sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Mitos persistentes no sector imobiliário

Como a lógica e a informação existente não chegam para defender as teorias de que o mercado imobiliário não evolui de acordo com as regras gerais do mercado (para lá dos efeitos que regras administrativas implicam na distorção dos mercados), o que não falta é gente e defender ideias completamente fora da realidade, para argumentar com a conversa de que, no imobiliário, a solução é castigar os proprietários e obrigá-los a fazer o que é economicamente pouco eficiente, para que os resultados pretendidos pelo Estado apareçam.


A propósito da pergunta normal "qual é a vantagem de manter um investimento sem gerar rendimento, à espera que o bem se valorize?", que pretende pôr em evidência o absurdo da ideia de que os preços sobem por causa da voracidade dos capitalistas que se precipitam a comprar casas, recorrendo a crédito, à espera que atinjam valores estratosféricos para as vender (a quem?, perguntar-se-á, visto que os compradores, de acordo com esta teoria, são outros abutres capitalistas que só compram para vender mais caro), responde-se com fantasias sem qualquer relação com a informação existente.


Primeiro, a generalidade dos compradores e vendedores de imóveis, em Portugal, responsáveis por quase 90% das transações, são as famílias (frequentemente com recurso a crédito), o que à partida elimina a hipótese dos capitalistas a entesourar à espera que o preço das casas suba.


"Já ouviu falar de fundos imobiliários? E não me diga que o negócio deles é alugar casas".


Qual é a vantagem de me fazer perguntas a mim quando o google responde de forma clara? "O peso das rendas no volume de negócios dos fundos imobiliários é significativo, especialmente em Portugal, onde, apesar da habitação ter uma fatia menor (cerca de 6,6% das rendas dos fundos em 2025), os fundos têm uma presença crescente no mercado, focando-se mais em imóveis de serviços (escritórios, logística) e gerando retornos de dividendos (dividend yields) que variam, refletindo a importância dos fluxos de rendas na sua rentabilidade".


Sim, o negócio dos fundos imobiliários é alugar edifícios, mais de serviços,incluindo logística, que de habitação porque o negócio do arrendamento habitacional é um negócio altamente desequilibrado a favor do inquilino, tornando-o pouco interessante para investidores que apenas procuram aplicações de capital.


"O bem continua a valorizar não se detiora e poupa-se a maçada de ter de correr com o inquilino. Não estou a fazer juízos de valor, é parece-me, uma estratégia como outra qualquer Era óbvio, mas quando se tem zero vontade de ver algo para além da bolha de conhecimento...".


Resumindo, há quem defenda que é um negócio fantástico entesourar capital em compras de casas e depois esperar que elas se valorizem, mantendo-as vazias porque o mercado de arrendamento é o que é em Portugal, vendendo-as mais tarde.


Uma coisa é uma família de emigrantes comprar uma casa de recuo, que usa pontualmente, ou uma família de classe média comprar uma casa de férias, mantendo-a vazia a maior parte do tempo, ou mesmo um casal remediado comprar uma casa para garantir uma casa futura para um filho, mantendo-a vazia grande parte do tempo e, mais tarde, porque as circunstâncias (pessoais ou de mercado) se alteram, vender para realizar mais valias (e, no entretanto, talvez alugar se o preço compensar e se conseguir garantir a confiança no inquilino).


Isto não é uma estratégia de investimento, é uma estratégia de protecção da poupança, porque a realidade é que o mesmo capital, investido em qualquer coisa que gerasse 5% ao ano (em termos reais, descontemos a inflação) sempre capitalizados, seria uma decisão de investimento bem mais racional, dependendo, naturalmente, do perfil de risco do investidor.


Acresce que essa tolice do mercado estar inundado de pessoas que compram casas para as deixar vazia à espera que valorizem tem o pequeno problema de não ter qualquer demonstração empírica nos dados estatísticos, quer os de compra e venda de casas (maioritariamente entre famílias, com algumas sendo comprador numas transações e vendedor noutras), quer os de crédito bancário.


Não, meus caros, por mais fantasias que repitam, o problema é relativamente simples: há mais procura que oferta, o que pressiona os preços para cima e a solução é aumentar a oferta, quer equilibrando o mercado de arrendamento, o que significa tomar medidas de protecção dos senhorios contra abusos dos inquilinos, quer construindo mais casas.


