quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Histórias mal contadas (3)

Este é o post sobre mim, a minha casa e o meu prédio.


Comecemos pela idiotice de se afirmar que esta é a maior crise da habitação que já houve: há problemas de habitação sim, mas estão longe de ser os piores que o país já teve.


Para não recuar ao tempo em que grande parte das habitações eram autênticos pardieiros (quer nos campos, quer nas cidades, é olhar para as ilhas do Porto, se alguém tiver dúvidas), e para não prolongar essa discussão sobre a dimensão das crises da habitação, basta lembrar os inúmeros bairros de barracas que existiam à volta das áreas metropolitanas, ao contrário do que acontece hoje.


Aos que reclamam que não conseguem pagar um quarto isolado, eu responderia que vivi em casa do meu sogro até à terceira filha. Ou melhor, a minha mulher viveu, porque eu ora estava, ora trabalhava a 400 kms, numa altura em que não havia auto-estradas, nem eu tinha dinheiro para andar a fazer quilómetros de carro, viajava de noite nos autocarros que havia e cujo bilhete eu podia pagar.


Note-se, não me estou a queixar, estou simplesmente a descrever a vida de uma pessoa da classe média com formação superior e uma rede social extensa e qualificada.


Na minha vida, cheguei tarde a Lisboa (onde tinha vivido intermitentemente).


Quando a minha mulher decidiu mudar para Lisboa, com os quatro adolescentes que viviam lá em casa, foi em grande parte porque teríamos o problema da casa resolvido: o meu sogro tinha voltado às origens depois de se reformar, a minha cunhada tinha anunciado que se iriam mudar para uma casa que tinham comprado, logo a casa do meu sogro estaria livre.


Com tudo tratado e em marcha, a minha cunhada anuncia que se vai divorciar e afinal fica na casa do meu sogro, o que nos obrigou a começar a procurar casa, numa Lisboa em que começavam a aparecer casas para alugar, depois da alteração legislativa que acabava com o regime de congelamento para os contratos novos.


Até essa altura, pura e simplesmente não havia casas para alugar no país, ou se comprava casa, ou se entrava num esquema manhoso, ou se ia viver para as barracas.


Ocupações sem qualquer contrato nem protecção jurídica de parte a parte, com pagamentos altos, o que só acontecia dentro das classes média e alta, em que havia casas no património, desde que senhorio e inquilino se conhecessem o suficiente para ter confiança um no outro.


Pagamentos pela chave, isto é, um contrato de arrendamento, com renda evidentemente alta já a prever a desvalorização futura, mas com um pagamento de vários milhares de euros por fora, quer em dinheiro, quer em obras de reabilitação da casa, e isenção de qualquer responsabilidade do senhorio em obras de conservação futuras, o que mais uma vez só era possível havendo relações de confiança, isto é, dentro das classes média e alta.


Na altura havia, inclusivamente, um negócio manhoso em que alguém publicitava a disponibilidade de uma casa, cobrava um valor baixo por cada visita, mas a casa nunca era alugada a ninguém.


Quando vim para Lisboa a lei tinha mudado, as rendas para os novos contratos eram mais ou menos livres e, sobretudo, o contrato passava a ser de cinco anos e deixava de ser para a vida (antes não era para a vida, era eterno porque os herdeiros que viviam na mesma casa que os titulares dos contratos também herdavam o contrato).


Foi assim que vim parar a uma casa e um prédio que estava manifestamente acima das minhas possibilidades (a taxa de esforço andava pelos 50%, e chegou a ser mais, ainda hoje, no fim de um empréstimo de que falarei abaixo, continua muito próximo de uma taxa de esforço de 30%), mas também é verdade que todas as casas que vi na altura, para arrendar, estavam acima das minhas possibilidades, talvez um bocadinho menos que esta.


