Miguel Esteves Cardoso ocupa um lugar especial nos cronistas portugueses por ter desenvolvido uma técnica de crónica dificílima e, apesar disso, a aguentar, uns dias com piores resultados, uns dias com melhores resultados e alguns dias com resultados excepcionais, tão excepcionais que dificilmente se encontra quem consiga fazer o mesmo.
A técnica consiste em escrever sobre o quotidiano, como se o quotidiano de cada um de nós fosse universal: pega num assunto sem interesse nenhum para quase ninguém - por exemplo, a temperatura da água num determinado dia e numa determinada praia -, inventa um pretexto para dar uma dimensão de interesse geral ao tema e, depois, a partir de um ponto de vista assumidamente único, subjectivo e descomplexadamente frívolo, escreve primorosamente sobre o assunto, tornando a forma tão mais importante, que é irrelevante que o conteúdo não tenha interesse nenhum.
Bárbara Reis também ocupa um lugar especial nos cronistas portugueses.
Ontem, a ler a sua crónica "Cavaco Silva e o amor ardente", percebi finalmente o exercício a que se entrega e sua profunda originalidade.
Bárbara Reis faz exactamente o inverso de Miguel Esteves Cardoso.
Pega num assunto de interesse geral, neste caso, um artigo de Cavaco Silva que toda a gente leu, com excepção de António Costa, pega-lhe por um ponto de vista individual e irrelevante, neste caso um comentário da "Pipa", e discorre sobre o assunto de uma forma pueril, escolhendo dados e informações sem contexto que sirvam um discurso a que só esta esquerda que vive da caridade da família Azevedo, como é o caso de Bárbara Reis, dá importância.
Não vou estragar o prazer a quem queira ler essa longa crónica de Bárbara Reis, mas ainda não parei de rir sobre o contorcionismo a propósito da emigração e imigração, que culmina na conclusão de que, no essencial, Portugal e a Alemanha ocupam mais ou menos o mesmo lugar no coração dos migrantes de todo o mundo.
Bárbara Reis nunca deve ter reparado que, nos anos sessenta do século XX terão emigrado de Portugal um milhão e meio de portugueses, mas a população do país apenas diminuiu cerca de 300 mil habitantes, e que na última década a população portuguesa diminuiu dois terços desse valor (cerca de 200 mil habitantes), apesar do El Dorado que, na opinião de Bárbara Reis, Portugal é, com excepção dos anos da troica, bem entendido.
O espantoso é que uma jornalista que escolhe discutir um comentário anónimo sobre o artigo de Cavaco Silva, achando que é uma forma inteligente de contestar Cavaco, foi directora do Público anos e anos.
Ou então não, não é espantoso, é apenas o resultado de ter os incentivos errados a funcionar num jornal: o jornal vive da caridade da família Azevedo, não dos seus leitores, e portanto pode dar-se ao luxo de ter pessoas como Bárbara Reis como directores, mesmo que isso seja um desastre para a reputação do jornal junto dos leitores.
a republiqueta continua bárbara e daqui não sai.
ResponderEliminarCosta, como político, encontra-se no topo extremo da incapacidade, ministros incluídos. lembra-me um vendedor da 'banha da cobras' «não estou aqui para enganar ninguém!»
ouvi a economista de certa esquerda '4 secretários de estado dos EUA gerem verbas para mil anos de governação Costa'
Tudo isso e mais isto que revela uma desonestidade política e ideológica ( se tal for possível) associada a ignorância.
ResponderEliminarhttps://portadaloja.blogspot.com/2020/10/barbara-reis-jornalista-cavilosa.html
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ResponderEliminarBrilhante texto.
ResponderEliminarTambém li, e fiquei enojado.
Nada de admirar na personagem em questão
Merceeiros de segunda geração é possível estarem mais preocupados com o seu estatuto social do que com a mercearia..
ResponderEliminarEstamos a ver uma data de empresas em que os seus líderes se procupam mais em promover a sua moralidade, demonstrando pertencerem a uma aristocracia progressista do que em fazer um bom serviço aos clientes.
São os "luxury beliefs" que permitem distinguir a elite da classe média, pois como a classe media obtém carros, telemóveis e voa para férias por isso no contexto de competição social a elite tem de mudar o campo de batalha.
