Aparentemente - é muito confusa a informação sobre a substância do que está em causa e a generalidade dos jornalistas estão mais empenhados no papel de confusionistas que no que lhes caberia - uma das questões centrais nas reivindicações dos camionistas resume-se ao facto de grande parte do seus ordenados lhes serem pagos como se não fossem ordenados.
A curto prazo, está é uma boa solução para trabalhadores e patrões, mas é muito complicado quando ficam doentes ou se reformam, porque as prestações sociais só atendem à parte sobre a qual caem os descontos, isto é, o tal ordenado base.
Ora é aqui que entra o papel do Estado, não apenas na greve dos camionistas, mas na vida quotidiana de milhares de trabalhadores e empresas: por cada euro que o trabalhador recebe, o patrão paga uns 30% a mais, e a diferença é metida ao bolso pelo Estado.
O que é diferente nos camionistas poderá ser o peso que os pagamentos extraordenados representam (mas não é caso único no mercado de trabalho, bem pelo contrário) e, sobretudo, a capacidade que têm de chantagear a sociedade para os patrões paguem mais ao Estado de maneira a aumentar a cobertura social dos trabalhadores.
Mas na substância há milhares de pessoas que formalmente têm um ordenado, mas que na verdade ganham muito mais de outras formas que sejam fiscalmente mais favoráveis, por exemplo, em pagamentos de quilómetros de deslocações, umas vezes de forma totalmente legal, outras vezes na franja de uma legalidade impossível de verificar.
Quanto maior for a diferença entre o pagamento líquido ao trabalhador e o custo do trabalho para o patrão, maior será o incentivo para que trabalhadores e empresas se empenhem numa optimização fiscal que permita pagar melhor, com menos custo para a empresa (a ideia de que as empresas têm interesse em pagar o mínimo possível, só não o fazendo por imposição legal, é uma ideia infantil de quem nunca geriu nenhuma empresa. Claro que há patrões que procedem assim, tal como há trabalhadores calões, maus governantes, comerciantes aldrabões e etc., mas a generalidade das empresas, sobretudo das que têm mais sucesso e dimensão, têm todo o interesse em pagar o melhor possível aos seus trabalhadores).
De todo este enquadramento resulta um custo de trabalho brutal para as empresas, uns ordenados miseráveis para os trabalhadores, uma burocracia interna às empresas, mas também do Estado, estratosférica e que rouba recursos que seria mais útil aplicar no desenvolvimento da empresa e na criação de riqueza.
A proposta da Iniciativa Liberal de taxar todos os rendimenos acima de 650 euros com uma taxa fixa, acabando com todas as excepções e não sujeição a imposto de rendimento, sejam eles quais forem e venham de onde vierem, tem sido criticada por supostamente ser socialmente injusta, mas é uma crítica que falha o alvo.
A enorme simplificação daqui decorrente, bem como o incentivo à melhoria de rendimentos, fariam bem mais pelo pagamento de salários decentes aos trabalhadores que o complicado, opaco e pesado sistema do Estado retirar agora quantidades brutais dos rendimentos dos factores de produção (trabalho e capital) para mais tarde os devolver através de um sistema ineficiente, injusto e muito aberto à fraude, como é o nosso sistema de segurança social.
Um bom contributo do Estado para resolver questões como as dos motoristas (e, de caminho, de todos os outros sectores com o mesmo tipo de problemas mas sem a mesma capacidade de sitiar o país) era reduzir a parte que reserva para si em todo este processo.
ResponderEliminar• As na zona fronteiriça perto de Espanha - foi a forma de privilegiar quem poderia vir a paralizar as estradas c/ Camiões em qualquer altura.
• - NÃO contavam era que os trabalhadores também quisessem receber algo... (Ago 2019)
> Típico do Socialismo: a mancomunação do compadrio da 'Nomenklatura' ou 'Vanguarda do Povo' com a Plutocracia...
Já se fez algum estudo sobre o impacto financeiro na segurança social que essa flat tax iria ter? Estou a falar de estudos, não de opiniões.
ResponderEliminarCompletamente de acordo.
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ResponderEliminarNão percebi. A taxa fixa diz respeito ao IRS
Dizendo respeito ao IRS, estamos a propor um agravamento da taxação nos rendimentos mais baixos e a desagravar nos mais altos. Em resumo, menos impostos arrecadados. Já há estudos sobre o impacto na qualidade dos serviços prestados pelo estado? Como estão é o que se vê. Com menos dinheiro, não é preciso ser adivinho.
ResponderEliminarjustamente, a unica coisa que retive das noticias, e que me basta para respeitar a luta dos motoristas, é exatamente essa : nao quererem receber por fora, e sim incluido na folha.
ResponderEliminarFaz v/ Exa consideraçoes pertinentes, portanto aceitaveis, ou simplesmente teoricas.
Como ser interesse das empresas pagar mais aos trabalhadores. Coisa que nunca foi assim, e agora muito menos , com o mais que abaixamento salarial, proprio de crises de desemprego, pois quando ao contrario, quando o trabalhador rareia, paga-se mais ao trabalhador da empresa do lado , para ele transitar, deixar a empresa que esta e entrar na nova que o contrata com um salario maior.
