segunda-feira, 8 de maio de 2023

The times they are a-changin'

"Como defendia eu no final de XX quando trabalhava no país de Paulina Chiziane, o que Portugal (esse onde os esquerdalhos agora bramem "obrigado") deveria fazer como política linguística tinha três dimensões: 1) deixar de andar a passear embaixadas de literatos - escritores bons, medianos, medíocres, académicos e jornalistas sufragados pelo "Jornal de Letras", ou seja, gente do PS e do PC - e desdobrar-se em apoios à rede de Institutos de Magistério Primário então criados com financiamento do Banco Mundial; 2) apoiar projectos de fixação das línguas nacionais - mesmo que estas práticas sejam violentadoras das diversidades internas a cada continuidade linguística (e sobre isso é sempre de voltar aos magníficos textos de Patrick Harries sobre o Sul de Moçambique) - nisso dinamizando as áreas de estudos linguísticos no nosso país, sempre hiper-deficitários à excepção de alguns trabalhos de missionários ao longo dos séculos; 3) apoiar fortemente as políticas de ensino em línguas nacionais, valorizando o bilinguismo e combatendo o glotocídio. Usando assim o português, seu ensino e sua prática, como língua de civilização - de cultura abrangente, tenho que traduzir o termo para os patetas esquerdalhos."


Não conheço José Teixeira de lado nenhum a não ser do Facebook, onde verifiquei que temos proximidades várias, como a de não nos importarmos de ver o Notting Hill vezes sem conta.


E o interesse por Moçambique, também.


O texto de que transcrevo apenas um parágrafo vale todo ele a pena.


Quer pelo que diz, quer pela demonstração de que, aos poucos (e nem falo de revistas como a Crítica XXI), os intelectuais não alinhados com a vontade de salvar o mundo, mesmo que pela força, começam a ter direito de cidade.

14 comentários:

  1. contento-me com direito de aldeia
    apesar de ter frequentado: Complutense, École Normal, La Sapienza

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  2. No seu discurso, Chiziane identificou a palavra "catinga" como sendo uma das que necessita de ser erradicada da língua portuguesa, por alegadamente essa palavra ser racista.
    Não sei se Chiziane estará consciente de que 90% dos portugueses de Portugal (eu sou um deles) não faz ideia do que signifique "catinga" e jamais ouviu essa palavra pronunciada, e leu-a quando muito uma ou duas vezes. A palavra "catinga" não precisa de ser erradicada: ela já foi erradicada.
    É como a palavra "judiaria", que radicaria no antigo antissemitismo português, mas que atualmente pura e simplesmente já não existe - a não ser nos textos literários de alguns autores de séculos passados. Pois se a imensa maioria do povo português nem sabe o que é um judeu....

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  3. "apoiar o ensino em línguas nacionais, [...] combatendo o glotocídio"


    Esta é uma ideia bonita, mas duvido que possa funcionar durante muito tempo. Na prática, as pessoas de um país africano típico (digamos, Moçambique ou Angola) teriam que aprender três línguas: a língua da sua região ou do seu povo, o português, e o inglês. O que é areia de mais para a camioneta da maioria das pessoas e para a generalidade dos sistemas de ensino. Mesmo em países europeus, o ensino de três línguas tem tendência a desaparecer ou a ser muito limitado.

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  4. Olha, eu sei... também sei o que é uma palhota. E ter um olho no burro e outro no cigano.

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  5. O iluminado do Luís Lavoura não usa a palavra catinga e, portantos, elimine-se a dita por, talvez, cheirar mal.
    Anoso também é palavra que muitos Luizes Lavoiras desconhecem o significado e nunca utilizaram, logo eutanasie-se a desgraçada.
    O Luís Lavoura não é anoso, mas catinga é muitas vezes!

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  6.  "O tempora! O mores!"

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  7. Eu não falo por mim. Eu escrevi que a maioria das pessoas que aprende na escola três línguas fica a falar e compreender mal uma ou ambas as línguas estrangeiras que nominalmente aprendeu.
    Temos que ter um sistema de ensino que se adapte à maioria das crianças, e não somente a uma minoria de crianças especialmente interessadas e trabalhadoras.
    Temos também que ter em conta os recursos limitados de um país pobre. Ensinar três línguas exige muitos professores.

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  8. Exacto. O elogio da mediocridade. 
    Aplicar a todas as disciplinas. Para quê tentar um ensino mais exigente...

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  9. Poucos sabem, mas eu consigo cerrar cabos 
    Termine-se a judiaria  mas não deixem cair a cerra.

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  10. In a time of universal deceit telling the truth is an revolutionary act. George Orwell 

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  11. Parece que a disciplina de "cidadania" vai exigir (devido à lei que passou no parlamento dias antes do 25 de lulas) mais profs com mestrado em trans-multi-coiso e tal. 

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