domingo, 19 de abril de 2020

Tedros Adhanom


A entrevista acima explica muito bem o mais importante avanço ocorrido no conhecimento sobre a epidemia em curso: a utilização de testes serológicos para caracterizar a extensão e desenvolvimento da infecção na sociedade.


Gostaria de chamar a atenção para um aspecto não referido na entrevista, mas que me parece que dela decorre.


Os primeiros resultados mais fiáveis de estudos serológicos confirmam o que já vários outros estudos tinham sugerido: a infecção espalha-se muito mais e de forma muito mais silenciosa do que pensamos. Não se podem simplesmente extrapolar as conclusões deste estudo sem mais, mas o que se sugere é que devemos multiplicar o número de casos confirmados por cinquenta para ter uma ideia mais próxima da realidade da infecção.


Para mim, a afirmação mais surpreendente da entrevista é a de que 50% (correcção, parecendo-me este número absurdo, fui ouvir outra vez e com mais atenção, e são 15%, uma diferença substancial, mas ainda assim muito relevante porque diz respeito às que estão infectadas naquele momento, não diz nada sobre as que entretanto estiveram infectadas) das mulheres nova-iorquinas que entram nas maternidades para ter crianças testam positivo.


Sendo agora bastante sólida a ideia de que a infecção se espalha mais, mais rapidamente e de forma mais silenciosa do que pensamos, é mais que evidente que o mito do controlo da infecção pela ditadura chinesa através da sua mão-de-ferro é mesmo apenas isso, um mito.


Como é que esse mito se tornou ideologicamente dominante ao ponto das opiniões pública ocidentais, que sabem bem o que vale a informação produzida por ditaduras, se deixarem cegar por esse mito ao ponto de exigir dos seus governos a adopção de medidas sem precedentes, nunca testadas, sem qualquer avaliação equilibrada de efeitos secundários e sem evidência científica sólida?


Parece-me que em grande parte (há outros factores, com certeza) porque a Organização Mundial de Saúde, ou melhor, o seu Secretário-Geral, se afirmaram como penhor de garantia de que realmente as coisas se tinham passado como a ditadura chinesa dizia que tinham acontecido.


Aceitar as afirmações do Secretário-Geral da Organização Mundial de Saúde pelo seu valor facial - nem sequer reparando que entre o que diz o Secretário-Geral e o que dizem os documentos da organização há diferenças abissais - é possível porque a imprensa se demitiu do seu papel de escrutínio dos poderes públicos, se demitiu de escrutinar o passado deste homem, ao ponto de serem poucas as pessoas que sabem a forma como foi eleito Secretário-Geral e não terem a menor ideia de que quase imediatamente depois de ter sido eleito (três meses), nomeou Robert Mugabe como embaixador da boa vontade da Organização Mundial de Saúde.


Claro que quatro dias depois do anúncio desta decisão Tedros teve de recuar, de tal maneira era escandalosa esta nomeação, mas isso não retira uma vírgula à questão central: o homem que nos garante a fiabilidade do que nos diz a ditadura chinesa é o mesmo homem que em Outubro de 2017 achou adequado nomear Robert Mugabe como embaixador da boa vontade da Organização Mundial de Saúde.

16 comentários:

  1. "


    É o que se chama ir de evidência em evidência. Não vou procurar saber como defende o salto lógico que o leva a decretar que a China não controlou a infecção porque é mais um exemplo de como ajusta a realidade aos seus preconceitos. Novas perguntas que ficarão sem resposta: 1) devemos concluir que não temos 160 000 mortos em todo o mundo mas um número substancialmente superior? 2) Ou a conclusão é que a infecção parou mesmo na China, mas não devido ao confinamento social porque os vírus também se podem cansar antes de a imunidade de grupo estar assegurada? 

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  2. Isto é tudo malta de Academia de Lagado. 
    Estatísticas via física teórica do Imperial; estatísticas via Imperial Economia.
    Não acertam uma. São grupos de pressão.


    Também gostava de saber por onde andam os nossos sábios e peritos em epidemiologia. Deram todos em conselheiros do príncipe?


    É que, até para estatísticas básicas, ainda tenho de ir ao twitter e ver diariamente as que o João Caetano Dias publica. 
    Pelo menos faz contas e trabalho prático que nem nos jornais aparece.
    Os sábios nada. 
    Apareceu uma sábia sexy a dizer que aos 70 anos a morte é coisa natural e expectável, donde com este bicho tudo cool - que a humanidade vai ficar renovada com a geração mais bem preparada de sempre (digo eu). 

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  3. Há mais de uma década que acompanho o Uncommon Knowledge e conheço a ligação à Hoover Institution, mas o meu interesse exclusivo é chatear o HPS com perguntas objectivas sobre as suas teses e manipulações, não sobre as suas fontes. Discutir as fontes leva sempre a um impasse.  

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  4. Não me referia a fontes. Referia-me a estatísticas.


