quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A Fuga Ao Segredo De Justiça que merecemos

A nossa proverbial Fuga ao Segredo de Justiça (FASDJ) verdadeiramente não tem qualidade nenhuma. Tome-se como exemplo o Caso das Sucatas: além de lhe faltar bom gosto e rasgo, não possui qualquer propósito filosófico ou estético: redunda com demasiada facilidade numa vulgar deprimente novela, enfadonha e com final previsível, donde nunca nada de decisivo resulta. O mordomo é que levará com as culpas.  


Já a conversa ao telemóvel entre Sócrates e Vara suspeito daria uma FASDJ de grande espectacularidade e inegável valor higiénico-patriótico, digna de um país do outro Mundo. Então, não haverá por aí um patriótico artista que, entre os corredores da judiciária de Aveiro, as gavetas fundas dos procuradores (e porque não do Supremo), que divulgue a gravação, mesmo que em curtos episódios? Não haverá uma alma generosa que liberte todo um país suspenso nas imaginativas congeminações de cada cidadão? Para que não seja por falta de meios, desde já ofereço os meus serviços e um blogue: em favor da higiene, tudo pela pátria.

3 comentários:

  1. Haver, há! Mas tem mesmo de ser um dossiê secreto entregue anonimamente em endereço que ninguém conhece e se possível a um impoluto homem de negócios, subitamente enriquecido e só por acaso presidente de um clube do regime que é antro de mafia e tráfico de influências não denunciadas nem perseguidas criminalmente.

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  2. Pergunta ingénua: o que quer realmente dizer?

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  3. O descaramento a que temos direito11 de novembro de 2009 às 11:27

    Não foi uma conversa, foram várias.

    E é preciso descaramento para o licenciado ao domingo vir declarar que se tratou de conversas de amigos, do género «Então e a família, está tudo bem? Temos de combinar virem jantar cá a casa, já há que tempos não conversamos, e o meu mais novo praticamente só o viste quando nasceu. E que dizes do nosso Benfica?» (etc etc)

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