Ontem dei um salto às urgências do hospital da Luz.
Logo à cabeça, a senhora da recepção previne que as pulseiras verdes tinham um tempo estimado de espera entre sete e sete horas e meia a separar a triagem (que é rápida) da consulta por um médico (para os puristas da igualdade de género, mais provavelmente uma médica, visto que são a maioria no sector).
Questão relevante, por que razão alguém escolhe ir a um privado, pagar pelos actos médicos (cerca de noventa euros, com o conjunto de exames complementares, é possível que a ADSE pague uma parte), se tem esse serviço sem pagamento directo em hospitais estatais, nomeadamente os dois em que se é seguido frequentemente e têm hospitais de dia?
Em primeiro lugar, porque esses dois hospitais são altamente diferenciados e dedicados a patologias complexas e crónicas, portanto evitam abrir os seus hospitais de dia a coisas mais ou menos banais não directamente relacionadas com a sua actividade diária, e isso faz sentido.
Em segundo lugar, porque o doente não pode escolher entre os muitos hospitais estatais disponíveis, não pode ter uma APP com tempos de atendimento esperado e escolher um hospital a uma hora de casa, mas com tempos de espera de uma hora, em detrimento do da sua residência, mesmo que tenha 12 horas de espera.
O fundamental na decisão é a confiança de que se é atendido por pessoas minimamente competentes (mesmo que pouco treinadas nas especificidades das doenças crónicas de base) que cumprem o objectivo de saber como lidar com a situação concreta, não especialmente grave, mas que pode evoluir para coisas mais complicadas se não for gerida como é aconselhável.
E é isto, em nenhum momento é relevante quem é o dono das paredes e dos equipamentos do hospital, mas simplesmente quem resolve o problema concreto com que se está confrontado.
Já agora, embora a pulseira não fosse verde e por isso não se tenha esperado as tais sete horas (como acontecia com a maioria das pessoas que estavam na sala de espera), o tempo passado na sala de espera é uma excelente demonstração do que disse Fernando Alexandre a propósito de residências universitárias: não tem conta o número de comentários ouvidos sobre o facto de ser inacreditável esperar-se tanto tempo num hospital privado em que se estava a pagar, a par da compreensão sobre os tempos de espera nos hospitais em que não se paga (é claro que se paga, mas a simples alteração da forma de pagamento, permite uma percepção de contratação de um serviço com a consequente exigência quanto ao serviço prestado).
A quantidade de pessoas que esperavam, levando às tais sete horas de espera (salvo casos muito específicos, como a emergência médica, não é razoável esperar que os serviços estejam organizados para dar uma resposta sem falhas em picos de afluência), eram pessoas que não estavam a pressionar os serviços estatais.
Pretender que esta liberdade de escolha seja restringida a quem a pode pagar, é uma pulhice social em que parte da esquerda se especializou.
Uma coisa é dizer que não existem recursos para generalizar a escolha (argumento de treta porque os ganhos de eficiência são maiores que as necessidades de remuneração do investimento, sendo falso o argumento de que não há dinheiro para cada um usar o modelo de assistência médica que lhe convém, no seu dia a dia), outra coisa é argumentar que a dualidade na prestação de serviços fundamentais (justiça, educação, saúde, segurança, etc. dual) é moralmente defensável.
a esquerda residual e cadavérica integra ideologia de entertainer. ainda acredita na ''caça aos ricos'', apesar de privilegiada nas tevezinhas e no que resta de jornais em papel. ainda sonham com Barreirinhas e Soares que Deus haja.
ResponderEliminarum privilégio ser 'intelectual' de esquerda com barbas, desgravatado e livros nas suas costas.
Na "mouche" : a esquerda É a pulhice social.
ResponderEliminarJuromenha
Numa coisa é forçoso reconhecer, os hospitais Privados batem os Públicos;
ResponderEliminarNos Privados a qualidade dos assentos são muitíssimo melhores.
A luz tem umas poltronas que em tendo um livro, um cidadão até se esquece que está doente.
Reconhece que nos Hospitais Públicos este é um ponto fraco e sim aqueles assentos de plástico são um verdadeiro tormento.
Mas também não se pode ter tudo não é?!
Concordo
ResponderEliminarO Estado devia contratualizar com Privados actos médicos tal como faz com hospitais públicos, ao preço tabelado. Depois cada um ia onde queria. Os Privados até agradeciam pois iriam ter mais clientes
Eu, por mim, chamava o Trump e toda a sua entourage, para privatizar Portugal.
ResponderEliminarE o primeiro ato era a caça aos pobres.
A gente deste blog, de certeza, que tinha um orgasmo.
Pois a ideia é essa mesmo;
ResponderEliminarClientes para os Privados.
😆👏👏👏 haja quem ainda tenha saúde mental, ironia e sarcasmo! Credo, lê se cada artigo, em momentos de insónia!
ResponderEliminarSe olhar para trás na história do Trump vai ver que embora não o pareça, ele nacionalizou-se.
ResponderEliminarTambém aposto consigo que quando retomar a vida civil já não terá dívidas.
E tudo estará great again.
Era uma vez na América, etc