Não me é difícil concordar, no essencial, com este artigo demolidor de José Mendonça da Cruz e, ao mesmo tempo, escrever um post de elogio ao governo.
Como bem lembra Alexandre Homem Cristo hoje, "seria um erro considerar que esse desafio (o de salvar as democracias enquanto regimes de defesa das liberdades) está hoje em suspenso, aguardando-se pelo fim da tempestade para arregaçar as mangas. Não está. A defesa da democracia faz-se agora."
Paulo Tunhas, frequentemente, ajuda-me a pensar e a ter ideias mais claras, como é o caso neste excelente artigo em que lembra "A declaração do estado de emergência, que traz consigo óbvios inconvenientes, sem que o seu sucesso seja garantido, bem pode revelar-se um erro, mas um erro compreensível e humano".
E é aqui que acho que vale a pena fazer notar que o governo, até agora, tem resistido ao apelo populista e bem audível para que se feche o país, já e de forma mais extensa possível.
Gostaria de dizer que, por mais que isso seja uma posição minoritária e de baixo perfil no espaço público, parece-me ser a decisão acertada, até agora.
Claro que a situação ainda vai piorar, é mais que duvidoso que os serviços de saúde aguentem a pressão a que vão estar sujeitos e é claro que uma parte da responsabilidade por isso é de António Costa que, nos últimos cinco anos, não quis pensar no que era preciso para amortecer um choque extraordinário sobre o país e os serviços de saúde.
Até agora (e habilmente, é preciso reconhecê-lo) tem sabido ir protelando medidas maximalistas cujos efeitos nos próximos anos serão duros e certos, e cujos efeitos imediatos na capacidade dos serviços de saúde responderem à crise são mais que duvidosos.
É possível que um dia destes a pressão para fechar o país, esquecendo que a pobreza também mata (não quero entrar aqui pelo argumento de que pobres são os outros, não os que têm voz mediática), acabe por levar o governo a decidir nesse sentido e até pode acontecer que faça algum sentido nalgum estágio do controlo da epidemia (eu tenho dúvidas, mas sou um mero leigo, acho que quem tem a responsabilidade de tomar essa decisão tem de merecer, e merece, a minha confiança, mesmo que tome decisões que eu possa não perceber e pensar que estão erradas: estando fora, eu limito-me a rachar lenha).
Também é possível que o factor central de decisão seja a percepção de que tudo o que ocorrer durante a crise pode ser atribuído a factores externos, preservando o governo, mas qualquer governo será submetido a uma dura prova depois da epidemia, prova essa que será tanto mais dura quanto mais profunda for a crise económica e, por isso, António Costa esteja desesperadamente a tentar diminuir os efeitos económicos das decisões que tomar.
A mim interessa-me pouco (e penso que mais ou menos a toda a gente), discutir a base moral da actuação de António Costa, neste momento o que me interessa é mesmo dizer isto de forma simples e clara: eu acho que o governo tem toda a razão em tentar manter a normalidade económica e social que seja compatível com a gestão possível dos efeitos da epidemia na saúde das pessoas.
viraram-se todas as páginas da austeridade.
ResponderEliminar'a miséria não tem lei'
Não esteja preocupado, Sr. H. Pereira dos Santos, com o eventual colapso dos Serviços de Saúde nacionais.
ResponderEliminarQuando estiverem sobrelotados os actuais hospitais, sempre poderemos usar os dez (10) novos Estádios de futebol com que os nossos previdentes governantes equiparam o nosso País, de Norte a Sul.
Também poderemos contar com as centenas e centenas de profissionais de saúde que se formaram nas Escolas e Universidades nacionais e que, durante anos a fio, emigraram por não lhes ter sido facultado trabalho e remuneração conveniente para fazerem a sua carreira em Portugal.
Primeiro, "Viva a democracia portuguesa!"
Os portugueses vêm depois.
Meus cumprimentos
E eu concordo consigo.
ResponderEliminarRecordamo-nos bem de como o Mundo mudou após o 11 de setembro.
ResponderEliminarPois tudo isto é muito mais traumático. Depois destes acontecimentos nunca mais seremos os mesmos, e a nossa percepção do Mundo será diferente, forçosamente. Vão ser redimensionadas e avaliadas as verdadeiras prioridades dos países e os povos certamente exigirão dos seus governos políticas mais realistas.
ResponderEliminarA situação pede imaginação, uma vez que ninguém passou por uma situação destas...Alguns se lembrarão do que se passou durante a 2ª guerra mundial e a probresa extrema levou ao racionamento de produtos...
Gosto muito de ouvir falar e cantar liberdade, sem comer há 2 ou 3 dias!!!!
Amigo próximo tem andado a moer-me o sossego com o "início da terceira guerra mundial". Por mais que lhe diga para ter juízo, só me lembra Churchill: A fanatic is one who can't change his mind and won't change the subject.
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