Li por aí: "Tenho um corço na propriedade. Nem vejo mal nisso, isso até atinge os nossos objectivos, como permacultores que somos, mas confesso que não sei quais os passos seguintes a dar.
Será que ele se sentindo bem, vai trazer o resto da familia?
Não deveria o Estado ou uma ONG apoiar-me mesmo que financeiramente, para suportar os prejuizos?
não o queremos matar nem tão pouco o repudiar, mas confesso que temos receio do nosso coberto arboreo que é ainda muito jovem.
Alguem nos pode ajudar a encontrar uma solução nunca mortal?"
Esta mensagem é muito interessante por ilustrar bem os dilemas da nossa relação com a conservação.
Mesmo os mais radicais amantes da natureza, nem sei se é o caso, podem descobrir que a natureza não é feita de paz e amor, mas de luta pela sobrevivência e crueldade, onde cada um corre com a sua bicicleta.
Na mesma altura em que tinha acabado de ler isto, alguém comentava este relatório, chamando a atenção para o facto de 75% da área ardida na Europa, no ano de 2022, ter ocorrido em "áreas protegidas", um clássico muito usado em Portugal para criticar a gestão das áreas protegidas, como se não fosse normal que as áreas protegidas ardessem muito mais que o resto do país, pelo menos em alguns anos.
O próprio relatório refere "The analysis of the damage fires caused in the Natura 2000 network is of particular concern as they include the habitats of special interest and are home to endangered plant and animal species.", como se o facto de haver habitats e espécies protegidas num sítio automaticamente tornasse essa área sensível à presença do fogo, esquecendo que alguns desses habitats e espécies estão perfeitamente adaptados ao fogo e outros dependem mesmo de perturbações como o fogo para se conservarem.
A ideia de uma natureza ideal na qual deveríamos viver em harmonia com os elementos naturais é uma ideia muito popular mas tem, na sua base, uma ideia completamente errada, a ideia de que natureza nos é sempre favorável.
O simples facto de a nossa espécie, tal como as outras, nós somos é mais eficiente nisso, ter evoluído exactamente procurando condicionar a natureza, cultivando terras, domesticando animais, conduzindo a água, gerindo o fogo, manipulando a fertilidade, criando abrigos cada vez mais complexos, etc., pareceria uma demonstração evidente de como nos é hostil a natureza, independentemente de dependermos dela, em simultâneo.
E, no entanto, apesar da evidência esmagadora, continuamos convencidos de vivíamos num paraíso de que fomos expulsos por má conduta e nos cabe expiar a culpa pelas tropelias que fazemos à natureza.
por mais que os seres humanos pretendam dominar a natureza menos conseguem. o 'imprevisível' é diário com cortejos à Frankenstein.
ResponderEliminara culpa é de Prometeu ao fornecer o fogo
Corrigido, muito obrigado
ResponderEliminarTenho um corço na propriedade. Nem vejo mal nisso [...]
ResponderEliminarNão deveria o Estado ou uma ONG apoiar-me mesmo que financeiramente, para suportar os prejuizos?
Não entendo. Então a pessoa que tem um corço na sua propriedade tem prejuízos com isso ou, pelo contrário, não vê mal nisso? Tem prejuízos que não vê? Supõe ter prejuízos mas não os consegue ver?
Também não entendo como é que o corço está na propriedade. Os corços são animais móveis, vêem e vão entre diversas propriedades. O corço que agora está na propriedade desta pessoa, daqui a uns dias já estará alhures; outros corços virão em seu lugar. Como é que o proprietário pode afirmar que tem um corço (um só, bem definido, e permanentemente) na sua propriedade?
A culpa é da Disney
ResponderEliminarNah, o lucro é da Disney.
ResponderEliminarA culpa, e o prejuízo, é nossa. Tansos.