segunda-feira, 24 de junho de 2019

O jornalismo de qualidade merece ser apoiado

Várias pessoas mandaram-me mensagens sobre uma notícia do Público, penso que de hoje (isto de andar em fusos horários diferentes baralha-me).


O lead (acho que é assim que se chama) da notícia diz ""Vários proprietários têm-se queixado de estragos feitos em pomares e terrenos por “cabras sapadoras”. O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, responsável pelo projecto-piloto, diz não ter “conhecimento de prejuízos causados”."


E o leitor, que quer apoiar o jornalismo de qualidade, pergunta-se a si próprio: e as jornalistas, o que pensam? Vários proprietários (cinco, pelas notícias) e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, dizem o que sabem sobre o assunto, e as jornalistas (Carla Nunes, que escreve, Rita Ferreira, que edita), o que viram?


É que o comentário de Luis Fontinha (por sinal a tentar contactar o Público, sem sucesso, para pedir que corrijam o que escreveram porque acha que isso o prejudica, na medida em que tem interesse directo no desenvolvimento do uso de cabras para a gestão de combustíveis) fala de outras realidades: "nao foram cabras porque elas nao existem neste local!! Nao ha la rebanho nenhum e muito menos de sapadoras do icnf, os locais chamam cabras do mato aos corços e tem tido problemas ai longo dos anos com eles, esta noticia e falsa e infundada e prejudicial as cabras sapadoras".


De facto, mal li uma das descrições, na sítio em que eram, pensei imediatamente nos veados e corços que por ali existem, mas não fui lá, não verifiquei os factos, não pedi a fontes crediveis que me sustentassem o que dizem, não foi perguntar a várias outras fontes para cruzar informações, não perguntei aos cinco proprietários de quem eram as cabras para poder falar com o dono, enfim, minudências e manias que tenho há muito tempo, de maneira que não tinha intenção de escrever nada sobre o assunto.


Eu acho que é inevitável haver conflitos entre pastorícia e agricultura, tal como é inevitável haver acidentes quando existem carros e estradas, tal como é inevitável haver erros médicos quando há médicos, de maneira que nem sei bem onde está a notícia, tal como é apresentada.


O que acho evitável é o Público apresentar uma janela a dizer-me que o jornalismo de qualidade merece ser apoiado, e depois servir-me uma notícia destas para me explicar por que razão o Público tem dificuldade em vender jornais e não merece ser apoiado, se for este o seu padrão de produção de notícias.

8 comentários:

  1. O Henrique faz exigências irracionais aos jornalistas.
    Os jornalistas reportam pontos de vista. Não é função deles, em todos os casos que lhes aparecem, armarem-se em detetives, ou inspetores da Judiciária, à cata de todos os factos.
    Se o Henrique quer ficar a saber a verdade, toda a verdade, e só a verdade, vá investigar, por sua conta e a suas expensas. Os jornalistas fazem-no nalguns, poucos casos, mas não têm a obrigação de o fazer.

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  2. é inevitável haver conflitos entre pastorícia e agricultura, de maneira que nem sei bem onde está a notícia, tal como é apresentada

    É claro que há conflitos. A questão é se as partes envolvidas estão ou não estão a fazer os possíveis para evitar os conflitos. A notícia é que talvez não estejam.

    Os rebanhos de cabras são supostos ser acompanhados por um cabreiro, que evita que elas vão para certos terrenos. Também, os agricultores com plantas jovens são supostos proteger essas plantas. De corços selvagens e de cabras domésticas.

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  3. Mas eu também vi cabras sapadoras a destruir os pomares e tudo o que aparecia à frente, mesmo florinhas…
    Não me digam que não vão parar os fogos!

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  4. Eu não faço exigências irracionais: se os jornais servem para o que o Luis diz, não me interessam, diz que disse não justifica o dinheiro que custam.
    Em qualquer caso, não sou o único a achar que a imprensa deveria reportar factos.

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  5. Um dia destes enviei um mail para um jornal nacional apontando quatro erros só num pequeno parágrafo de meia dúzia de linhas. Responderam-me que a pressão de colocar notícias online nem sempre dá tempo para verificar tudo. No fundo limitaram-se a reproduzir uma notícia da LUSA que por si, já se tinha baseado num jornal local. Não refutaram nenhum dos erros que apontei.

    A notícia era relativamente pertinente e visava uma instituição pública como esta visa o programa das cabras sapadoras.
    Esta notícia até coloca alguém a colocar um ramo de pseudotsuga na boca de um cabrito como se eles comessem ramos de resinosas. Era preciso estarem a morrer de fome para tal, digo eu.

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  6. o mal do ex-mundo rural é ter  levado um pontapé 'nas partes'

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  7. Cabrito e cabra sapadora com fome, até cardos come...
    Hoje em dia aparece de tudo !

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  8. Mas comem que as minhas “malditas sapadoras” tem nas podadas por baixo inclusive caruma de pinheiro verde e umas folhas de eucalipto esporadicamente 

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