Bom exemplo, é hoje titulo no sapo : militares metem ferias para poderem ganhar bom dinheiro a apagar fogos.
E ao que é publico, no caso dos enfermeiros, parece que a empresa estado nao quer pagar mais, nem pagara mais, antes pelo contrario, excepto quando nao houver enfermeiros e tiver que contratar enfermeiros empregados.
E no caso dos medicos, tantos preferiram rescindir com o estado, continuando a prestar os mesmos serviços ao estado, mas como prestadores de serviços.
Parece nao vir ao caso, embora V/Exa tambem fale em fraude : qual é divida á segurança social dos recibos verdes ?
Agravamento da taxação de rendimentos mais baixos? Com isenção de taxação de rendimentos até 650, mais 200 por filho (400 no caso de família monoparental)? Faça lá a comparação com a situação actual e depois demonstre onde está o agravamento.
ResponderEliminarClaro que quem acha que o nível de imposto é irrelevante para as decisões de agentes económicos acha que há imediatamente diminuição de imposto arrecadado (o que, em si, é bom, não é mau, mas adiante) sem contar com o efeito económico dos agentes económicos poderem dispor de mais dinheiro.
De resto, a qualidade dos serviços do Estado tem muito mais relação com a qualidade da gestão que com os recursos disponíveis: as escolas de contrato prestavam melhores serviços por menos dinheiro, como muitos agentes privados têm conseguido poupar dinheiro ao Estado prestando serviços equivalentes.
As escolas de contrato concorriam com as escolas públicas da sua zona à conta do cheque que recebiam do estado. Acabou-se o cheque, começaram a fechar. É interessante ver os liberais tugas a defenderem a iniciativa privada desde que haja rendas garantidas do estado. Como dizia o outro, com as calças do meu pai também eu sou homem.
ResponderEliminarConcordo perfeitamente com esta opinião.
ResponderEliminarSe a minha voz fosse ouvida este problema ja estava resolvido de forma muito facil.
Existe um grande diz que disse e ninguem sabe realmente a verdade desafiava o sindicato, a antram e o governo para realizar essas negociações a porta aberta para que na realidade todos sabermos quem afinal esta a mentir.
A min parece-me que o governo não esta interessado que uma classe tenha poder negocial para mudar o seu nivel de vencimento dado que isso da a imagem internacional que o governo não esta no comando tirando assim protagonismo ao nosso super das finanças.
De acordo com as noticias que tenho visto varis sindicatos tentaram contatar o Sr Pardal mas nenhum teve a coragem de se aliar a grve dos motoristas, se o tivessem feito talvez alguma coisa mudasse.
Infelizmente e com grande tristeza o nosso povo não é unido na defesa dos seu direitos existe formas de luta bem mais eficientes do que greves deste tipo.
Bastava 1 semana que todos os portugueses limitassem as suas compras ao minimo essencial. E queriam ver todo o governo a entrar em panico. Ai sim via-se o poder do povo.
Amigo o problema não e o impacto do quer que seja.
ResponderEliminarO problema não é a falta de dinheiro ou sequer recursos, o problema é a ineficiencia dos serviços, a carga burocrática e a não aplicação dos dinheiros publicos onde efetivamente fazem falta.
Por exemplo se o ACT saísse da secretaria e fosse para o terreno muitos problemas ja estavam resolvidos.
Vou dar um exemplo o governo disponibiliza dinheiro para se realizar uma obra, mas depois não fiscaliza se esta foi efectivamente feita bem feita de forma eficiente, real e se serve efetivamente os interesses do povo.
ResponderEliminarEstá a confundir rendas com prestações de serviços. O que essas escolas faziam era prestar um serviço melhor por menos dinheiro para o contribuinte, mas como o Estado não gosta da concorrência leal, em vez de fechar a pior escola e mais cara, resolve fechar a melhor e mais barata.
Isto não tem nenhuma relação com o pagamento de rendas.
Tem lá agora a ver...
ResponderEliminarEssa do serviço ser melhor só se foi a acumular lingotes de ouro no jacuzzi.
ResponderEliminarSe vamos falar de fraudes, podemos falar da parque escolar? É que o problema das fraudes no grupo GPS decorre de um Estado negligente e capturado por interesses privados.
Agora se quer falar de escolas sem fraudes, pergunte a qualquer pessoa em Santa Maria de Lamas ou Cernache.
Se quer falar de fraudes, fale das que estão ou estiveram com processo na justiça.
ResponderEliminarA iniciativa privada tuga é boa a contar com a ajudas do estado. Lá dizia o outro, com a calças do meu pai...
O Henrique faz neste post confusão entre impostos (IRS) sobre os salários e contribuições para a Segurança Social.
ResponderEliminarA proposta da Iniciativa Liberal de uma taxa fixa ("plana") sobre os rendimentos refere-se apenas aos impostos (ao IRS). Não se refere (que eu saiba) às contribuições para a Segurança Social, que continuariam a ser proporcionais ao salário declarado.
É evidente que as contribuições para a Segurança Social têm que ser proporcionais ao salário, dado que aquilo que a Segurança Social fornece ao trabalhador (em caso de doença, gravidez, reforma, etc) também é proporcional ao salário.