Este prédio tinha uma situação singular, não estava em propriedade horizontal e pertencia a um dos maiores capitalistas do país, de maneira que, mesmo com rendas ao preço dos anos 50 do século passado (ainda hoje há quem tenha um contrato dessa altura e ocupe a casa, ao preço da renda dessa altura, com os ligeiros acertos que a lei passou a permitir quando foi mudado o regime de arrendamento), era um prédio cuidado, cuja gestão manifestamente dava prejuízo ao seu dono (embora fosse património em constante valorização).


Numa das actualizações anuais, como a base da minha renda era altíssima - para se ter uma ideia, eu pagava uma renda cerca de dez vezes mais alta que a da minha vizinha de cima, que seguramente é dez vezes mais rica que eu, com o precedente do processo das alterações climáticas, ainda alguém se lembra de se queixar ao Tribunal dos Direitos Humanos, argumentando que o actual regime de arrendamente em Portugal é claramente discriminatório em função da idade - mesmo com a actualização ao nível da inflação, fiquei em situação de não conseguir pagar a renda.


Fui falar  com os gestores da empresa imobiliária do grupo desse tal empresário, tentando argumentar que não fazia sentido aumentar a renda, eu ir-me embora, eles terem de perder meses de aluguer com a casa vazia, fazer algumas obras, para acabar a receber pouco mais que o já recebiam.


Responderam-me que eram uma empresa de um grupo cotado na bolsa, que dependia também de investidores exteriores ao grupo, e que não podiam deixar de aumentar a renda no limite legalmente permitido, mas que estavam a tratar de passar o prédio para propriedade horizontal e depois o vender, num esforço de capitalização do grupo, e que avaliasse se não seria melhor aguentar e comprar a casa por um preço que acabaria por ficar ligeiramente abaixo do mercado (pelo menos as comissões de vendedores e etc., não existiriam).


Sendo o inquilino mais moderno do prédio, o único, na altura, com um contrato moderno, acabei por fazer das tripas coração, pedi dinheiro emprestado aqui e ali, e meti-me na compra da casa, com um prestação mensal que, embora tivesse um bom spread, era pornográfica, implicando uma taxa de esforço bem acima dos 50%.


Aos outros inquilinos, do tempo da Maria Cachucha, as casas foram propostas, bastante tempo depois, a preços que andavam por metade do que eu paguei, havendo mesmo assim vários inquilinos que preferiram não comprar as casas e ficar com os arrendamentos antigos.


Esqueçamos a ilegítima transferência de riqueza do proprietário para os inquilinos que tudo isto representa e verifiquemos o que se passa no prédio em resultado de toda esta história e de uma regulamentação absurda das rendas, que o governo em vez de procurar resolver, procura prolongar no que tem de absurda.


Num dos andares há o que o meu filho chama, ironicamente, uma casa de meninas: as herdeiras de um dos inquilinos, ao que dizem um oficial do Copcon que ocupou a casa no PREC, arrombando a porta, instalando-se e nunca mais saindo da casa, negociando depois um contrato de arrendamento favorável, compraram a casa e alugam o andar a estudantes estrangeiras, não sei a que preços, mas pela rotação das inquilinas, calculo que seja alto.


Dois ou três andares são ocupados por pessoas como eu, que compraram para casa própria.


Mais alguns estão arrendados a brasileiros, franceses e americanos, a preços que desconheço mas que sei que são salgados. Os donos, ou são herdeiros de antigos inquilinos que compraram a casa a preços de saldo, ou foram aparecendo à medida que os inquilinos antigos vão morrendo, o que evidentemente vai acontecendo.


E restam ainda alguns dos antigos inquilinos de rendas baixas.


Tão baixas que a casa por cima de mim está vazia porque a inquilina, que não tem qualquer dificuldade económica, tem uma casa não muito longe, achou que estava melhor num lar próximo e passa por aqui de vez em quando para ver como está a casa e tratar de alguma coisa que queira (com grande gosto meu, que gosto de conversar com ela). A renda é tão baixa que ela é suficientemente rica para a manter só porque sim e a lei a protege porque tem alguma idade.