    Pela minha parte apenas gostava de ter mais informação para além das estatísticas, acerca do próprio vírus.
    E também gostaria de ter estatísticas isentas e bem feitas. 
    Até agora acho que não encontrei nenhuma mas pode ser problema meu de não procurar no local certo.
    Sendo que esse qualquer local certo não vem nos media portugueses. O que é retracto exacto de tudo. Para quem é bacalhau basta.


    Depois temos coisas assim de Facebook-> blogosfera, "em estrangeiro". E sempre com um grãozinho de intenção de pressão e doutrina.

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  5. Neste caso HPdS está a ser comedido. Organizações globais politicamente controladas, como esta WHO, afastaram-se do que seria o seu projecto original. Já só agem como instituições que são utilizadas para ofuscar, e redirecionar, as opiniões públicas, ao serviço dos interesses alheios.

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  6. Interessante também o Nuno Rogeiro no seu progrma " Leste-Oeste " hoje, domingo, cerca das 14:22  na SicN

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  7. OK. Mas ainda não percebi que conclusão ele tira: houve um número muito maior de mortos na China ou não houve mas a razão para não ter havido é natural e não se deve à intervenção chinesa? Parece absurdo para quem não tem acompanhado a série de textos do HPS mas fiquei com essa dúvida. 

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  8. caro Henrique Pereira dos Santos


    Quero aqui fazer um mea-culpa público, porque nunca lhe dei o devido valor.
    O Sr é, não se ofenda que já vou justificar o adjectivo, dizia que é, um "chato":
    ao contrário da grande maioria dos portugueses ( eu incluido), estuda, insiste, pesquisa, discute aberta e respeitosamente, e, tal como um Fox Terrier não larga o "osso" para nenhum Doberman.
    Não estamos (estou) habitados a isso, sobretudo na net, onde um"post" é suposto ser isso mesmo: um palpite, ligeiro e curto.
    Peço-lhe que não se ofenda com a linguagem deste meu comentário, e desejo que assim continue por muito tempo: todos temos a ganhar com isso.


    Respeitoso cumprimentos


    Vasco Silveira

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  9. Va ao YouTube em francês, inglês e italiano e tem vários cientistas, inclusive com prémios Nobel, a falar-lhe sobre o vírus. 
    É um bom divertimento para uma noite de domingo de confinamento!

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  10. Não tenho qualquer opinião formada sobre o confinamento e os seus resultados. Acredito que seja a estratégia possível e aquela que melhor resultados trata. No entanto, tenho uma questão. O país está em confinamento parcial desde dia 16 de Março e em estado de emergência desde dia 19. Supondo que a generalidade das pessoas ficaram em casa ou lay off (parece consensual que 60 a 70%da população esteja em casa) e que o período de incubacao são os tais 15 dias, como se justifica que o número de novos casos se mantenha à volta dos 550 casos novos diários que se mantêm desde o início de Abril? Faz sentido que assim seja? Não deveria o número de novos casos descer mais abruptamente do que se está a verificar? 

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  11. Excelente pergunta!
    Talvez os novos casos  sejam os idosos... mas as estatísticas do SNS não fazem a discriminação dos novos casos por escalão etário, ou por origem (lares, empresas, "geral" ou desconhecida, ligações familiares, etc, nem mesmo por concelho. Suponho que deva ser informação sensível, questões de privacidade e mais não sei o quê...
    Talvez o período de incubamento possa, em percentagem significativa,  ser bastante superior a 15 dias (parece que uns casos detetados hoje (19 abril) na Madeira terão vindo por infeção em Lisboa antes de 15 de março...)


    Osvaldo Lucas

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  12. O número de casos conhecidos depende mais da política de testes que de outra coisa, Portugal já está numa curva descendente da infecção

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  13. O que se passou na China, não sei, duvido que alguém saiba.
    Genericamente, na China e em todo o lado, estou convencido de que a epidemia se tem desenvolvido livremente, comandada pelo vírus e não por nós

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  14. Concordo com o que diz, Vasco Silveira, sobre o HPS, que tem procurado saber, investigar e defender as suas posições  fundamentadas com solidez. E fá-lo assumindo com humildade, que esta não é a sua área de conhecimento.

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  15. Não está em curva alguma descendente. Continua numa curva ascendente, simplesmente mais lenta. Os casos que duplicavam a cada 2  e 10 dias, agora duplicam a cada 25 dias. 

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  16. Caro Henrique
    Acabei de ver uma entrevista a André Dias.
    Parece-me muito importante que quem estiver interessado veja essa entrevista. É preferível do que apresentar conclusões sem as justificações que ele dá.
    Pode-se discordar dele mas a argumentação deve fazer-se numa base científica, no campo da epidemiologia.
    A referência da entrevista é:
    https://www.youtube.com/watch?time_continue=33&v=BDQJw5FqgY4&feature=emb_logo (https://www.youtube.com/watch?time_continue=33&v=BDQJw5FqgY4&feature=emb_logo)

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