sábado, 22 de junho de 2019

Lentamente, mas muito lentamente, o petroleiro vai corrigindo o rumo

Vi hoje esta notícia, sobre o facto do Fundo Florestal Permanente ir apoiar a Resipinus, a associação que junta os principais agentes ligados à resinagem.


Antes, o governo já tinha decidido, e depois alargado, algum apoio ao pastoreio que presta serviços de gestão de combustível.


Antes, o governo já tinha lançado um programa de fogo controlado, excessivamente ambicioso e com regras que eu acharia melhor redefinir, mas que reconhecem a utilidade social do fogo controlado.


Antes, o governo já tinha dado alguns passos tímidos para ter uma estrutura mais profissional de combate aos fogos.


Tudo isto me parecem boas medidas, tenho-as defendido anos seguidos, mas não será por as ter defendido que elas acabaram por ir entrando, pé ante pé, nas opções do governo, é mesmo porque a realidade tenderá a impôr-se.


Claro que tudo isto me parece escasso, por vezes mal desenhado, mas não tenho a certeza de que se tivesse de ser eu a tomar as decisões as coisas seriam muito diferentes: a política é a arte do possível, e pode ser que não se consiga ir mais longe, como defendo.


Mas é tão raro ter oportunidade para dizer bem de medidas neste sector que, mesmo correndo o risco de estar a apoiar medidas que no concreto são asneiras (não conheço os pormenores, e é nos pormenores que estas coisas se costumam complicar), não gostaria de deixar de passar em branco o essencial: o governo, em especial o que está mais ligado à gestão florestal, está claramente a tentar mudar de agulha em matéria de fogos e gestão florestal, aleluia.


É pena a parte do governo que tem a protecção civil e o combate estar aparentemente, sempre a atrapalhar, mas enfim, é uma questão de tempo até um dia se renderem às evidências.


Confesso que me incomodam mais as parvoíces do movimento ambientalista, de que faço parte (uma parte minoritária, é certo, mas uma parte) que repete o mesmo discurso sobre o assunto desde o anos 80 e a cobertura que a imprensa continua a dar ao reaccionarismo dominante quer no movimento ambientalista, quer no extenso movimento social associado à protecção civil, quer ainda aos autênticos delírios dos dirigentes duns e doutros.


Mas o essencial mantém-se: a água mole, em pedra dura, lá vai dando os seus resultados.

3 comentários:

  1. é só para inglês ver
    porque o mundo rural
    já foi para o maneta

    ResponderEliminar

  2. A não ser que os resineiros façam parte da Associação voluntária de bombeiros da terra não os estou a ver a apagar incêndios.
    Há uma parte pertinente na questão de subsidiar indirectamente a resinagem que a mim não me choca e que era o que eles queriam, à conta de "andarem a guardar" os pinhais.
    Isto para mim é mais distribuir dinheiro em ano de eleições.

    ResponderEliminar

  3. Os fogos resolvem-se antes de se necessário apaga-los.
    Custa-me ver que a ideia de que os fogos são uma questão de os apagar ainda tenha tantos apoiantes, depois do que tem acontecido.

    ResponderEliminar

Um retrato cheio de história

O quadro que reproduzo neste artigo é um retrato a carvão de Dom Duarte Nuno de Bragança, desenhado pela minha bisavó, Valentina da Silva L...