terça-feira, 1 de setembro de 2026

EUA quebram um mês de calma com ataque ao Irão

O título deste post é uma chamada (pequena) de primeira página do Público.

Os factos comprováveis são o seguintes.

Existe uma guerra entre os Estados Unidos e o Irão.

No contexto dessa guerra, o Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos, e o Irão impôs um bloqueio à circulação da navegação mundial no estreito de Ormuz.

Aparentemente, o bloqueio impostos pelos Estados Unidos tem sido bastante eficaz, o que estrangula a economia do Irão, mas o bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão, que visa estrangular a economia americana e mundial, tem sido menos eficaz (digamos que por volta de vinte navios cruzam os estreito todos os dias, uma percentagem bastante baixa da circulação pré guerra mas, ainda assim, uma circulação relevante).

Aquilo a que o Público chama um mês de calma, para a navegação do estreito de Ormuz consiste em ataques pontuais a navios que pretendem passar pelo estreito.

Aquilo a que o Público chama um ataque ao Irão pelos Estados Unidos é um ataque pontual a um ponto específico relacionado com o estreito de Ormuz.

Se, como dizem os Estados Unidos, é um ataque de precisão a lançadores de drones com que o Irão tencionava pôr minas no estreito, isso não sei, embora seja plausível que o Irão esteja a procurar minar o estreito, e os EUA estejam empenhados em o desminar.

O que sei é que qualificar um ataque pontual a um ponto específico da guerra pelo controlo do estreito de Ormuz como uma quebra da calma pré-existente é um bocadinho exótico.

Compreendo que para quem, como os jornalistas do Público, entende o bloqueio à navegação mundial no estreito de Ormuz pelo Irão como um acto de resistência legítima de oprimidos contra o imperialismo americano, todo o horror das guerras seja sempre responsabilidade dos EUA.

Para quem, como eu, considera o regime iraniano como um ilegítimo e despótico promotor da instabilidade na região através da promoção do terrorismo a quem a comunidade internacional, com os seus punhos de renda, nunca conseguiu pôr um cabresto, a opção pelo bloqueio à navegação mundial é mais uma das acções de guerra do Irão a que dificilmente se pode por cobro sem ser pelas armas.

Preferia que as coisas fossem de outra maneira, mas não tendo o regime iraniano qualquer intenção de se deixar travar pelas regras gerais de convívio entre estados diferentes, ainda bem que há alguns exércitos disponíveis para lhe travar o passo.

15 comentários:

  1. considera o regime iraniano como um ilegítimo e despótico promotor da instabilidade na região

    O regime iraniano é "ilegítimo" porquê?

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    Respostas
    1. Porque o poder não resulta de qualquer fonte legítima, assente na vontade das pessoas comuns.
      Respondo apesar de saber que se trata de uma pergunta retórica, cuja resposta não altera nada.

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    2. E é legítimo porque?...

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    3. o poder não [assenta] na vontade das pessoas comuns

      Portanto, para o Henrique Pereira dos Santos regimes legítimos são os democráticos. Todos os regimes não democráticos são ilegítimos.

      Daqui decorre que pelo menos metade dos países do mundo, grosso modo, têm regimes políticos ilegítimos. O Irão é somente um de entre muitos. Naquela região do globo, praticamente todos os países têm regimes ilegítimos (as exceções relevantes serão o Paquistão e Israel).

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    4. Porque não é legítimado pela democracia
      Óbvio
      Pela mesma razão há que boicotar em força Rússia, China, Arábia Saudita, Qatar e outros que tais.
      Por um mundo melhor.

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    5. Porque é um regime ditatorial
      Tal como Venezuela
      Felizmente houve uma intervenção legítima que restaura a democracia nesse país e volta a colocar os seus recursos naturais ao serviço dos seus cidadãos.
      Temos de apoiar igual operação no Irão

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    6. Não são metade, são muito mais que metade, que é o que dá origem ao descalabro da ONU.
      Sim, todos os regimes que não assentam no consentimento dos seus cidadãos, o que implica que seja mantido pela força, são regimes ilegítimos.
      Acontece que usei duas palavras sobre o Irão, ilegítimo e despótico.
      Se é verdade que todos os regimes ilegítimos têm como fonte de poder a força, a forma como a usam não é igual, e uns são, para além de ilegítimos, de uma grande desumanidade, como é o caso do Irão.

