sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Que ferro, os factos

Uma das coisas que me separam dos meus amigos que se enternecem com uma rapariga de 16 anos que move o mundo é o facto de achar profundamente negativa, para o que temos de fazer seriamente, a visão catastrofista da forma como têm evoluído as questões ambientais e relacionadas com as alterações climáticas.


É falso que não se esteja a fazer nada. É perfeitamente razoável discutir se o que se tem feito é suficiente, discutir o que se pode fazer para responder à urgência em andar mais depressa, mas é absolutamente falsa a alegação de que ninguém faz nada e que os políticos são todos uns hipócritas vendidos aos interesses, uma alegação central para tudo o que vem por arrasto.


E quando tento demonstrar que esta alegação é falsa, uso essencialmente a informação destes dois gráficos.


emissões china.jpg


 


EsEsemissões USA.jpg


Estes gráficos, e bastante mais informação objectiva (por exemplo, os mesmos gráficos podem ser apresentados por capita, em vez de emissões totais) podem ser vistos aqui, para quem tiver dúvidas sobre eles.


O que é claro, a partir destes gráficos, é que as emissões estão a baixar nos Estados Unidos (o mesmo se passa na Europa). Não está nestes gráficos, mas é fácil verificar que esta diminuição de emissões não decorre de se produzir menos (o PIB tem crescido), mas sim de se ser mais eficiente no uso dos recursos.


O argumento habitual dos que acham que os problemas todos do mundo são da responsabilidade dos americanos, é que as emissões diminuem nos Estados Unidos e Europa porque exportámos a produção e a poluição para os países que exploramos.


Ora os gráficos têm duas linhas, uma com a medição das emissões na óptica da produção, e outra na óptica do consumo, sendo evidente que a linha do consumo tem valores um pouco mais altos que a da produção nos Estados Unidos e um pouco mais baixos na China, mas a tendência global não é determinada pela deslocalização da produção, é mesmo pelo aumento brutal do nível de vida em muitos dos países mais pobres, em especial China e Índia.


Greta Thundberg bem pode dizer que a minha geração lhe roubou a infância, que haverá milhões de outras crianças e adolescentes no mundo que, mesmo que o não saibam, beneficiaram muitíssimo do facto da percentagem da população mundial a viver em pobreza extrema ter diminuído de 42% em 1981 para menos de 10% em 2015.


Se não se tivesse feito mais nada, a minha geração, e as que as precederam, mereciam pelo menos o respeito por esta evolução extraordinária.


É verdade que isto foi conseguido à custa de pressões enormes sobre os valores naturais, que estamos perante um gravíssimo problema de perda de biodiversidade e perante um dramático desafio na gestão das alterações climáticas.


E é exactamente por isso, porque a situação é tão complexa e difícil, que não embarco facilmente em discursos de treta que nos desviam dos factos essenciais: é no mundo desenvolvido que estão a ocorrer as maiores transformações no sentido certo, feitas pelas pessoas, pelas empresas e, complementarmente, pelos Estados, como os gráficos acima demonstram claramente.

1 comentário:

  1. Ela é nova. Dê-lhe mais uns anos e fundará uma Igreja. Os fiéis já existem, apresentou-se o Messias, é tão certo como 2+2 serem 4.

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