(…) "Há um último aspecto que é talvez o mais significativo para a compreensão do pensamento político de S. Tomás, mas também o mais indirecto. Há, na maneira contemporânea de olhar para o problema político, uma tentativa de o afastar de alguma ideia de propósito. Na tentativa de encontrar um ponto de consenso a partir do qual se possa discutir a política, a democracia liberal prescindiu de tentar saber quais são os seus fins.
Ora, uma das preocupações fundamentais de São Tomás, preocupação essa que atravessa todo o seu pensamento e está presente quer em opúsculos de juventude, como O Ser e a Essência, quer nas questões basilares dos seus tratados teológicos, tem que ver com a impossibilidade de fugir a este problema. Não é possível, segundo S. Tomás, procurar explicar alguma coisa sem perceber o seu propósito. Não é possível termos uma «Essência do Político», para evocar um título bem contemporâneo, desligada, não daquilo que a política é, mas daquilo que pretende ser. Está na própria definição das coisas: nenhuma definição de uma coisa a partir dos seus atributos é completa, nenhum barco é apenas madeira, nem nenhuma casa apenas tijolos. A função é uma causa substantiva, e como nunca podemos ter uma função completa de nenhuma causa humana — tudo existe, em última análise, em remissão para alguma coisa — qualquer discurso sobre o mundo é um discurso sobre Deus. A melhor maneira de perceber o homem não passa pelo entendimento daquilo que o afasta dele próprio e daquilo que, fazendo parte dele, não é ele. O verdadeiro discurso sobre o Homem é o discurso sobre Deus." (...)
"São Tomás de Aquino - O que lhe deve a política", por Carlos Maria Bobone in Crítica XXI, n. 13 Outono 2025
Parecem coisas e mundos de Planos diferentes e irreconciliáveis.
ResponderEliminarS Tomás de Aquino foi o expoente máximo da Escolástica, e um dos grandes Intelectuais do seu tempo.
A Política agora, tal como é concebida e praticada, nos meandros e ramificações partidárias, é mais mercearia, golpe de mão, ganhos e perdas e lucros líquidos.
S Tomás de Aquino olhava a cidade do Alto, esta malta olha o benefício e o lucro, pois então, ao nível do terreno
Teocracia não é um sistema político que ainda subsiste em países como o Irão?
ResponderEliminarO propósito do Cristianismo é a salvação da alma, seja nos tempos de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos tempos de São Tomás de Aquino ou nos dias de hoje.
ResponderEliminarAs forças revolucionárias praticamente "fizeram-nos" esquecer desse grandioso propósito, a tal ponto que mais de duzentos anos depois da Revolução Francesa os países tornaram-se oficialmente laicos.
Hoje em dia, discutir os propósitos sobre política é substancial perda de tempo; É preferível fazer aquilo que aprendemos na Gestão: determinar objectivos, implementar as medidas necessárias para atingir esses objectivos e, se correr mal, corrigir e voltar à implementação.
O Irão é um País Soberano e os seus assuntos internos, dizem respeito, exclusivamente, aos Iranianos.
ResponderEliminarNão há razão para não acreditar que eles não saibam as linhas com que se cozem
ResponderEliminarAnónimo,
concordo totalmente consigo quando diz que "o Irão é um país soberano e os seus assuntos internos dizem respeito, exclusivamente, aos iranianos".
Essa deve ser a postura adotada pelos restantes Estados quando tratam com o Estado iraniano: respeitá-lo, e não se imiscuir nos seus assuntos internos.
Porém, pessoas individuais gozam de liberdade de expressão e não estão obrigadas às normas que valem para os Estados. Pessoas individuais são livres de criticar o regime político iraniano, ou outro qualquer.
ResponderEliminara democracia liberal prescindiu de tentar saber quais são os seus fins
Os anarquistas, quando contestam os comunistas, afirmam, e muito bem, que oe meios são os próprios fins. Ou seja, não pode haver meios maus a servir fins bons. Os meios de que uma organização se serve devem coincidir com os fins que propugna.
Nesse sentido, os fins da democracia liberal são precisamente os seus meios: dar liberdades às pessoas (= liberalismo) e permitir que todas elas possam participar no governo do país (= democracia).
Os Países são Laicos mas os seus Cidadãos têm a Liberdade de escolher as Crenças e Credos que quiserem, desde que obviamente essas crenças ou credos, não ofendam a Constituição e estejam conformes às Leis
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