O resto é só o resto.

27 comentários:

  1. os pequenos e médios investidores procuram os bancos para ''depósitos de valores''.
    receiam: ocupas, dificuldades de despejos ...
    nos comentários ideológicos  permanecerão eternamente conceitos desatualizados: esquerda-direita / ocidente-oriente.
    cada um vê o que pretende. 

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  2. como temos pela frente guerras sem fim à vista desarmada, 

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  3. Um tratado de bom senso e sabedoria 

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  4. A população aumentou ao ponto de gerar uma crise ... perdão, um problema na habitação através do aumento da procura?


    Se não fosse a imigração, a população até teria diminuido.


    Mas enfim, só acredita quem quer. 


    A meu ver, não faltam casas, falta sim capacidade de lhes aceder seja pela via da compra ou do arrendamento

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  5. O hps tem toda a razão.
    Habitação só representa 6,6% do investimento que os fundos fazem em arrendamento é título do Público em Abril, e o Público tem certamente mais credibilidade que um qualquer comentador de blogs.
    Também tem razão quando diz ser impossível que uma pessoa individual ou colectiva comprasse um imóvel, e mantivesse vazio um ou dois anos com a expectativa dele, juntamente com a zona, valorizar. É uma perfeita tolice, sem qualquer prova factual.

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  6. A propósito da pergunta normal "qual é a vantagem de manter um investimento sem gerar rendimento, à espera que o bem se valorize?",


    que pretende pôr em evidência o absurdo da ideia de que os preços sobem por causa da voracidade dos capitalistas que se precipitam a comprar casas, recorrendo a crédito, à espera que atinjam valores estratosféricos para as vender

    Essa conclusão é sua. Claramente influenciada pela ideologia, ou narcisismo, que não permite ver que um problema pode ter mais que uma causa, e portanto não tem uma solução única, recorrendo por isso à hipérbole como meio de ganhar o pretenso debate, usando termos nunca referidos como "precipitam a" ou "voracidade". Foi referido apenas que comprar um imóvel, mantê-lo algum tempo, e vendê-lo é um bom investimento (e dá mais que 5% ao ano, especialmente se a compra for feita pré-construção), e que há quem o faça, Fundos incluídos. Não compõem generalidade do mercado, não são "a" causa da subida de preços, apenas existem. Mas como hoje em dia é complicado dizer, se calhar têm alguma razão nisso, e eu não sou dono monopolista da verdade, sai mais uma rabeada.

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  7. Nunca disse que é impossível, digo que tem um peso residual no mercado de compra e venda de habitação.
    Vamos então a um exercício.
    Nos últimos dois anos as casas, em Lisboa, valorizaram entre 5 e 7% ao ano.
    Mas...
    Os custos de transacção andam entre os 5 e os 10% do valor do imóvel, logo, a esses 14% de valorização em dois anos (usei o intervalo mais favorável ao seu argumento), terá de deduzir 5% do custo de transação (usei o valor mais favorável ao seu argumento), ou seja, uma valorização, em dois anos, de 9%, 4,5% ao ano, na melhor das hipóteses (na verdade, a situação é muito pior porque fez duas transações, embora os custos como vendedor e como comprador sejam muito diferentes).
    Mas como teve uma mais valia relevante, o Estado cobra-lhe uma comissão de 25% sobre o lucro, ou seja, já vai aí nos 3,5% ao ano, ou menos.
    Eu diria que, se fosse a si, estudava bem o assunto antes de empatar milhares de euros no negócio de comprar casas e vendê-las dois anos depois.

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  8. Ver o comentário anterior, para evitar repetir-me

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  9. Obrigado pela partilha 


    Nada a acrescentar, ou vírgula a mudar, ficou tudo dito para quem quiser ouvir. Os restantes podem sintonizar a SiCN enquanto folheiam o Público e ouvem o Observador. 

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  10. Inteiramente de acordo.


    Se a coisa está fora de alcance; 


    Pouco importa se são os preços que estão altos ou a carteira que está baixinha e escassa.

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  11. Tem razão. Até porque em Lisboa (e só há Lisboa) todos os bairros têm a mesma percentagem de valorização.