O andar de baixo também está vago há algum tempo, e vai continuar fora do mercado, durante meses, enquanto o dono do prédio não consegue resolver o litígio com a família do último inquilino. Vale a pena contar a história: o contrato original está em nome da mãe do último inquilino, que teria mais de cento e trinta anos, se fosse viva. O filho sempre viveu nesta casa, herdou o contrato, mas para o fim da vida (morreu há semanas, para pena minha, que era óptima pessoa) tinha problemas de dinheiro e não pagava a renda. O dono deixou arrastar a situação por consideração pelas dezenas de anos em que o inquilino ocupava a casa e pela sua idade, mas entrou com um processo de despejo, que não consegue resolver rapidamente, mesmo tendo o senhor morrido entretanto (o contrato está em nome da mãe, o que complica a demonstração de que a senhora morreu: apesar de não haver ninguém em Portugal com mais de cento e trinta anos, a administração pública parece que considera o argumento fraco, só tendo a certidão de nascimento e sem certidão de óbito).


Dificultar despejos não defende os inquilinos, apenas cria ineficiência no mercado (só no meu prédio, em 12 casas, 2 estão vazias) e diferencia inquilinos: os que de alguma forma, mesmo que ilegal, ocupam hoje uma casa, podem contar com os longos tempos necessários para os despejar, os outros, todos os outros que procuram casa e as querem ocupar de forma legal e justa, não o conseguem fazer porque os senhorios não têm confiança suficiente para pôr as casas no mercado.


Esta questão da confiança dos donos das casas para as pôr no mercado de arrendamento, e como isso resulta em reprodução social, prejudicando os mais pobres e frágeis, fica para outro dia.


Resumindo, não é verdade que esta seja a maior crise da habitação que houve em Portugal, não é verdade que este seja um problema que afecta, de forma generalizada a população, e não é verdade que desequilibrando ainda mais as garantias para o lado dos inquilinos, deixando desprotegido o direito constitucional (e, já agora, direito consagrado na carta dos direitos humanos) à propriedade e seu usufruto, se contribua para um maior acesso à habitação por parte de quem procura casa agora.


Se percebo a irracionalidade de actuação de muitos dos que se sentem encurralados com a situação actual no sector da habitação (e há, e são muitos), não entendo de todo como é possível que o jornalismo esteja militantemente a evitar que os factos influenciem as ideias que todos os dias vendem sobre esta matéria.

22 comentários:

  1. jornalismo ideológico da poderosa e despudorada esquerda

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  2. Artigo muito chato, com muita confusão e comparações sem sentido, e uma longa tentativa de justificar os seus traumas pessoais, e dos quais os Portugueses não têm culpa nem querem saber.


    Vamos então ao que interessa, não existe falta de habitação no País como falsamente se sugere na comunicação social e redes sociais Portuguesas, e as rendas não sobem nem baixam por causa disso. 


    Os preços dos arrendamentos de imóveis construídos para habitação e outros também não sobem por causa do “aumento da procura” ou do “mercado de arrendamento” (que nem sequer existe), nem por causa da inflação, é mentira, nem tão pouco por causa dos Estrangeiros que estão a ser deslocados para Portugal mas sim devido à chamada “lei das rendas” que liberalizou e desregulou as rendas dos imóveis fazendo com que estas atinjam valores que não correspondem à realidade, o objectivo, é tornar impossível o arrendamento permitindo assim aos proprietários criminosos de imóveis construídos para habitação colocá-los na modalidade de alojamento local, turístico, temporário, ou de curta duração, o que é, realce-se, proibido por Lei. 


    Para resolver a crise na habitação, basta revogar a chamada “lei das rendas” criada pela ex-Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Maria Graça, e fazer cumprir a Lei que determina que os imóveis construídos para habitação não podem ser colocados para alojamento local, turístico, temporário, ou de curta duração, e assim acaba-se com o esquema.

