sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Relativismos tíbios

  

Na voragem da discussão sobre o casamento ente homossexuais, desgosta-me especialmente a indignação duma certa direita moderninha ou complexada que por aí anda contrafeita, perorando entre dentes contra o governo, que “cada um case com quem quiser” e que "Portugal tem outras prioridades". Esta gente não percebe como os seus argumentos são fracos e acabam dando razão àqueles para quem as suas convicções são prioritárias e as quer levar a bom termo. Na minha opinião, como é bom de ver, concebo o casamento como uma instituição fundadora da família baseada na complementaridade masculino/feminino que possibilita a geração de vida. É fundamentalmente por isto que eu acho um disparate o casamento gay e ainda ninguém me bateu por isso nem perdi o emprego.

3 comentários:

  1. "casamento como uma instituição fundadora da família" . Sem duvida, concordo.

    Casamento gay, será igualmente Legitimo num idear de família, como numa união hetro.

    Bom fim de semana!

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  2. Com a história de não poderem optar, está aberta mais uma interminável discussão da treta. Agora, o Código Civil vai ter de ser alterado.

    Entretanto, constitucionalistas consagrados (vários) já afirmaram que o casamento de homossexuais é inconstitucional.

    Ou seja, temos pano para mangas.

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  3. Nem o casamento é fundador da família (houve famílias muito antes de haver casamento, há casamentos que não produzem nem afectiva nem genealogicamente família e há famílias que se formam sem haver casamento) nem a família se baseia apenas (embora muitíssimo maioritariamente) na complementariedade masculino/feminino que possibilita a geração de vida, o que quer que isso queira dizer (a ideia de complementariedade sexual existe entre homo e heterossexuais; os papéis masculinos/femininos, papel do marido/papel da mulher, papel do pai/papel da mãe, lugar do pai/lugar da mãe na casa e no seio da família não são dados definidos a priori nem iguais em todas as famílias nem em todas as culturas; a geração de vida não é necessária nem obrigada pelo casamento - acontece fora do casamento e dentro do casamento; não acontece porque há casamento - não é porque alguém casa que se torna mais fértil). É livre de pensar 'o casamento como uma instituição fundadora da família baseada na complementaridade masculino/feminino que possibilita a geração de vida'. Mas pode haver pessoas que pensem de modo diferente, Querer alguém impor essa visão a essas pessoas é que não me parece correcto. O facto de os homossexuais casarem não impede que quem pensa como o João, legitimamente, continue a casar e a pôr em prática o seu pensamento sobre o casamento, o que estará correcto; já a proibição do casamento homossexual impede que quem pensa de modo diferente possa ter essa mesma liberdade de casar e de pôr em causa o seu pensamento. Não creio que os homossexuais queiram impor nada aos heterossexuais que os leve a mudar nada. Os homossexuais querem apenas que os deixem ser plenamente aquilo que, feliz ou infelizmente, são.

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