Em tese, com a excepção de António Costa, toda a gente é a favor de reformas.
Na prática, de cada vez que uma reforma se concretiza em qualquer coisa de concreto, quase toda a gente chama a atenção para os que perdem com essa reforma e se tornam seus ferozes defensores.
Ou seja, toda a gente é a favor de reformas abstractas, mas contra cada reforma em concreto.
É preciso mexer no enquandramento das migrações? Sim, mas não se pode desumanizar os emigrantes e as regras concretas propostas são desumanas.
É preciso mexer no mercado de habitação? Sim, claro, mas as regras não podem afectar direitos dos inquilinos, a elevada protecção ambiental e as políticas de ordenamento do território.
É preciso mexer no sistema de justiça? Estamos todos de acordo, mas desde que isso não ponha em causa os direitos dos cidadãos e os instrumentos de que dispõem os advogados para materializar esses direitos.
É preciso mexer no ensino? Parece razoável, mas desde que isso não implique mais dificuldades para os professores e menos democracia nas escolas.
É preciso flexibilizar o mercado de trabalho e responder às disfunções que todos reconhecem, como o excesso de precariedade e a existência de um mercado dual? Não há a menor dúvida, mas desde que isso não seja feito através de restrições de direitos dos trabalhadores.
Poderia continuar, mas não vale a pena, todos nós conhecemos bem o peso das boas intenções que o país carrega às costas: reformas sim, mas desde que não alterem grande coisa.
Essa falta de interesse dos partidos face às correções a fazer ao sistema tem uma explicação óbvia.
ResponderEliminarPor cá mantem-se o mito de que as prioridades dos vencedores, nas legislativas, são os interesses do país. Não, as prioridades dos deputados -escolhidos a dedo pelos partidos e irão legislar na AR- são apenas os interesses dos seus respectivos partidos. O voto legislativo exclusivamente em partidos fomente essa atitude.
Os deputados não têm a sua actividade política controlada pelo voto do cidadão eleitor. Daí o interesse dos deputados ser apenas o poder dos seus respectivos partidos, de quem dependem. Basta assistir às argumentações na Assembleia dos Partidos, a dita Assembleia da República.
Insólito e fátuo é poder autárquico eleito nominalmente e controlado em proximidade. Os orçamentos provêm do governo central, como se constata claramente na actual crise de destruição no centro do país.
Em extrangeiro chama-se "Tributation without representation" e historicamente constata-se que dá sarilho, mais cedo ou mais tarde.
Há uma reforma de fundo, que estou convencido, beneficiaria grandemente a economia Portuguesa e por extensão, a qualidade do Trabalho e logo a sua remuneração.
ResponderEliminarÉ a reforma dos Sindicatos, que de órgãos representativos do Trabalho, passaram a lugares de pouso, para alguns especialistas em confusão e em minha opinião pouco têm a ver com o Trabalho.
Sou da opinião que os Sindicatos deveriam pura e simplesmente ser extintos e substituídos por equipas técnicas do Ministério da economia, do Trabalho e da Saúde.
Era mais rápido, menos confuso e creio, melhor para Trabalhadores, Funcionários, entidades Patronais e para a Economia em geral.
Como está parece uma bagunça e até nem duvido que para alguns seja um maná, não se vendo é que sirva o País
Conclusão: na prática há muito mais pessoas que António Costa a não querer reformas.
ResponderEliminar"
Totalmente de acordo, excepto na parte de a coisa significar sarilhos a prazo.
ResponderEliminarOs Cidadãos há muito que deram conta da coisa, e trataram de organizar a vida para além e apesar da política e dos políticos
ResponderEliminar“Nada é mais difícil de executar, mais duvidoso de ter êxito ou mais perigoso de manejar do que dar início a uma nova ordem de coisas. O reformador tem inimigos em todos os que lucram com a velha ordem e apenas defensores tépidos nos que lucrariam com a nova ordem.”
― Nicolau Maquiavel
A língua portuguesa é muito traiçoeira, como dizia o Herman.
ResponderEliminarA inglesa é muito mais verdadeira.
Em português a palavra "reforma" é a mesma para virar uma página e começar de novo, como o fim de actividade é inicio do imobolismo.
E até parece que todos só pensam nesta última.
Conclusão: não acredita na democrcia, nem na sua bondade, nem no sistema que o rege. Pelo que percebi a democracia não é a receita adequada para este país. Então, subentende-se que talvez para si funcione melhor um regime sem partidos, certo? Acabava-se de vez com esse "mito" que referiu de que os vencedores de eleições não servem os interesses nacionais, pois a suas prioridades são «os interesses dos seus respectivos partidos»
ResponderEliminarSalazar não diria melhor...
(Salazar – O Homem e a Sua Obra por António Ferro, 1933, pág. 140)
ResponderEliminarTraiçoeira a Língua portuguesa !!
Concordo desde que queiramos ela seja
desisti de me interessar pela política a nível nacional e regional face a deputados e autarcas. a concertação social é ideia de Mussolini. greves e passeatas é melhor que trabalhar.
ResponderEliminarJô Soares em Planeta dos HomensViva o Gordo
«Não me comprometa»«Tem pai que é cego...»«Estão mexendo no meu bolso!»
«A comissão faz o ladrão.»
«Era um sujeito realmente distraído: na hora de dormir, beijou o relógio, deu corda no gato e enxotou a mulher pela janela.»
As únicas reformas que interessam aos portugueses são as antecipadas sem penalização. Por isso, não vale a pena continuar a bater na tecla das reformas, os portugueses não estão para aí virados. As alterações (reformas) virão, se vierem, como sempre aconteceu, impostas pela realidade, ou por forças externas.
ResponderEliminarPrimeira reforma seria equiparar funcionários públicos ao sector privado.
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