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  3. o jornalismo esteja militantemente a evitar que os factos influenciem as ideias que todos os dias vendem sobre esta matéria
    Infelizmente, na CS de maior audiência impera o que dá mais leitores/espetadores e o politicamente correto, além de não quererem ser apelidados de insensíveis

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  4. Não sei a que período ou década se refere, mas no meu caso pessoal posso avançar 2 pontos: os meus pais sempre viveram em apartamentos alugados em Lisboa, e no bairro onde morava, grande parte era arrendado, raras eram as casas próprias. Até porque acesso a crédito bancario era mais difícil (quantos recebiam de envelope, e nem conta no banco tinham), por isso comprar casa não era o que é hoje.
    Quando regressei a Lisboa em finais de 90, descobri que havia "muitos" apartamentos para alugar, mas em tipologias maiores T2/3. Alugar um T0 ou T1 (que eram raros), só por preços absurdos, e não nem eram em zonas a atirar para a elite. Ou seja, um casal com filhos, assumindo dois salários, teria mais facilidade em alugar que um indivíduo sozinho.

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  5. Se bem percebo a sua ideia, os filhos dão lucro, não dão despesa, é isso?

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  6. Duma perspectiva racional e objectiva o problema da habitação é igual ao do SNS, ao da Justiça e ao da Educação.
    O Estado não quer pagar. O problema é sempre o dinheiro. O Estado quer usar o dinheiro dos outros para resolver as embrulhadas em que se vai metendo, ao longo dos anos, com a sua incompetência e ineficiência.
    Se o Estado quer ter médicos em número suficiente no SNS tem de lhe pagar, no mínimo, o que o privado paga.
    Na Justiça pode começar para já a resolver o problema dos oficiais de justiça e outras situações de natureza mais corporativa.
    Na Educação também o problema é dinheiro. Professores ostensivamente desconsiderados (uma qualquer malapata que o PM tem com a classe). Professores com tempo de serviço congelado. Professores com condições miseráveis quando deslocados. Ninguém hoje no seu perfeito juízo quer tal profissão. Solução avançada pelos burocratas do ME: baixar os critérios de acesso à carreira. Promover a mediocridade...! Quanto mais tansos houver, melhor singram os 'espertos' da política.
    Na habitação o governo quer resolver o problema com as casas dos outros (as tais ditas devolutas). As milhares, de que é proprietário por esse país fora não contam.
    É sempre o dinheiro dos outros que tem de avançar! Qual o senhorio que está desejoso de pôr um apartamento no mercado de arrendamento quando tem de entregar ao Estado 28% em sede de IRS pela renda recebida. Baixem o imposto! E mais o condomínio. E mais o seguro do imóvel. E outras despesas de manutenção. Compensa?
    O problema é sempre o dinheiro. O dos outros que avance...
    Não me venham falar em contas certas. Um Estado que constrói uma dívida pública de 280 mil milhões e que continua a ir aos mercados quase mensalmente não é de contas certas.
    As contas certas é 'conversa para boi dormir'. As contas certas servem para haver dinheiro para enterrar aos milhares de milhões em empresas falidas que desse estadio nunca sairão.
    O problema? O dinheiro!

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  7. Já cá faltava: a culpa é do Passos. 
    hahahaha

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  8. O dr. Filipe não tem argumentos.

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  9. Para manter as contas certas é preciso ir aos mercados quase mensalmente, uma vez que há constantemente dívida a atingir a maturidade e que necessita de ser renovada.


    Quando se tem uma dívida muito grande, há constantemente partes dela que estão a vencer, e tem que se contrair novos empréstimos para pagar os empréstimos velhos que vencem.


    Isto, mesmo que se tenha as contas absolutamente certas.


    Como Sócrates muito bem disse, a dívida não tem (necessariamente) que ser paga, mas tem sempre que ser gerida.

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  10. Tenho só um caro douto doutor:
    Não gastar vela com mau defunto.

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  11. Com todo o respeito. Faça esse tipo de gestão lá na sua casa e depois venha aqui contar. 
    E já agora, esqueça lá esse sujeito que mencionou.

