quinta-feira, 18 de abril de 2019

O jornalismo e Catarina Martins

Que Catarina Martins diga que "A greve dos motoristas de mercadorias perigosas, como outras que estão em curso, são o reflexo da deterioração da negociação colectiva imposta no tempo da troika", uma versão pouco sintética do "a culpa é do Passos", é normalíssimo e reflecte a infantilidade habitual do discurso do Bloco de Esquerda (bem ilustrado no famoso "que chova" para comentar incêndios em que morreram pessoas, também da autoria de Catarina Martins).


O que é inquietante é que Catarina Martins pode dizer isto para segurar os seus 10% do eleitorado, e não haja um único jornalista que lhe pergunte para que serve votar no Bloco se no fim da legislatura ainda se atiram responsabilidades para o governo anterior a propósito da gestão dos problemas causados por uma greve.


Dizer o que é transcrito acima é o mesmo que dizer que o Bloco apoia um governo a troco de coisa nenhuma, a julgar pela incapacidade para influenciar uma gestão minimamente segura dos efeitos de uma greve.


O que é inquietante é que isto se passa permanentemente com o Bloco, como no caso da deputada Mariana Mortágua, confessadamente enganada pelo governo que apoia, que continuou a apoiar depois de ter sido enganada, e cujas cativações que a enganaram continuaram a ser usadas para a enganar, sem que haja jornalistas que lhe perguntem por que razão apoia um governo que a engana e que a continua a enganar e como é que confia num governo que a engana e continua a enganar.


É o jornalismo que é o problema, não é o Bloco, que é uma espécie de jardim infantil político para tomar conta de 10% do eleitorado que acha que "é triste ser-se crescido e ter responsabilidades", como diria o Carlos Tê

3 comentários:

  1. Há dois dias, Mário Centeno em prime time voltou a insistir com sorriso de borracha na aposta no investimento do seu governo. Fê-lo em frente do apresentador e do Papa Tavares como faz com a dívida indexada a uma variável e adiada para outros pagarem, com festa para adiantamentos pontuais que calham de ocorrer no calendário eleitoral. E nada! Nada! O que mais preocupou foi a taxa de impostos da classe dos jornalistas! Isto sim, é serviço público. Nem sei por que razão de razão há-de haver Tempo de Antena, nem o que justifica o Vale e Azevedo não ter também ele um seu cantinho ao lado do Sócrates e do Vara, com emissão a partir da reclusão.

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  2. Mas ainda há alguém que leve a sério a prostituída "comunicação social" da paróquia?!
    Talvez , e somente,  os sub-produtos da não menos prostituída "educação" oficial do Regime...




    JSP

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  3. Nem sei como há ainda quem leve o BE a sério. Um partido que vota a favor duma lei de manhã e vai para as televisões à tarde protestar contra a mesmíssima lei que aprovou merece 0%.

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Quantos são? Quantos são?

Tenho cada vez menos paciência para o jornalismo (onde incluo o comentário, até porque está cada vez mais difícil separar notícia de opinião...