quinta-feira, 7 de abril de 2022

A epidemia e os procedimentos para a sua gestão

As citações seguintes são directamente do sumário executivo das Estatísticas de Saúde de 2020, publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística.


A escolha das citações e os comentários são meus.


"Foram registados 987,2 mil internamentos (menos 162,9 mil do que em 2019 e menos 210,2 mil do que em 2010), correspondendo a 9,4 milhões de dias de internamento (menos 9,3% em relação aoano anterior e menos 7,6% em relação a 2010);


No final de 2020, o pessoal ao serviço nos hospitais era composto por 26 249 médicos (mais 15,9% do que em 2010), 48 255 enfermeiros (mais 27,2% do que em 2010), e 10 508 técnicos de diagnóstico e terapêutica (mais 23,7% que em 2010);


Foram realizados 5,7 milhões de atendimentos nos serviços de urgência dos hospitais em 2020, menos 29,6% do que em 2019 e menos 23,9% do que em 2010;


Realizaram-se 18,4 milhões de consultas médicas nas unidades de consultas externas dos hospitais em 2020, com uma diminuição de 2,7 milhões de consultas relativamente a 2019 (menos 12,7%) e um aumento de 2,7 milhões de consultas em relação a 2010 (mais 16,9%);


Efetuaram-se 858,1 mil cirurgias (exceto pequenas cirurgias) nos hospitais, menos 176,0 mil do que no ano anterior (menos 17,0%);


O número de pequenas cirurgias nos hospitais foi 149,4 mil, menos 55,2 mil do que em 2019 (menos 27,0%);


Nesse ano, a despesa corrente pública em cuidados de saúde representou 67,6% da despesa corrente em cuidados de saúde, mais 3,8 p.p. em relação ao ano anterior (63,8%);".


Resumindo, num ano em que está em curso uma epidemia, e em que os recursos são mais que nos anos anteriores, a prestação de cuidados de saúde é manifestamente menor.


Independentemente de todas as questões que a mera enunciação destes factos levanta - das quais a menor não é a forma como a comunicação social lidou com a falsa sobrecarga do sistema de saúde provocada pela epidemia - note-se que havendo menor utilização, com maior afectação de recursos, houve períodos de ponta com evidente sobrecarga.


Claro que uma parte pode dever-se a um encontro deficiente entre procura e oferta - pode haver muitos dentistas sem fazer nada quando são precisos intensivistas, por exemplo - mas, muito provavelmente, parte do problema resulta dos procedimentos adoptados para lidar com a epidemia, incluindo procedimentos no interior do sistema de saúde que resultam em ineficiência ou tempos de isolamento de profissionais de saúde desadequados face às circunstâncias reais da epidemia.


Infelizmente não acredito que mais informação, de melhor qualidade, decantada das emoções associadas ao desenvolvimento inicial de uma epidemia sobre a qual existe uma percepção de risco pouco segura, vá resultar numa discussão serena sobre o que devíamos fazer na próxima epidemia.


Se dúvidas houvesse, bastaria lembrar que ainda hoje é obrigatório o uso de máscara nas escolas (nas lojas também, mas é a obrigatoriedade nas escolas que é de bradar aos Céus), apesar de ninguém conseguir fazer qualquer ligação entre essa obrigatoriedade e o desenvolvimento verificado da incidência da epidemia.

8 comentários:





  1. Não vejo porque é que nas escolas se pudesse não usar, quando nas lojas é obrigatório usar. De facto, nas escolas as pessoas estão muito mais perto umas das outras, durante períodos contínuos muito maiores, do que nas lojas. Parece-me razoável supôr que uma pessoa numa sala de aula tem muito maior probabilidade de infetar outra(s) do que num hipermercado.


    Aliás, usar máscara tanto é obrigatório numa aula como, por exemplo, numa conferência pública.



    (Para ser claro, eu sou contra a obrigatoriedade de usar máscaras seja onde fôr, e na minha vida do dia-a-dia farto-me de não usar máscara em situações em que é obrigatório fazê-lo.)

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  2. Claro que sim, uma vez que os hospitais estiveram fechados durante para aí dois meses. E em muitos dos outros meses os hospitais, embora estivessem abertos, estavam a meio gás porque muita gente se recusava a pôr lá os pés. Pessoas que tinham consultas ou cirurgias marcadas adiavam-nas, porque tinham medo de ir ao hospital.


    E note-se que isto não é somente verdade nos hospitais públicos, também o é nos privados. Eu em abril de 2020 precisei urgentemente de um tratamento oftalmológico e vi-me grego para o achar, porque o hospital privado a que costumo recorrer estava fechado. (Felizmente encontrei um outro que estava aberto.) Também os hospitais privados prestaram menos cuidados de saúde em 2020 do que em 2019.

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  3. Não se justificam as máscaras nem se justificam quaisquer outras obrigações. As medidas sanitárias deveriam ser recomendadas e nunca obrigadas. 
    Não vivemos num regime totalitário para justificar uma ditadura sanitária. Vivemos num regime livre e como tal as pessoas são responsáveis pelas posições que assumem.
    Se a justificação é para não entupir o SNS, qual será a proibição a aplicar aos fumadores? Ou aos obesos? Ou aos praticantes de desportos radicais?
    É só hipocrisia, a manutenção da máscara não tem nada a ver com a epidemia, a manutenção da máscara é só para manter o clima pandémico e não cair no esquecimento. 
    Se a pandemia fosse assim tão grave como querem fazer crer e se as vacinas fossem assim tão boas como dizem que foram, desgraçados dos africanos que a esta hora já tinham morrido todos.

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  4. tenho sempre a ideia que estatísticas e sondagens
    são elaboradas no largo dos ratos
    a ministrinha da falta de saúde renovou o guarda-roupa

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  5. Ontem estava a ver o debate sobre o programa do Governo na Assembleia da República, e notei que todos os deputados (exceto aquele que usava da palavra) estavam mascarados.
    Se os deputados são forçados a usar máscara, porque é que os alunos não o seriam?

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  6. Excelente comentário. Estou 100% de acordo.

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  7. Henrique Pereira dos Santos, o senhor há-de aprender a não transcrever patetices.
    Até parece que veio de outro universo aonde os tugas são proibidos.
    Neste nosso universo até são permitidas aldrabices públicas e racistas encartados como um tal Maomé Baila Bá; como clímax do seu racismo até consagrou a palavra bosta, referindo-se à bófia. E não foi mandado logo pró Senegal, atestando-se a mansidão bovina dos políticos.

    Que tenha Paz.

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