Mais uma corrida, mais uma viagem.
Ontem o Instituto Nacional de Estatística publicou os dados provisórios sobre as causas de morte em 2020. (aconselho a leitura integral, não se fiquem pelo resumo, apesar dos resumos do INE serem, de maneira geral, bastante bons. Deveriam, aliás, ser estudados nas escolas de jornalismo).
Logo de manhã tinha visto que um jornal fazia a sua grande manchete com a afirmação de que a Covid era a segunda causa de morte em Portugal em 2020, e o Público fez também um destaque a dizer o mesmo, até porque esse é mesmo o destaque que o INE faz.
Só que na notícia sobre o assunto, do Público, aparece um gráfico em que a Covid aparece muito atrás dos maiores grupos de causas de morte.
Entre doenças isoladas, a Covid aparece em segundo, com um pouco mais de metade das mortes por AVC, mas se se agruparem as doenças do aparelho circulatório, as 7 125 mortes Covid (entendidas como "óbitos em que a causa básica de morte, ou seja, a doença que iniciou a cadeia de acontecimentos patológicos que conduziram à morte") já parecem menos impressionantes face às 34 593 deste grupo. O mesmo acontece com as 28 393 mortes por cancros e mesmo as 11 266 mortes por doenças do aparelho respiratório (nas quais não se inclui a Covid).
Uma coisa é fazer uma parangona a dizer que a Covid é a segunda causa de morte no país, outra seria fazer uma parangona dizendo que a Covid foi responsável por 5,8% das mortes no país.
Note-se que 5,8% de mortes no país não é pouco e, mesmo que se optasse por ter em atenção a diminuição de mortes por doenças respiratórias que ocorreu, nomeadamente pneumonias, argumentando que parte das mortes Covid ocorreriam de qualquer maneira com outras doenças, como os dados parecem sugerir, não deixa de ser relevante uma doença responsável por 5,8% das mortes no país.
Estas hipóteses são especialmente relevantes se se tiver em atenção que a idade média da mortalidade Covid é semelhante à idade média global e por outras doenças, o que sugere que a Covid matou essencialmente pessoas que estavam fragilizadas ao ponto de qualquer perturbação poder desencadear "a cadeia de acontecimentos patológicos que conduziram à morte".
Pois bem, para os profetas das novas crenças, nada disso conta.
"Estes dados mostram que a covid-19 não era uma simples gripe e que as medidas [restritivas] fizeram sentido. ... A covid provocou um excesso de mortalidade e pode ainda ter tido um impacto no excesso de mortalidade por outras patologias ... Algumas pessoas com AVC, que precisavam de uma actuação imediata, terão acabado por não ir às urgências ... Entretanto, a vacinação "veio mudar completamente este paradigma, mas não podemos ainda deixar o vírus circular livremente".
Esta argumentação extraordinária assenta numa afirmação sem qualquer base nos dados em causa: "as medidas [restritivas] fizeram sentido".
A gestão da epidemia até pode ter sido a mais adequada possível, mas os dados do INE sobre causas de morte não o confirmam como, pelo contrário, até sugerem que talvez não tenha sido bem assim.
Em primeiro lugar, foi responsável por 5,8% da mortalidade, sendo 64% dessa mortalidade nos meses de Novembro e Dezembro, ou seja, com a forte sazonalidade tradicional da mortalidade do país e sem qualquer relação com as medidas tomadas ao longo do ano.
Em segundo lugar, a Covid parece vir a substituir mortalidade por outras causas, é o que os números sugerem.
Em terceiro lugar, uma pessoa que precisou de assistência e não a teve adequadamente , não é uma consequência da Covid, é uma consequência das medidas tomadas, tanto mais que existe hoje informação bastante sólida que demonstra que a pandemia não veio aumentar a prestação de serviços de saúde mas, pelo contrário, houve uma diminuição da prestação de cuidados de saúde nesse ano.
