sábado, 3 de janeiro de 2026

Nunca é tarde para a redenção

"A situação de Portugal, depois de proclamada a República - afirmou Fernando Pessoa - "é a de uma multidão amorfa de pobres diabos, governada por uma minoria violenta de malandros e de comilões. O constitucionalismo republicano - para o descrever com brandura - foi uma orgia lenta de bandidos estúpidos." (...) "Mas através de tudo, e até nas almas de muitos desses bandidos - acrescentava Pessoa - subsistia qualquer coisa impulso lírico do ideal originário. E assim se via bandidos da pior espécie - gatunos de alma, vadios orgânicos -baterem-se com bravura pelo ideal que julgavam que tinham."


Fernando Pessoa in 'Interregno', 1928, citado por António Valdemar, na Revista do Expresso de 26 Dez. 2025


"Recordas-te, Luís, de um dia me dizeres na tua casa [...] que o erro iacobino havia de morrer em mim, por incompatível com a sinceridade que eu lhe consagrava, e que os meus olhos se abririam para as verdades eternas? Pois, meu amigo, meu Irmão. leste fundo na minha alma e com alegria te conto a minha conversão à Monarquia e ao Catolicismo - as únicas imitações, que o homem, sem perda de dignidade e orgulho, pode ainda aceitar. E eu abençoo. Eu abençoo esta República trágico-cómica que me vacinou a tempo pela lição da experiência que livrou a minha existência de um desvio fatal."


Trecho da carta de António Sardinha a Luís de Almeida Braga a 30 de Dezembro de 1912, citada por José Manuel Quintas na introdução aos 'Ensaios Escolhidos' publicado por Crítica XXI de Dez. 2025

12 comentários:

  1. Lembram-se dos tempos em que 90% dos tributos cobrados à nação iam para o sustento da família real e membros da sua casa?

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  2. É difícil alguém lembrar-se de um tempo que nunca existiu

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  3. Tenho a família esfrangalhada entre o almirante, Cotrim, Marques Mendes e André Ventura. Reuniões que deveriam ser prazerosas, geram discussões ácidas ou impõem silêncios confrangedores.
    Se não fosse já monárquico, ter-me-ia convertido agora.

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  4. E não poderá dizer, comparado com o tributo cobrado hoje, quanto é que isso dava ?




    Agradeço antecipadamente 

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  5. Caro Anónimo, para casos perdidos, como o seu, costumo recomendar mais tabaco na mistura. Contudo, no seu caso, recomendo mesmo deixar se fumar... 

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  6. Essa está boa.


    Então não houve tempo, na verdade séculos, em que Portugal foi governado por Casas Reais ?!

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  7. Sim, houve, o que não houve foi um tempo em 90% dos tributos eram para o sustento das casas reais

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  8. Diga-lhes que seja eleito quem for, no que  é verdadeiramente essencial, nada muda.

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  9. Caro M Sousa e eu a si recomendo vivamente que se acalme.


    Expresse a sua opinião, se a tiver, acerca dos temas em debate e não seja grunho.

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  10. Pois eu aprendi que a maior parte do tributo era pago em género, ou serviço, pelo que a corte circulava pelo país, literalmente comendo e bebendo as contribuições.


    Em caso guerra (a conflitualidade era pode dizer-se endémica) cada terra fornecia ainda uma dada quantidade de homens e géneros.

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  11. Tornei-me Monárquica no final da adolescência, idade em que por "desventura" me comecei a interessar por filosofia, ideologia, política e afins...
    Nessa fase saudosa da vida, constatei que as nações mais cotadas nos índices de desenvolvimento humano, maid progressistas e mais democráticas eram (e continuam a ser...) Monarquias: Noruega, Suécia, Dinamarca. Bem acompanhadas por Luxemburgo, Bélgica, Japão... Sem esquecer o Reino Unido (e restantes súbditos de Sua Majestade britânica, Canadá e Austrália) e "nuestros hermanos".
    Pelo lado das Repúblicas, alinham os muito evoluídos, estáveis e pacíficos estados da América latina, da África Sub-sariana, grande parte da Ásia...
    O mundo mudou nos últimos 35 anos. Mas eu continuo monárquica - e cada vez mais convicta, a cada acto eleitoral para a presidência desta malfadada república portuguesa.
     

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