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  12. Caro HPS 


    Parece que o colega comentador (16:44) tem no mínimo bastante  razão.


    Lembrei-me de perguntar ao camarada Google porque aumentam os Preços da Habitação, acima do Poder de Compra !


    E não é que a resposta do rapaz é pode dizer-se, uma síntese do que aqui tem sido dito pela que quase generalidade dos comentadores ?!!

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  13. Não, não têm, e daí?
    Não acha que está a levar a teimosia longe de mais?
    Só se pode discutir em termos gerais e tendo a informação que existe, se a cada novo argumento vem com uma nova hipótese sem qualquer base, não vamos a lado nenhum.

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  14. Já fiz um post com perguntas feitas por quem saiba ao chatgpt.
    Se faz perguntas abertas, sem grande consistência, o que obtém é o que é dito por aí, ou seja, o que escrevi no título do post, repetições de mitos permanentes, mesmo que não tenham base factual nenhuma, como não têm.

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  15. Claro que o Público tem credibilidade.


     Daí a reconhcer-lhe imunidade ao erro, ou direito a asinhas brancas incondicionais, vai uma certa distância.


    Consta aliás que á diretivas internas incentivando os jornalistas a pedirem desculpa do erro, quando for o caso.

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  16. Obrigado pelo pressuposto da inconsistência.

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  17. Tem toda a razão,  mais uma vez.
    O chatgpt e o google estão programados para dar respostas consoante o algoritmo pré -definido por quem faz as perguntas. Evidentemente que um socialista obtém as respostas adequadas ao que a sua ideologia identifica. 
    Não se desvie um cm da Razão,  não há uma vírgula a mudar no seu discurso. 

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  18. Bem visto
    O chatgpt é infalível,  mas é preciso saber direccioná-lo para se basear em fontrs factuais e credíveis em vez de ir "ler" os Públicos da bmvida 

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  19. É sempre bom ler um debate entre um profissional da área com experiência e apoiado por ferramentas,  e um conjunto de estatistas profissionais do bitaite

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  20. Pois.


    E temos ainda os profissionais Acácios


    Em qual das categorias acha você que se encaixa  ?

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  21. Sou um mero amador, daí ler os diálogos,  na expectativa de aprender com quem sabe da coisa. Já vocemecê, pelo comentário, parece ter nascido ensinado. 

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  22. Olhe que não China os resultados parecem bastante positivos.

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  23. Depende do que chama positivo. Viver numa ditadura nunca é positivo. Se isso é bom para si, caro acólito da fé, imigre para um desses paraísos.

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  24.  Pois eu já experimentei o Chat GPT.


    Sobre Questões factuais ele safa-se muitíssimo bem.


    Quando se entra em subjectividades ele fica políticamente correcto, mas nunca detetei ideologias.








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  25. Chamo positivo a coisas género, ser a meio do séc. XX uma economia ainda quase pré industrial e no início do séc. seguinte (pouco mais de meio século) estar em vias de ser a primeira economia mundial 


    Chamo positivo a terem colocado a instrução, prosperidade e bem estar da população como objectivo,  utilizando a economia como meio.


    Chamo positivo ao terem posto a funcionar um sistema onde as assimetrias funcionam no sentido do bem comum.


    Também chamo positivo (e parece-me este o aspecto mais relevante) o facto de  desde o início da presente fase, terem esclarecido logo, que não pretendem impor o seu modelo a ninguém.


    Sabe ?! 


    Num mundo onde os democracias deram tanta importância á conversão dos infiéis, á força se preciso, não deixa de ser refrescante ver alguém que só quer fazer negócio.

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  26. a solução é aumentar a oferta


    No atual estado da situação, aumentar a oferta fará sobretudo aumentar a quantidade de casas desocupadas que pessoas acumulam como forma de aforro.


    O que é necessário são medidas que liberalizem fortemente o arrendamento, por forma a que boa parte dessas casas que estão aforradas possam ser arrendadas.


    A partir do momento em que um senhorio possa despejar o inquilino mal o contrato de arrendamento termine ou mal o inquilino deixe de pagar a renda, as pessoas que têm casas desocupadas terão segurança para as arrendar. Algumas não o farão, mas muitas outras fá-lo-ão.

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