Vários dos meus amigos confundem a minha defesa de menos Estado com a defesa de ausência de Estado ou de um Estado sub-financiado e com recursos insuficientes para cumprir adequadamente o seu papel.
Sou um fortíssimo defensor da ideia de que a burocracia é uma conquista da civilização e um traço distintivo das sociedades decentes, mas isso não quer dizer que eu tenha o menor pingo de complacência para com a burocracia estúpida e socialmente inútil em que se baseiam os pequenos poderes ilegítimos de milhares de funcionários públicos.
A minha defesa de menos Estado também assenta na ideia de que precisamos de um Estado melhor, adequadamente financiado para cumprir o que lhe compete e que saiba reconhecer o mérito dos seus funcionários, pagando melhor a quem o merece.
Por causa de uma questão fiscal fui ao meu bairro fiscal em Lisboa, onde me informam que tenho de ir pessoalmente à repartição de finanças de Arcos de Valdevez para resolver o assunto.
Perto de mil quilómetros num dia não se fazem de ânimo leve e liguei para as finanças dos Arcos para saber exactamente o que tinha de fazer e levar tudo preparado. A funcionária que me atende fica estupefacta com o facto de me terem dito que tinha de lá ir, dá-me todas as indicações para evitar a deslocação e resolver o problema noutra repartição de finanças, mas eu confio mais em pessoas que em instituições e decidi que nos Arcos tinha garantida a resolução do problema, ao contrário das alternativas.
Muito menos de uma hora depois de ter entrado nas finanças dos Arcos tinha resolvido um problema que no 10º Bairro de Lisboa parecia complicadíssimo, com um atendimento excelente, em eficiência e simpatia.
Quem me atendeu, ao telefone e presencialmente, chamava-se Cristina Sá e lamento que receba o mesmo que os seus colegas que me atenderam no 10º Bairro de Lisboa, razão pela qual achei que se o Estado não reconhece quem o serve bem, servindo bem as pessoas comuns, ao menos eu teria de o reconhecer publicamente.
Muito obrigado, Cristina Sá, das finanças de Arcos de Valdevez.
Melhor estado, menor estado. Concordo.
ResponderEliminarTambém já me aconteceu ter problemas que são absolutamente insolúveis para um funcionário e solúveis como nescafé para outro. Há uma “Cristina Sá” na minha repartição de finanças. Mais triste que ganhar o mesmo que os incompetentes é por vezes ter que chamar os utentes “ali ao lado”, para não causar celeuma junto dos ditos incompetentes, os que em cada solução vêm um problema.
Isto é típico, Henrique, eu já tive experiência similar em Águeda. Não tem nada a ver nem com a Cristina Sá nem com os Arcos de Valdevez, tem a ver com a província. Uma repartição de finanças na província é um paraíso comparada com uma repartição em Lisboa.
ResponderEliminarNa corte, há incompetência e preguiça,...
ResponderEliminarConheço vários servidores do Estado que... pelo país fora merecem o seu lugar..., pois é do que se trata. MERECER. Muitos servidores do Estado esquecem se que após a sua morte a função deles continua...
Isto aqui, sim que foi uma grande medalha de louvor e de condecoração para a Cristina Sá.
ResponderEliminarDevia haver mais gente como o Senhor...