quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Bruxaria

"O peso da Covid diminui substancialmente em 2022 em comparação com o ano anterior, mas aproxima-se do contabilizado no primeiro ano da pandemia. ... Como se explica que numa altura em que uma parte da população está duplamente protegida contra a covid19 - através da vacinação e da infecção - ainda tenham ocorrido perto de sete mil mortes pela nova doença?", pergunta Alexandra Campos no Público.


Para mim, há duas explicações simples: 1) a protecção contra a doença não funciona; 2) a protecção funciona e as pessoas morrem por outras razões, atribuindo-se à covid19 efeitos que ela realmente só tem marginalmente, isto é, as pessoas morrem porque estão velhas e fragilizadas, são registadas como mortes covid19 porque continuamos a fazer testes sem grande sentido.


A primeira hipótese é pouco provável, a segunda hipótese é bastante consistente com a caracterização das pessoas a quem se atribui morte com covid19 e bastante coerente com os dados da mortalidade excessiva (excessiva no sentido de que é maior que a linha base dos anos anteriores, como seria de esperar numa população cada vez mais envelhecida e com uma crescente degradação dos instrumentos de apoio social, como sejam os sistemas de saúde e, mais ainda, a precariedade da situação social na velhice).


Carlos Antunes, pelo contrário, prefere respostas complicadas.


"É a demonstração de que há um equilíbrio entre as medidas não farmacológicas de combate à pandemia [sem vacinas, em 2020 sucederam-se os confinamentos e as medidas restritivas] e as farmacológicas ... em 2020 não tínhamos vacinas e, portanto, tivemos de contrariar e conter a pandemia através de medidas não farmacológicas. Em 2021 abdicámos a 50% das medidas não farmacológicas já com uma mistura de vacinação. Cometemos um grande erro em Janeiro ... Foram quatro mil óbitos a mais, nas regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo, por erros de decisão política. Em 2022, já não temos medidas farmacológicas, mas temos protecção, quer por vacinação, quer por infecção, que é suficiente para conter a gravidade da doença, mas não impede a ocorrência de óbitos, em especial das pessoas mais vulneráveis".


Bastaria notar o absurdo desta frase "é suficiente para conter a gravidade da doença, mas não impede a ocorrência de óbitos" para se ficar de pé atrás com esta conversa de especialista.


Mas, mesmo que o absurdo de se conter a gravidade da doença, não evitando a morte, passasse despercebido, bastaria ler as notícias do que se passa na China, hoje - a tal ditadura que, com mão de ferro, mostrou ao mundo, em 2019, como se controlava uma epidemia, se bem se lembram - para não atribuir qualquer credibilidade a esta conversa de treta sobre o efeito das medidas não farmacológicas, até hoje, uns três anos depois do aparecimento da doença, com uma quantidade de dados estratosférica, em todo o mundo, sem que se tenha conseguido produzir um artigo científico que faça qualquer demonstração inequívoca da sua eficácia.


Alexandra Campos, que tem com certeza acesso aos relatórios sobre mortalidade do país, incluindo os que tratam da mortalidade covid em Janeiro de 2021, que demonstram a hipótese de ligação entre a mortalidade desse mês e de Fevereiro que explicam a anomalia de 2021 às condições meteorológicas dessa época, prefere, ainda assim, falar com Carlos Antunes sobre histórias da carochinha em que supostos erros administrativos, iguais em todo o país, resultam em anomalias regionais que ele próprio considera relevantes.


Esqueçam Costa, Medina, Pedro Nuno Santos ou Galamba, esses são meros resultados efémeros do problema central: nós, enquanto sociedade, gostamos mesmo de histórias da carochinha que justificam as nossas opções e nos permitem atribuir os maus resultados que delas advêm a forças cujo controlo nos escapa.


E isso faz com que façamos os mesmos erros, dia após dia, sem nunca aprender com eles.

7 comentários:

  1. esqueceu o João Ratão, aquele com muito riso e pouco siso, que não se preocupa com criação de riqueza, com excepção para a prata da casa.
    que esperam do comportamento alimentar proteico duma população constituída por 50% de pobres.
    fecharam a economia do país e não a da localização inicial das infecções.
    o vírus continuará a andar por aí e a alterar o seu frágil adn.
    e mais não digo por não saber ... ler nem escrever 

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  2. Há umas poucas (três ou quatro, creio) edições do <i>Economist</i> atrás, apareceu nele um trabalho muitíssimo interessante em que é mostrado que Portugal tem (1) o inverno mais moderado da Europa, e (2) a maior diferença de mortalidade entre o verão e o inverno da Europa. Há uma correlação muito clara nos diversos países europeus: quanto maior é o frio invernal, menor é a diferença de mortalidade entre o verão e o inverno. Portugal é um caso extremo dessa correlação, com um inverno excecionalmente ameno e com uma mortalidade no inverno muitíssimo maior do que no verão.
    Isto ajuda a explicar porque é que no inverno de 2020-2021, que teve um período excecionalmente frio, a mortalidade (supostamente covid, na verdade causada pelo frio) subiu tanto: a mortalidade sobe sempre muito em Portugal em períodos mais frios.

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  3. Será assim tão difícil chamar os bois pelos nomes e falar sem eufemismos?
    Com tantos especialistas; médicos, matemáticos, enfermeiros, comentadores, politicos e outros. Ainda não encontraram um nexo causalidade entre as medidas anticovid e o excesso de mortalidade? E o elevado número de efeitos secundários graves provocado pelas vacinas? E a varíola dos macacos que deu em pessoas heterossexuais depois de tomarem a vacina?
    Será que a covid era mesmo um problema de saúde pública, ou era apenas um artifício para mexer com as economias a nível mundial.
    Ninguém acha estranho a guerra da Ucrânia ter ditado o fim da covid?
    Ninguém acha estranho a China não aceitar as vacinas europeias?
    Como diz a canção " O que faz falta é animar a malta".

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  4. Não sou negacionista, acredito no COVID. Coisa diferente é não acreditar nas vacinas.
    Conheci muitas pessoas com todas as vacinas e que apanharam COVID e ficaram gravemente doentes. Algumas duas vezes.
    Eu tive COVID e forte, 2 familiares mais fraco e os que trabalham em hospitais não tiveram. Ninguém foi vacinado.
    Frequentei sempre transportes públicos com máscara quando decretado e sem máscara após.Certo, certo é que muitos ganharam fortunas com as vacinas.

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  5. Pergunta: será que se o preço da "vacina" Covid da Pfeiser -e respectivas comissões-  fosse de valor ridículo (como o abulido ao caso, fármaco Ivermectin) os circuitos da saúde mundial seriam tão enérgicos em "vacinar" tudo e todos?. 

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  6. Continuam a não perceber.


    O objectivo foi e é o Poder sobre os outros. Note-se aliás como quase ninguém protesta a nossa revisão Constitucional dedicada a dar ainda mais poder ao Estado.


    O objectivo é o controle, o ter poder sobre os outros. Estamos a entrar numa Era anti-liberal.

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  7. No Japão o Governo abriu uma investigação para apurar as causas que estão na origem do aumento extraordinário de mortes numa população praticamente toda vacinada . Porque será? 

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