Em quarto lugar, a idade média da mortalidade covid é semelhante à da mortalidade geral (é, até, ligeiramente superior), o que sugere que a Covid não seria um problema de saúde pública que justificasse as medidas adoptadas, na forma como foram adoptadas.
O que nos leva à ultima frase de Tato Borges: há alguma demonstração de que alguma vez tenhamos tido alguma influência na liberdade do vírus circular?
O facto é que os dados de mortalidade Covid sugerem que não: ou bem que conseguimos gerir a circulação do vírus, e fomos tão incompetentes que a Covid foi a segunda causa de morte; ou bem que (como é provável) não temos grande influência nisso e o melhor é deixarmo-nos dessa fantasia.
A começar por ter os jornalistas a pensar um bocadinho, em vez de telefonarem às pessoas que conhecem.
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ResponderEliminarter os jornalistas a pensar um bocadinho, em vez de telefonarem às pessoas que conhecem
Não. Não é função dos jornalistas pensarem e darem-nos as opiniões que tiram das suas excelsas cabeças. Os jornalistas têm por função reportar o que se passa à sua volta, não reportar aquilo que raciocinam. A função dos jornalistas é noticiar aquilo que se passa, aquilo que as pessoas (que não eles próprios) dizem e fazem - não é noticiar aquilo que pensam.
Seria razoável, isso sim, que os jornalistas, em vez de se limitarem a interrogar pessoas, como Tato Borges, que presumivelmente têm algum interesse próprio na epidemia - porque ela as faz ter mais importância e, possivelmente, receber mais dinheiro e discípulos -, interrogassem também pessoas que, como o Henrique, estudam estes problemas sem no entanto auferirem deles qualquer proveito próprio.
A tua ideia de que é possível reportar o que se passa à nossa volta sem pensar é extraordinária.
ResponderEliminarMas o mais extraordinário é passares o tempo a fazer a demonstração prática de que é possível.
Que seja útil é que é mais discutível.
Sempre houve epidemias e não havia vacinas. A imunização era natural.
ResponderEliminarEstão a enfraquecer as pessoas com tantas inoculações. Já dizem que o efeito só dura 4 meses.
Num hospital Londrino um médico enfrentava o Ministro dizendo que não se vacinava porque corria o risco de ser vacinado mensalmente.
Serve apenas para muitos ganharem fortunas e lugares nos aparelhos, quer no Estado quer no Privado.
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ResponderEliminarSó gostava que alguém me explicasse como é que Portugal que era o número um em vacinados agora é o número um em infecções.
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ResponderEliminarhttps://www.youtube.com/watch?v=vUwUBNIgq1Y - Graça Freitas explica como se classificam as mortes por COVID-19 em Portugal
Para memória futura, neste vídeo de Novembro de 2020, diz a desgraçada Graça Freitas com o maior dos despudores: "Alguém que esteja muito mal com uma doença neoplásica, mesmo que venha a falecer provavelmente dessa doença, se estiver infectada por COVID nós contamos a infecção por COVID. Portanto, nós em Portugal não estamos a contar a causa básica da morte, mas o evento terminal. E portanto o número de óbitos coincide com o número de infectados conhecidos à data da morte."
Mas não é apenas a Portugal que esta contabilização fraudulenta da mortalidade COVID se restringe. Em todo o mundo ocidental, com algumas variações, verifica-se situação idêntica. No Reino Unido, por exemplo, “A COVID-19 death is a death within 28 days of positive specimen or with COVID-19 reported on death certificate". Numa anedota contada por Elon Musk, se não me falha a memória, dizia-se que alguém tinha sido atacado por um tubarão e que o teste feito aos destroços do cadáver tinha resultado positivo, constando na certidão de óbito a COVID-19 como causa da morte.
