terça-feira, 10 de março de 2026

O trapézio e a rede

Não podia estar mais em desacordo com esta opção de andar a tentar manipular preços através de impostos.


Num mundo ideal, para mim, havia só um imposto e igual para tudo, um IVA igual para todas as transações, cuja taxa deveria estar em linha com as necessidades de financiamento do Estado, que é para isso que servem os impostos.


A mim parece-me razoável que não se taxem os factores de produção (trabalho e capital) e que a taxação seja feita com base na criação de valor gerada em cada transação, de forma o mais neutra possível, sem pôr o Estado a escolher o que devo comer, onde devo gastar os meus recursos, a quem devo comprar e vender bens ou serviços e todas essas opções que transformam o pagamento de impostos no campo ideal para a esperteza saloia, o que leva a uma estrutura de fiscalização cada vez mais pesada.


As políticas públicas devem ser definidas autonomamente e não deve ser usada a política fiscal para as executar (pontualmente, o Estado pode permitir que os contribuintes consignem uma parte dos seus impostos a quem o Estado ache que presta serviços de interesse colectivo dificeis de monetarizar no mercado, mas estaríamos sempre a falar na margem da colecta de impostos).


Há várias razões que me levam a ter esta utopia como orientação, a primeira das quais é que o sistema de preços é um transmissor de informação tremendamente eficiente e é um bocado estúpido distorcer sistemas de informação eficientes, tendo como objectivo levar as pessoas a reagir a sistemas de informação em que não confiam, por não serem eficientes.


O risco energético é real, e os operadores económicos e as pessoas devem saber que é assim.


Quem toma decisões erradas, confiando que não há risco energético e se houver algum problema o Estado vem a correr socorrer os aflitos, pode até ter uma rede criada e gerida pelo Estado para que a falha no trapézio não provoque a morte do artista, mas não pode partir do princípio de que o Estado vai garantir que o número do trapézio vai correr sempre bem.


A rede serve para que o trapezista não morra enquanto vai aprendendo, serve para que trapezista, em falhando, decida se quer mudar de vida ou falhar melhor, mas não substitui o que o trapezista faz, nem quando ele acerta, nem quando falha, essa é uma responsabilidade do trapezista (que até pode atingir um nível de excelência tal que lhe permita prescindir da rede para atrair mais público com o dramatismo de arriscar a vida em cada salto sem rede)


Há um aumento de preço dos combustíveis porque há uma perturbação de mercado?


Paciência, prefiro ter operadores económicos que aprendem a conviver com esse risco, a ter operadores económicos que esperam que haja sistematicamente uma privatização dos lucros e uma socialização dos prejuízos.


E as pessoas que já estão com a corda na garganta e vão ter dificuldades concretas com o aumento dos preços?


Pois, para isso serve a rede que o Estado cria e financia com os impostos, para socorrer os que verdadeiramente precisam para quem a filantropia (antigamente dir-se-ia a caridade, e talvez seja bom reabilitar a ideia de caridade, que a esquerda tem combatido incessantemente) não tem resposta.


Agrada-me que os preços subam?


Claro que não, mas agrada-me ainda menos que ao não deixarmos o sistema de preços definir uma alocação eficiente de recursos que nos beneficia a todos, estejamos a promover um sistema ineficiente de alocação de recursos que nos torna a todos mais pobres, menos inteligentes no uso dos recursos e menos solidários.

24 comentários:


  1. Num mundo ideal, para mim, havia só um imposto e igual para tudo


    Em particular, igual para o gasóleo e para a gasolina.


    No nosso país não ideal, o Governo favorece altamente o gasóleo sobre a gasolina.


    Por motivos insondáveis, ninguém fala desta distorção fiscal nem ninguém mostra qualquer vontade de acabar com ela.

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  2. está tudo ''numa boa''. até importaram 1, 6 milhões de imigrantes.
    a guerra acaba, os imigrantes ficam.

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  3. importaram 1, 6 milhões de imigrantes


    Não "importaram". Ninguém pagou nada para que eles viessem. Eles vieram a suas próprias expensas. Diga lá se não é bom, haver indivíduos que querem tanto vir trabalhar para cá que até estão dispostos a pagar a viagem do bolso deles!
    Esses 1,6 milhões estão quase todos a trabalhar, ou a viver a expensas de quem trabalha. Portanto, não há problema nenhum em que tenham vindo para cá. Trabalham, ganham dinheiro, isso é bom para eles e bom para nós.

