sexta-feira, 20 de março de 2020

O Bom Governo num puzzle

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Nada como um período de confinamento obrigatório para me poder dedicar, sem sentimentos de culpa, a puzzles de 1000 peças. Gosto especialmente daqueles que reproduzem obras de museus que vou visitando, comprados nas lojas à saída. Neste momento, todas as atenções vão para o “Jardim das Delícias”, de Bosch, adquirido no Museu do Prado, em data que já não recordo, mas que milagrosamente se encontrava ainda por fazer aqui em casa.


No Inverno passado, tinha sido a vez do “Bom Governo” (“Effetti del Buon Governo in città ed in campagna", na fotografia, depois de concluído), fresco de Ambrogio Lorenzetti que figura numa das paredes da Sala da Paz, também chamada do Conselho dos Nove, do Pallazzo Pubblico, sede do antigo poder em Siena, contrastando com uma parede oposta, que representa o “Mau Governo”, pintados entre 1337 e 1339. Quando vi estes espectaculares frescos, uma alegoria dos efeitos da boa e má governação, ocorreu-me que bem perto dali, em Florença, cerca de 150 anos depois, Maquiavel escreveria “O Príncipe”, obra de mérito que dispensa defesa, mas que teve o condão de influenciar mal analistas, jornalistas e comentadores políticos dos séculos XX e XXI, que vêem nele um manual para interpretar a acção dos governantes, admirando sobretudo aqueles que melhor se equilibram no poder e destroem os adversários. O julgamento da boa ou má governação passou para segundo plano, para o da “ingenuidade” dos frescos de Siena, já não interessa a pintores nem a ninguém.


Mas o importante aqui são os puzzles. Que têm vantagem de poderem ser acompanhados por música e até ocasionarem danças celebrativas, motivadas pelo encaixe de peças mais difíceis de encontrar.


 

3 comentários:

  1. 1000 peças é muito pouco. 1500, 2000 é que é jeitoso.
    Eu uma vez fiz um de 3000.
    Mas agora já não tenho olhos para isso.

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  2. estive em 59 e 71 perante o bom e mau em Siena na Praça em concha onde se realizou dias antes a corrida do Pálio entre as várias contradas
    agora estou perante o péssimo governo o da 25ª hora, a que vem depois da última

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