Com os internamentos a situação é idêntica. Assim que se entra num hospital vem logo alguém a correr de cotonete em punho - o que se justifica. Não importa que se tenha sofrido um AVC, um enfarte do miocárdio, um acidente de viação. Se o teste resultar positivo, passa-se a engrossar a lista dos internamentos por COVID. E se houver um desenlace fatal, a lista dos óbitos em consequência da COVID, tal como a desgraçada DGS refere no vídeo.
"Portantos", como dizia o candidato a Doutor em plenas provas, sabendo-se que o INE produz estatísticas com base nos dados que lhe são fornecidos (não é o INE que vai verificar, até porque não tem competência para isso, os "óbitos em que a causa básica de morte, ou seja, a doença que iniciou a cadeia de acontecimentos patológicos que conduziram à morte"
(continua)
ResponderEliminará em Novembro de 2020 o Acórdão
«“A um limiar de ciclos [de ampliação do material genético] (ct) de 25, cerca de 70% das amostras mantém-se positivas na cultura celular (i.e. estavam infectadas): num ct de 30, 20% das amostras mantinham-se positivas; num ct de 35, 3% das amostras mantinham-se positivas; e num ct acima de 35, nenhuma amostra se mantinha positiva (infecciosa) na cultura celular (ver diagrama).
(continuação)
ResponderEliminar(continuação)
ResponderEliminarOs testes de gravidez são quase todos para o meu marido que costuma parecer grávido tal é o tamanho do peito descaído, mas também cozinho grandes petiscos. Por exemplo ainda hoje fiz para o almoço uns testes PCR de escabeche que estavam uma delícia. Tive foi o cuidado de os deixar mal passados, senão aquilo acusa tudo positivo para cima de 35 ciclos.
Os testes antigénio depois de descongelados comem-se mesmo crus. O meu mais novo come sempre dois ou três ao lanche sem acusar positivo e o plástico nem lhe tem provocado gases que eu preocupo-me com o efeito de estufa e o olfacto da vizinhança. Mas de feijoada é que são mesmo uma delícia e vai ser amanhã o nosso almoço, bem cozinhados à parte que é para o plástico derreter.
Como aperitivo tenho feito uns testes antigénio a torneiras, puxadores de portas e fruta da época que muitas vezes acabam positivos. Esses vão imediatamente para o lixo porque é uma maçada o plástico vir do petróleo, a poluição do planeta e essas coisas. Mas como cá em casa usamos todos máscara anti-gás porque o meu marido sofre dos intestinos, nunca fico muito preocupada.
Do que tenho mesmo pena é de não haver testes de estupidez que obrigassem as pessoas a quarentena quando acusassem positivo. O planeta ficava tipo deserto, já não nos tínhamos que preocupar com aquecimento global, que inalar os gases dos carros dos outros, as bichas acabavam, as mal amadas deixavam de se ouvir resmungar e eu já podia ir torrar ao Sol para o Algarve descansada.»
Aliás, para o autor do post a covid nem existe. Nem há evidências de que a queda do uso de máscara aumenta as infecções. O pior é que os resultados estão à vista. Pena que não atinjam só os iluminados que tudo negam.
ResponderEliminarObrigado por explicar ao autor o que ele pensa, mas não escreve.
ResponderEliminarJá agora, pode dar-me indicação de onde posso ver essas evidências de que fala?
Muito agradecido.
ResponderEliminaro que era urgente explicar é o aumento de mortalidade de 11 % e 20% nos meses de março (11% ) e abril ( 20%) de 2022 relativamente a 2021...
segundo o ine , desses 20% a mais em abril de 2022 só 5% são covid. de que morreram os outros 15% ?
A ciência e a saúde pública são valores muitos relativos. O jornal onde o autor escreve e que eu (por enquanto) assino - que tem uma postura "taliban" em matéria de prevenção do coronavírus - conseguiu escrever meia-dúzia de artigos sobre o súbito surto de varíola dos macacos, no Reino Unido e na Península Ibérica, incluindo até uma extensa peça com "tudo o que precisa de saber" sobre o tema, sem escrever a palavra "homens homossexuais" (ou "gays"), isto quando a OMS e as autoridades de saúde britânicas (e as nossas) estão a assinalar a prevalência, entre os infectados, de "homens que têm sexo com homens" (cito) e a alertar a respectiva comunidade para o risco de transmissão por via sexual. Coitadinhas da ciência e da saúde pública quando se metem com o politicamente correcto!