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  4. Concordo
    Apenas IVA. Quem consome, paga por isso.
    A gasolina aumenta, devido ao cenário internacional. Há que viver com isso.

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  5. Os preços são manipulados pelos produtores e comercializadores de combustível, a gasolina já esteve mais barata com os petróleo mais caro, e não foi por causa dos impostos.
    É rídiculo pensar que o mercado sózinho gera preços justos para tudo, como se não existissem monopólios nem cartéis.

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  6. A unica afirmação comprovada com evidências é de que os preços estão altos devido a alta tributação 
    O resto é propaganda marxista alimentada pela comunicação social legacy. 
    Conselho: menos Observador, mais blogues. Só fica s ganhar 

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  7. Quanto portugueses recusam o seu Glovo porque os entregadores são todos imigras? Deviam boicotar essas empresas, ao invés de culparem governos....

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  8. Em princípio concordo que o Estado deixe o Mercado funcionar e se abstenha de interferir, excepto em caso de Perturbação Grave (guerras, revolucoes.  etc..


    Penso também que deveria ser (se calhar já é) estabelecido um Quadro de Níveis,  prédifinindo a partir de que Nível se justificaria a Intervenção do Estado, e que Intervenção seria essa em cada Nível.


    Se este tipo de coisas for pensado em tempos de calmaria, tanto melhor, pois estaremos melhor preparados quando a Borrasca vier.


    E as Borrasca mais tarde ou mais cedo chegam sempre 








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  9. Deve ser isso que explica o enorme salto da China, agora á beirinha de passar a primeira economia do mundo.

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  10. "...havia só um imposto e igual para tudo, um IVA igual para todas as transações,...". Exacto, quem compra um Ferrarizito ou quem compra o seu capaz de compras é tributado na proporção do que comprou.


    Alguns países usam variantes da "flat tax" com sucesso. Por cá as vantagens seriam significativas para o cidadão pois a complexidade do sistema tributário, todo ele e inclusivé a máquina estatal, permitem iniquidades a repôr por tributação distorcida. Claro que os donos da bola (PS e PSD) nunca irão abdicarar da sua melhor ferramente de poder. 
    Quem parte e reparte....

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  11. Já esteve mais à beirinha disso...

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  12. Sim, pode acontecer, mas de maneira geral é o inverso, é o Estado que ao mínimo problema, sobe os impostos, como pode fazê-lo coercivamente, não precisa de estender a mão.

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  13. Exacto
    O mercado privado não vive de mão estendida nem tenta extorquir coercivamente. Troca de capital por serviços, puro e simples. No Estado pagas, querendo ou não,  e recebes o que te dão, não que queres.

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  14. Mas não devemos esquecer, que os desvios, disfunções, empenos, malformações, etc., do Sistema dão Trabalho e Emprego a muita gente.


    É um pouco como no Jornalismo, na Justiça e Forças Policiais; todos passam a vida a maldizer, perseguir e a tentar eliminar a Criminalidade e os Criminosos, sendo que no dia em que tal fosse possível, os seus Empregos e Profissões seriam inviáveis, por desnecessários 

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  15. Nem à beira, quanto mais à beirinha ... Além disso, está em pleno colapso populacional, nestas duas décadas do séc XXI, já perdeu o equivalente a uma Europa ... 

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  16. há os que se ''importam'' e os que ''não se importam''

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  17. Então e os apoios para salvar empresas esperando preservar empregos que depois de serem atribuídos a empresas caem mesmo?


    E depois nem empregos nem retorno dinheiro que já deve ter encontrado um ou vários bolsos para residir.

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  18. Quem não concorda comigo é comunista. Ah pois é!

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  19. Se bem percebi devemos viver de esmolas, dada pelos fortes aos mais fracos e não da justa retribuição do serviço ou trabalho, prestados pelos fortes aos mais fracos.




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  20. Percebeu mal. Devemos viver da justa remuneração do trabalho.

    A discussão apenas interessa nos casos, que se espera que sejam esmagadoramente minoritários, em que a justa remuneração do trabalho não cobre as necessidades das pessoas.

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  21. Concorda-se com opiniões, não com factos

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