quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Não há salvação

"Eduardo Cabrita, o ministro da Administração Interna, assegurou que “o dispositivo está preparado” e que “as ações de fiscalização e patrulhamento serão incentivadas nos próximos dias, além da fiscalização que cabe à GNR realizar”."


Não saímos disto.


Sim, é verdade que sendo as previsões o que são para amanhã, Sexta Sábado e Domingo, o que há a fazer é procurar a máxima eficácia do dispositivo de combate, aumentando a capacidade de análise do fogo e tirar da frente as pessoas que potencialmente serão afectadas.


Não sabemos o que serão estes dias, mas o que seguramente sabemos é que não é vigilância nenhuma que resolve o facto de uma ignição poder ser suficiente para dar origem a milhares de hectares de área ardida, nestas condições de acumulação de combustíveis e de meteorologia.


O que quer que seja que Eduardo Cabrita diga agora sobre o assunto não interessa rigorosamente nada, excepto para demonstrar que apesar de toda a evidência, o governo continua a falar do combate a fogos que estão para lá da capacidade de extinção uma boa parte do tempo e na repressão, para resolver um problema de economia. Não porque esteja convencido de que isso resolva o que quer que seja, mas para ter uma justificação política para o que acontecer: se a coisa correr bem, é porque fizemos tudo bem, se a coisa correr mal, foi apesar de termos feito tudo que o era possível.


Depois, passado o sufoco, lá se voltará ao mesmo até ao sufoco seguinte.


Mudar de políticas, mas mudar mesmo, com impacto real sobre a gestão de combustiveis, com decisões concretas para separar a missão de protecção civil da missão de combate ao fogo florestal, com profissionalização de grande parte do corpo de combate ao fogo florestal, isso é que não.


Não há salvação possível nestas circunstâncias.

1 comentário:

Quantos são? Quantos são?

Tenho cada vez menos paciência para o jornalismo (onde incluo o comentário, até porque está cada vez mais difícil separar notícia de opinião...