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    7. "Daqui decorre que pelo menos metade dos países do mundo, grosso modo, têm regimes políticos ilegítimos. O Irão é somente um de entre muitos. Naquela região do globo, praticamente todos os países têm regimes ilegítimos (as exceções relevantes serão o Paquistão e Israel)."

      Presumo que o balio tenha sido influenciado pelo jornalismo Marxista Ocidental(Publico, Expresso, RTP, SIC TVI , BBC, CNN etc etc...) para o qual só há ditaduras de direita, o Ditador Português Salazar, o Ditador Espanhol Franco, o Ditador Chileno Pinochet...
      Ja os de esquerda e anti ocidentais são Líderes, por isso legítimos para os nossos jornalistas: O Líder Cubano Fidel Castro, o Líder Sírio Assad, o Líder Chinês, o Líder Norte Coreano...

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    8. são muito mais que metade, que é o que dá origem ao descalabro da ONU

      Eu escrevi "pelo menos metade".

      O descalabro da ONU (ou, mais precisamente, do seu Conselho de Segurança) não decorre de muitos países não serem democráticos. Decorre, isso sim, de muitos países, de muitos países poderosos - uns democráticos, outros não - desrespeitarem a soberania de outros países. Um país ser ou não ser democrático nada tem a ver com esse país respeitar ou não respeitar a soberania dos restantes.

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    9. Irão, China, Rússia, paises árabes, sao o verdadeiro grande Satã

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    10. Muito gostas tu de abandonar qualquer argumento que uses que seja rebatido, ao mesmo tempo que procuras vírgulas noutra coisa qualquer para mudar de conversa.
      Não, não é do conselho de segurança da ONU que estou a falar, é mesmo da ONU.
      Quanto a desrespeitar a soberania dos outros países, queres mesmo falar do Irão a esse propósito?
      Ou achas que armar, treinar, financiar, milicias no Iraque, no Iémen, no Líbano, na Síria, em Gaza, que é usada para violar a soberania de Israel, para não falar de bombardeamentos directos de Israel é respeitar a soberania de Israel?

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    11. Bem vistas as coisas, os EUA armam, treinam e financiam grupos armados pelo mundo, invadem países soberanos e bombardeiam outros, e não é isso que os coloca num patamar idêntico ao Irão.

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    12. Muito gostas tu de abandonar qualquer argumento que uses que seja rebatido

      Eu não apresentei argumento absolutamente nenhum. Apenas procurei tornar os enunciados de Henrique Pereira dos Santos mais precisos.

      não é do conselho de segurança da ONU que estou a falar, é mesmo da ONU

      Discordo. Muitas agências da ONU (tipo UNICEF e FAO) fazem trabalho muito útil. Não são um descalabro. O que não faz trabalho útil nenhum é mesmo o Conselho de Segurança (CS).

      (E isto sim, é um argumento.)

      Quanto a desrespeitar a soberania dos outros países, queres mesmo falar do Irão a esse propósito?

      Não, não quero. O que quero é salientar que também países democráticos desrespeitam a soberania de outros países. E que, ao fazê-lo, contribuem para o descalabro do CS da ONU.

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    13. Se não fosse um argumento, terias ficado com a resposta, que é clara, do que é um governo ilegítimo.
      Quanto ao resto, não é contigo que vou discutir a erosão de credibilidade da ONU à conta das decisões que são tomadas por maioria e podem resultar na designação de Francesca Albanese para relatório independente do que quer que seja, ou na eleição do Irão para o organismo de defesa dos direitos humanos.
      E muito menos vou discutir o respeito da soberania dos outros países, coisa que me interessa muito pouco.

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  2. Hps está do lado da democracia e do direito internacional
    Personificado pelos EUA e Trump, farol da democracia
    E muito bem

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EUA quebram um mês de calma com ataque ao Irão

O título deste post é uma chamada (pequena) de primeira página do Público. Os factos comprováveis são o seguintes. Existe uma guerra entre o...