O que se passa com uma família que se veja obrigada a vender o carro e as jóias para amortizar os juros da sua dívida? O mesmo que com a república portuguesa quando o Estado se prepara para privatizar uma série de participações em empresas, com a perspectiva da obtenção de cerca de seis mil milhões de euros de receitas, não para abater na dívida pública, mas nos juros que ela acarreta. E não será o anunciado aumento da carga fiscal sobre a depauperada classe média que salvará o país da falência em perspectiva.
Fomos todos ludibriados nesta questão dos impostos. Mais um facto que nos comprova que o carácter e sentido de Estado do primeiro-ministro tem consistência duma pevide. De resto considero mais do que previsível que José Sócrates abandonará o barco mesmo antes dos ratos.
O que me impressionou ontem foi a enorme desfaçatez com que Sócrates anunciou medidas completamente ao arrepio do que tinha garantido antes, sem um acto de contrição, uma justificação que, por exemplo e antes de mais, mencionasse que o PS não tinha maioria, que era do maior interesse para o país que o PEC pudesse reunir um apoio alargado, e que tinha sido necessário procurar entendimentos (estou a falar de algo que ele pudesse afirmar e que para sua própria conveniência funcionasse).
ResponderEliminarMas não, preferiu convencer os palermas de que estava apenas a fazer o que sempre tinha dito...
Não fomos todos ludibriados, as pessoas é que gostam de ser enganadas é diferente.
ResponderEliminar«José Sócrates abandonará o barco mesmo antes dos ratos»? Mas para onde pode ele ir, João? Com aquele VC e aquele «inglês técnico», não pode ir longe. Cá para mim, o barco não vai afundar e ele vai continuar ao leme. Apenas, a linha de água vai subir e os conveses das 2.ª e 3.ª classes vão prosseguir viagem em situação de imersão e inerente «asfixia» (não só democrática).
ResponderEliminarErrata: onde se lê «VC» deve ler-se «CV». :-)
ResponderEliminarQue o primeiro sinistro declara as maiores enormidades com uma extraordinária desfaçatez, é algo de que nós estamos longa e profusamente cientes, que ele pretenda abandonar o "barco", num assomo de pânico ou por outro impulso penso sinceramente que não. Sócrates vai continuar a tentar a cartada, de obrigar a oposição a apresentar uma moção de censura, pelo que continuará esta sua forma de tratar com desdém o parlamento, é a sua sobrevivência politica que a isso o obriga.
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