quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Verificação de factos

O Observador tem hoje duas verificações de factos que são bem o retrato dessa nova actividade da imprensa que é a verificação de factos (eu tinha a ideia de que não era precisa uma secção para isso, tinha a ideia de que era mesmo só essa a actividade da imprensa, mas eu sei que estou muito desactualizado).


Numa dessas verificações de factos propõem-se verificar uma afirmação de Carlos Guimarães Pinto, a de que o país não cresce há vinte anos.


Qualquer criança sabe que o país cresceu qualquer coisa e sabe que o que é relevante na afirmação é o facto do país ter crescido tão pouco que é perfeitamente razoável dizer que está estagnado há vinte anos. Pois bem, para o Observador, que reconhece essa estagnação, a afirmação não é verdadeira porque realmente se cresceu qualquer coisa (menos de 1% ao ano, em média).


Na outra verificação de factos resolve verificar se Catarina Martins é verdadeira quando diz que os contribuintes injectaram 25 mil milhões de euros na banca. O Observador diz que realmente o valor é basicamente certo, refere que desses 25 mil milhões mais de 5 mil milhões foram devolvidos, que com estes financiamentos o Estado teve um retorno em juros de mais de mil milhões de euros e, mais relevante, a maior fatia dos cerca de 18 mil milhões que sobram, correspondem à nacionalização de bancos ou à capitalização da Caixa Geral de Depósitos (acima de 10 mil milhões). Ou seja, ao custo das soluções que o BE defende para não haver injecções de 25 mil milhões de euros dos contribuintes na banca. Os 25 mil milhões de euros dos contribuintes reduzem-se para menos de 8 mil milhões e o Observador conclui que a afirmação de Catarina Martins é esticada, mas basicamente certa.


Com uma imprensa assim, naquilo que é a sua actividade central, a verificação de factos, qual é o espanto de termos políticas de má qualidade, políticos de má qualidade e governos de má qualidade?

5 comentários:

  1. onde há argumentos não há factos

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  2. Excelente o programa de há uma semana atrás na Sic, em redor da patetice daquele reitor que quer abolir a carne de vaca das cantinas universitárias. Parabéns pela sua participação. Os restantes convidados também estiveram muito bem.

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  3. Silogismo eleitoral.

    O BE concorre a eleições tendo como premissa base num "programa eleitoral".
    O BE quer que votem BE para "evitar uma maioria do PS".
    O "programa eleitoral" do BE é "evitar uma maioria do PS".
    ...
    Realizadas que foram as eleições, qualquer que seja o resultado, o BE deixa de ter razão para existir ... além de ser a muleta do PS.
    Afinal, com uma Lei Eleitoral como esta ainda dá para ir votar em quê, em quem?.
    Num boneco, irresponsabilizável, ou numa pessoa, responsável.

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  4. Não é patetice nenhuma; é boa gestão dos limitados recursos financeiros da Universidade.
    Para quê gastar dinheiro em carne de vaca, se o frango, os carapaus ou o feijão são muito mais baratos?
    Os estudantes da Universidade, se exigem carne de vaca, que a paguem e comam em casa.

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  5. Não me parece que tenha sido esse o argumento utilizado pelo reitor.

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