Como dizem os chineses Baizuo.
É histórico - já vem desde os primeiros industriais - que muito burguês após conseguir riqueza depois quer dar uma patine de significado moral ao que conseguiu para além de "só" ser rico. O embrulho social tem de ser mais atraente para se poderter estatuto nos cocktails das fundações, forums e "summits".
Camarada Loja da Porta,
ResponderEliminarJá lá vão 48 anos desde a queda do seu regime e 54 sobre a queda da cadeira do santo no forte de Oeiras. Se ainda sonha com esses tempos ou é ainda mais velho que eu ou bem podia estar a defender o visconde de Santarém.
Passado meio século a sociedade é outra e o botas é um assunto enterrado.
Estamos noutra, uns à liberal, outros à esquerda, mas covis de antanho já foram. Ninguém quer mais saber de salazarismo, monarquias ou primeiras repúblicas. O que morreu, morreu. Ressurreição só nas igrejas e noutra vida.
Saiba que ainda leio o Público, mas que há muito deixei de ler a Bárbara Reis. E, é claro, também não leio alguns articulistas daquele jornal. Leio por vício, é o que é...
ResponderEliminarCertamente que me vou repetir. Um dia o meu Pai com mais de 100 anos, depois de eu fazer uma critica ao meu irmão, disse-me;
ResponderEliminarés livre quem te impede de ser rico? Conclusão todos podem ser ricos, são livres.
Sem um rico como o dono do WhatsApp não telefonávamos pra todo o mundo de borla.
ResponderEliminarHenrique Pereira dos Santos,
Escreveu o que pensa acerca de MEC.
Sigo os seus posts há anos; em geral com agrado. Outros tem havido bem duros de roer, tramados para mim que julgo saber ler as entrelinhas.
Este post tem uma estrutura que não lhe é habitual, sendo límpido e sem rodeios.
Por ele venho-o felicitar.
Caro Albino:
ResponderEliminarSe assim o desejar, pode ler na íntegra aqui:
ResponderEliminarhttps://observador.pt/opiniao/querem-mesmo-fazer-reformas/
Na "mouche", para os evolucionistas do atraso!
ResponderEliminarOs covis de antanho, no caso, são ainda mais antigos que os do tal botas. Foram aliás tais covis que fizeram aparecer o botas e continuam aí a segregar a mesma doutrina, jacobina e de uma esquerda fóssil. E são frequentados por aqueles que não gostam que se fale do botas. Percebe-se...
ResponderEliminarCamarada Albino Manuel
ResponderEliminarQuando já nem sequer se sabe em que forte alguém que se invoca caíu de uma cadeira há mais de 50 anos está na altura de não comentar mais nada sob pena de todos nos darmos conta do seu lastimável estado geral.
Caro anónimo das 23:59.
ResponderEliminarPermita-me que o corrija: não se trata de um "camarada". É simplesmente um jacobino albino, serôdio, fora de prazo, que sabe pouco de História.
Há um séquito destes artistas bandarilheiros "a pé" espalhados por tudo quanto é canto como piolhos em costura. São estes os tais "idiotas úteis" sempre prontos a prestar auxílio a seus "donos", uns Señoritos Cavaleiros esfaimados que mandam nisto tudo há 48 anos, montados nas suas pilecas famélicas, que a "palha" não dá para tudo.
A pé ou montados, uns e outros "espetando" e "toureando" (a torto e a direito) tudo o que nas suas fossas e ventas lhes cheire a... "direita"! Enfim, uns pobres diabos em luta pela sobrevivência, acotovelando-se por mais um fardo de palha _ que a gamela é pequena para tanto gado asinino!...
É este o lastimável estado geral! Uma Tourada para todos e uma "Fiesta" brava para uns poucos...
O Albino está cheio de preconceitos. Precisa de atarraxar melhor os parafusos. Tem aí alguns soltos que não o deixam compreender bem o que é a Democracia! Verifico que ainda não atinou bem com o seu significado. (Parece-me que V. está muito mais "marcado" e sob a influência dos anos de "antanho" do que julga! Pense nisso...) Veja o que tem para aprender:
ResponderEliminarTem de aprender, por ex. _ porque ainda não o sabe ao fim destes 48 anos _ o que é a Tolerância ("antanho" não se tolerava e perseguia-se quem desafinasse" da cartilha do regime! Como V. faz agora).