ResponderEliminarDividir para reinar, o que interessa é mesmo baralhar a "malta".
ResponderEliminarEntão mas as vacinas não foram feitas com o adenovírus do macaco? Porque é que não começam por aí as investigações?
Não sei até quando é que pretendem levar a farsa.
Não será melhor parar com as vacinas e investigar as suas sequelas com seriedade?
Foi preciso morrer um puto "engasgado" para pararem com a pressão da vacinação infantil.
O caso da hepatite fulminante é provocada por um vírus respiratório, mas mais uma vez não tem nada a ver com as vacinas. Não sabem o que é que provoca a hepatite mas sabem que não é das vacinas, boa.
Agora é a varíola dos macacos mas só pega nos homossexuais (?).
Será que os entendidos pensam que todos comem gelados com a testa?
Já passou o tempo em que o The Economist era uma coisa de jeito. Hoje poderá ter um artigo de tempos a tempos.
ResponderEliminarBasicamente a sua utilidade serve para percebermos como as ideias correm nos globalistas. Ou se quisermos ir ao conceito anterior ainda válido o "Management State".
Se vires muitos artigos contra a carne prepara-te para o sistema politico uns anos depois aumentarem os preços.
O The Economist é uma revista do complexo politico/burocratas internacional e das companhias que deles beneficiam - ou julgam que-.
ResponderEliminarFelizmente, por enquanto, em assuntos de carácter científico podemos socorrer-nos da literatura científica produzida na área, algo que as pessoas comuns nem sequer sabem que existe. Relativamente à sua afirmação "Nem há evidências de que a queda do uso de máscara aumenta as infecções.", pese embora o sarcasmo evidenciado pelo contexto, ela é de facto verdadeira e, a prová-lo, aqui fica uma compilação não exaustiva de artigos científicos relativos a ensaios clínicos aleatórios e controlados (RCTs) sobre o assunto.
(continuação)
ResponderEliminar(continuação)
ResponderEliminarNo futuro - agora já é assim, com algumas excepções - o jornalismo vai debitar a uma só voz o que vier a ser emanado da OMS, ao abrigo do novo Regulamento Internacional de Saúde proposto pela actual administração americana e outros países para fazer face a pandemias.
ResponderEliminar«"We need a pandemic treaty." That treaty is set to be adopted starting this weekend in Geneva at the World Health Assembly.»
« "W.H.O. Secretariat to play the leading, convening and coordinating role in operational aspects of emergency response to a pandemic." »
«The World Health Organization gets to define what a pandemic is, when a pandemic is in progress and how long a pandemic lasts.»
«...as originally written, they [the WHO] couldn't do anything without the permission of their member countries' governments. But thanks to the change that the Biden administration pushed, effectively there is no limit at all on W.H.O's power ...»
«Under this treaty, W.H.O. members must enforce orders from the W.H.O. »
«... the treaty demands, "national and global coordinated actions to address the misinformation, disinformation and stigmatization that undermine public health."» - é a censura em todo o seu esplendor, o autêntico Ministério da Verdade e se alguém tecer críticas, "pessoas vão morrer".
Há muitos outros aspectos a causarem arrepios no documento preliminar e destaco mais este: "develop standards for producing a digital version of the International Certificate of vaccination and prophylaxis.", "the digitalization of all health forms."
Nos EUA já há ameaças de impugnação, em Inglaterra corre uma petição, só falta a Global Young Leader PM Jacinda Ardern vir repetir "and if you don't comply (with the lockdowns) we'll shoot you".