A respeito deste meu texto sobre o mais que previsível pico na nossa endémica crise, o Bruno Alves dedicou-me há alguns dias n’O Insurgente algumas apreciações menos simpáticas, que eu encaixo com o necessário fair play. Sou o primeiro a admitir que as minhas palavras padecem de um inevitável wishful thinking patriótico: talvez isto não seja aceitável pelas forças alimentadas pelo sistema, mas eu suspeito que todos os poços têm um fundo onde já não há maçãs, e acredito que pela sobrevivência se reúnem vontades.
Já me parece abusivo o Bruno afirmar que “a alma portuguesa” que eu reclamo urgente recobrar esteja reflectida nos 2.077.695 votos no partido socialista nas últimas legislativas. Quanto muito, o adormecimento da “alma” reflecte-se na abstenção e indiferença reinantes.
De resto não sou ingénuo para acreditar em mudanças radicais, mas creio em autênticas “correcções”, que surgem inevitáveis em determinados momentos e que não coincidem necessariamente com revoluções – antes pelo contrário. Se eu estiver enganado, então parece-me que não estamos aqui a fazer nada, nem o Bruno nem eu.
Já lá dizia o Dias da Cunha: a culpa é do sistema.
ResponderEliminarretenho a parte em que é preciso afirmar a alma portuguesa...
ResponderEliminarEu ia mais longe, é preciso ressuscitar a alma portuguesa, que não me parece estar em nenhum dos actuais partidos portugueses.