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  12. vivi em casa do meu sogro até à terceira filha


    Devia ser uma casa bastante grande.


    Há que ter em conta que as casas atualmente são usualmente bem mais pequenas.


    Não obstante, concordo, em princípio, com o Henrique: alguns filhos deveriam considerar a hipótese de continuarem a viver com os pais quando se casam, em vez de exigirem à partida ter uma casa própria para o casal.

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  13. Sim dão lucro afectivo.
    Mas não, não percebeu a ideia. Não é que houvesse "ideia", apenas factos.

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  14. A "ideia" é simples:


    T0 - 600€
    T2/3- 800€


    Custa mais a um indivíduo que tenha um salário líquido de 1000€ pagar um T0, que a um caso de 2000€ pagar um T2/3. Em proporção.
    A outra "ideia" era de que havia muito mais oferta de tipologias maiores, que mais pequenas. Portanto seria mais fácil a uma família, que precisasse à partida de um espaço mais amplo, alugar, que a um indivíduo só.
    Mas se tirou a conclusão de que filhos dão lucro ou despesa, parabéns. Nem todos conseguem ler o que não está escrito.



    (na altura era em escudos, mas a proporção era esta mais coisa menos coisa)

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  15. Mas tem que se gerar rendimento para a pagar.
    E para a manter em níveis comportáveis.
    Todos os países têm dívida (nem seria possível todos terem 0 de dívida, nem 0 défice), mas viver " de dívida" não é gerível. Não fosse a UE, isto estaria bonito.
    Depois ainda temos de ouvir uns quantos dizer que o pior que nos aconteceu foi entrar na União.

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  16. Embora não tivesse necessidade de contar a sua vida, não deixa de ser interessante.
    Pois eu ganhava 3.500 escudos brutos e pagava de renda 2.500 escudos. 70% era para a casa T1. Compensou-me comprar casa.
    Aparece aqui um pateta que acha  que as rendas são um lucro.
    Compre um T2 por 450.00€ e qual a % de lucro se arrendar por 1.500€.  Dá-lhe 2,8% ao ano. Se a inflação fosse Zero, não era muito.

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  17. Não embarcou, é combinado. 
    Nenhuma narrativa aparece por acaso nestas dimensões.

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  18. Esta é frase que define o que é o jornalismo.





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  19. Independentemente dos factos contidos no que descreve (que não correspondem à realidade), está a partir do princípio de que a única despesa implicada em ter uma família com filhos é a da casa, portanto basta-lhe dizer que dois salários aguentam melhor uma casa maior, mesmo que mais cara.
    O que lhe estou a dizer é que não é assim.
    É verdade que as casas mais pequenas são proporcionalmente mais caras, mas isso demonstra o contrário do que diz, demonstra que pessoas sozinhas ou sem filhos, que procuram casas mais pequenas, têm maior disponibilidade para pagar preços mais altos por metro quadrado, exactamente porque as famílias com filhos, que procuram casas maiores, têm despesas maiores com outras componentes, o que não lhes permite pagar preços tão altos por metro quadrado.

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  20. No seu raciocínio está uma componente em falta: a valorização da casa.

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  21. tem que se gerar rendimento para a pagar


    Não. Paga-se as dívidas antigas mediante a contração de novos empréstimos.


    Qualquer Estado (e a generalidade das grandes empresas) faz isso.


    Veja por exemplo os clubes de futebol portugueses (Porto, Benfica e Sporting): todos os anos emitem novas obrigações com o prazo de três anos, com o dinheiro das quais pagam de volta as obrigações que emitiram três anos antes.


    É isso a que se chama gerir a dívida. A dívida nunca é totalmente paga, mas é mantida a um nível mais ou menos estável.


    Como Sócrates muito bem disse, e foi xingado por isso, apesar de toda a gente com dois dedos de testa saber que é assim que se faz.

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  22. Caro Senhor
    Lamento discordar, mas lendo o comentário eu diria que a culpa, e todo o resto decorre disso, é da falta de educação do seu autor.


    Cumprimentos

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