens (talvez por ter ficado surpreendida pelo gesto inesperado ou talvez até por pudor), mas admito _ o que só prova a sua honestidade e que sente algum escrúpulo de consciência (dilema moral) em acusar o Rubiales.
ResponderEliminarConfesso que no princípio admiti que a Jenni devia estar enfurecida e ofendida com o atrevimento do gesto, mas que estaria a autocontrolar-se para não "estragar" o momento de apoteose, a celebração da vitoria e para mais tratando-se dum evento público, filmado e visto por milhões de pessoas. Supus, portanto, que a jogadora estaria a reservar-se para reagir a seguir, logo que estivesse num ambiente mais reservado. Aguardei, pois, com certa curiosidade, como iria ela manifestar-se e mostrar, sem rodeios, o seu repúdio e ofensa pelo gesto (imperdoável) de Rubiales.
Já dentro do autocarro, longe dos olhares da multidão, num ambiente privado e protegido, onde poderia comentar à vontade sobre o sucedido e dar asas à sua indignação, nada disso aconteceu, afinal...
Surpreendentemente o seu estado de espírito não foi aquele que se esperaria. Assim mostra o vídeo.
Tudo o resto que veio a acontecer, parece-me que foi bem orquestrado e encurralaram a Hermoso num dilema moral. Só assim se explica a sua reacção. Sinal dos tempos!
Se era para acabares a dizer o mesmo que eu - que o se está a passar não tem nada com o que se passou ou com a jogadora, mas com a manipulação do que se passou e da jogadora para fazer avançar uma agenda política e social - para que raio não disseste logo isso desde o princípio?
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ResponderEliminarJá dentro do autocarro as jogadoras troçam de Rubiales, que consideram um tanso, um mulherengo e um machista, mas inofensivo, pois elas estão, de facto, devido ao sucesso que obtiveram, muito acima dele.
Mais tarde, algumas dessas jogadoras, eventualmente a maioria delas, resolvem aproveitar a palermice (imperdoável) de Rubiales para fazerem pressão sobre a Federação de Futebol, para que ela as trate e as pague melhor.
Não sei se terão sucesso ou se merecem tê-lo. Sei que Rubiales deve cair, porque se portou muito mal. Não somente pelo beijo, mas por aquele gesto ordinário de levar a mão aos testículos aquando do golo. Rubiales é um ordinarão parvo, merece ser posto num canto, e sê-lo-á. As jogadoras sabem-no.
ResponderEliminarSe o Henrique pensa o mesmo que eu, pois bem, fico satisfeito.
Eu frequentemente tenho dificuldade em perceber aquilo que o Henrique pensa; interpreto-o mal. No caso em questão, pelo título do post julguei que o Henrique pensava que Hermoso era uma vítima que estava a sofrer de um trauma, trauma esse e vítima essa que estavam a ser manipulados, melifluamente, por terceiros. Eu não penso nada disso. Pelos vistos, afinal o Henrique também não. Ainda bem.
Eu não tenho opinião sobre se é uma vítima ou não, nem tenho de ter.
ResponderEliminarEla é que tem de ter essa opinião, e sobre isso eu não escrevi nada.
O que tenho escrito é sobre as quartas, quintas e sextas pessoas que montaram um circo idiota com base no pressuposto de que a senhora é uma vítima de uma agressão sexual resultante de um abuso de poder, quando ela própria pediu para a deixarem em paz.
Essas conclusões todas sobre Rubiales foste buscá-las à sentença de um tribunal que culmina um processo com todas as regras e mecanismos de defesa dos acusados ou são a tua opinião de que ser mal-criado é um crime sem remissão e que essa tua opinião deve servir de base para que as pessoas sejam sancionadas por se portarem mal?
ResponderEliminarBalio,Balio! desde quando as pessoas são postas a um canto por se "portarem mal" ou fazerem "gestos ordinários" ? Por essa ordem de ideias todos os "ordinarões parvos", os malcriados e grosseirões do futebol e não só (e olhe que são muitíssimos!!!) iam parar aos tribunais e... condenados!
ResponderEliminarE olhe que não seriam só as pessoas do mundo da "bola"... repare bem nas atitudes de certas figuras públicas e na linguagem de fino recorte dos políticos grosseirões da nossa praça... têm sido muitos os episódios e as frases memoráveis (pelas piores razões)! Certamente estará lembrado dos termos insultuosos usados por governantes de riso alvar, para achincalhar opositores. E olhe que não caíram!
Mas até nem seria má ideia _ aí estou de acordo consigo!_ pôr essa tropa fandanga no seu lugar, ou seja, como diz, «a um canto», por indecente e má figura.
ResponderEliminarRubiales não tem nenhum direito protegido por lei de continuar a ser presidente da "Real" Federação Espanhola de Futebol. Não é pois preciso um tribunal, com todas as regras e mecanismos de defesa, para o tirar desse posto. Basta que quem o pôs lá de lá o retire.
Ser malcriado não é um crime, mas é justificação para que certas pessoas sejam afastadas dos postos que ocupam.
ResponderEliminarO Henrique está confundir um contrato de trabalho com uma posição para a qual se é nomeado.
Quem tem um contrato de trabalho somente pode ser despedido se cometer algo contra esse contrato. Eventualmente, pode recorrer ao sistema de justiça se fôr despedido sem justa causa.
Quem foi nomeado para uma posição pode ser demitido dela por quem o nomeou, a qualquer momento, e não pode recorrer ao tribunal. Basta mostrar que não é pessoa adequada para a posição.
Rubiales está (creio eu) na segunda condição, não na primeira.
ResponderEliminardesde quando as pessoas são postas a um canto por se "portarem mal" ou fazerem "gestos ordinários"?
Podem não o ser e em muitos casos não o são. Mas devem sê-lo.
Rubiales fez três (não uma nem duas) coisas inaceitáveis:
(1) Beijou nos lábios uma mulher sem autorização dela;
(2) Pôs um braço em volta dos ombros da rainha;
(3) Agarrou os genitais com a mão em público, ainda por cima bem perto da rainha e das princesas (que são menores de idade).
Qualquer das três coisas é uma grosseria que mostra que ele é inadequado para o lugar que ocupa. Quem o pôs lá deve, pois, retirá-lo de lá.
(Note-se que Rubiales é um antigo jogador de futebol, mas licenciado em Direito. As grosserias que ele cometeu são compreensíveis num jogador de futebol, mas inaceitáveis num licenciado, especialmente em Direito.)