Muito menos V. parece saber o que é a Liberdade de pensamento e de expressão (uma das conquistas de Abril _ lembra-se?) Também não assimilou em que consiste a Pluralidade de opiniões, mesmo as "erradas" só porque vão contra a corrente dominante (segundo o seu catecismo). Porque há os que recusam o Pensamento Único. Não sei se sabe, é um Direito que lhes assiste, numa Democracia desenvolvida e bem consolidada. Quem pensa "diferente" não pode ser banido, "cancelado", perseguido, silenciado, porque, neste caso, não seremos uma verdadeira Democracia!
São pessoas como o Albino que me fazem temer pelo retrocesso em curso da nossa volátil "democracia" e ela esteja cada vez mais longe de estar consolidada. E é através do seu comentário que acabo por constatar exactamente que a nossa democracia (ainda) tem muitas "falhas". Infelizmente tenho de dar razão ao observatório que assim nos avaliou e depois nos classificou: «Portugal é uma Democracia com falhas» o que é bastante lastimável...
(cont.)
ResponderEliminar... Não sei se o Albino está a perceber que é de Direito (e de Direitos) que se está a falar. Até porque nas sociedades livres o pluralismo de opiniões é uma questão de higiene mental. Logo, fundamental para a nossa salubridade democrática. Ha capito?
Não sei como é que o Albino aqui entrou. Não costumamos deixar entrar ratos.
ResponderEliminarTem toda a razão, há mais gente que não leu o artigo.
ResponderEliminarA um amigo meu que me disse que eu tinha um erro no artigo porque ele também não o tinha lido, ou seja, fez uma boa piada, eu respondi sem problema que ele tinha razão, era uma generalização abusiva para poder fazer a piada com António Costa, ou seja, um caso evidente em que a retórica se sobrepôs ao rigor.
A si, cujo comentário revela um elevado espírito, responder-lhe-ei que nunca liguei nenhuma ao facto das crianças dizerem que não tinham provado e não gostavam do que tinham de comer, comiam e calavam.
Um Homem que foi eleito Primeiro Ministro e Presidente da Republica em Portugal, em Democracia, seja a que propósito for, tem e terá sempre o direito, e se calhar até ás vezes o dever, de vir expressar a sua opinião!
ResponderEliminarCada vez se anda mais para trás nesta terra...
...quer se goste ou não...
ResponderEliminarE quem diz que dão?
ResponderEliminarCaro Anónimo das 09.35
ResponderEliminarO meu "Camarada" dirigido ao Albino era naturalmente irónico, que ele de "Camarada" não tem óbviamente nada.
Mas não me terei expressado bem no meu intuito de glosar o dito Albino quando se dirigiu ao "Porta da Loja".
Seja como fôr abriu-lhe a porta a si para escrever e concordo com tudo o que diz (e com a graça como o diz).
Para o sujeito
Esta gente só consegue justificar o presente passando a vida a malhar no passado pois não têem mais nenhum argumento.
Ora tendo em conta que há 54 anos eu era da idade do agora meu neto mais velho (21 anos) pode-se ver como eles pararam totalmente no tempo.
Caro Sr.: Expressou-sem muito bem, bem vi que o seu tom era irónico e eu, obviamente, nada tinha a "corrigir-lhe" (também estava a ser irónico). Agradeço-lhe o comentário amável.
ResponderEliminarQuanto a esta gente passar "a vida a malhar no passado", repare que é sempre no mesmo passado, até à exaustão! É aquilo a que se chama um discurso "redondinho", circular, às voltas sobre si mesmo, vai parar sempre ao mesmo sítio, porque não saem do mesmo enredo, que é como diz: não desenvolvem! É como o Sr. diz e bem, "a conversa é exactamente a mesma", "pararam no tempo", "não têm mais nenhum argumento".
Reinventem-se! Já não há pachorra!
E que dizer das Bárbaras da nossa praça?! São de uma previsibilidade tal... que chegam a ser desconcertantes. Fica-se perplexo! Parafraseando o HPS "isto é um desastre para a reputação do jornal" Reinventem-se! Já não há pachorra!
Os parafusos soltos ou por atarraxar será uma alusão à geringonça que se estatelou meio desengonçada? Só pode!
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