domingo, 28 de dezembro de 2025

Sobre maternidades

O Observador (mas peças do mesmo tipo podem-se encontrar frequentemente noutros orgãos de comunicação social) fez um artigo interessante com o título: "Hospitais privados já fazem 39 partos por dia e são responsáveis por 31% dos nascimentos na região de Lisboa".


Um leitor que não parta do mesmo ponto de vista do jornalista, isto é, um leitor que jamais escreveria aquele "já" no título, pergunta-se qual é a questão dos privados fazerem mais ou menos partos que os prestadores de serviços estatais.


Não é que a informação, bem como outras informações na notícia ("um parto pode custar entre os três e os nove mil euros, consoante seja parto normal ou cesariana, com ou sem seguro de saúde, mas a procura não pára de aumentar") não seja relevante, mas para o tal leitor que parte de um ponto de vista diferente, o jornalista esqueceu-se do que seria socialmente mais útil.


Primeiro o jornalista só fala do custo do parto numa instituição privada, não fala no custo numa instituição do Estado, o que permitiria discutir quem é mais eficiente (ou, pelo menos, começar essa discussão).


Depois o jornalista não perde grande tempo em saber por que razão alguém que tem disponível um serviço gratuito, decide pagar para obter o mesmo serviço pagando.


Acresce que o jornalista descreve com clareza a situação "na região de Lisboa e Vale do Tejo — onde a falta de médicos obstetras e o encerramento de urgências obstétricas mais se têm feito sentir — o peso dos hospitais privados é muito maior: nesta região, são responsáveis por 31% do total de partos" mas evita dar o passo seguinte, tirando a conclusão lógica mais relevante: sem a actividade assistencial dos privados, a situação nas instituições estatais seria muito pior visto que haveria quase mais vinte por cento de partos a fazer por um sistema que está rebentar pelas costuras com os outros quatro quintos.


Finalmente o jornalista não explora a sua frase "há cada vez mais mulheres, particularmente das classes economicamente mais favorecidas" para realçar o resultado prático das políticas públicas de saúde existentes em Portugal: uma saúde para ricos e outra para pobres.


É por isso que aquele "já" do título nunca deveria lá estar, porque introduz ruído desnecessário na discussão necessária sobre um verdadeiro sistema nacional de saúde que integre a actividade privada e evite a situação dual que hoje existe, impedindo os pobres de escolher.


A discussão da eficiência é relevante (é preciso fazer mais com menos), a situação dual de uma saúde para ricos e outra para pobres é relevante, saber se o dono das paredes da sala de partos é o Estado ou um privado, é completamente irrelevante.

24 comentários:

  1. Um amanuense a "aviar uma encomenda"  (ideológica).
    Nada a ver com jornalismo.
    Juromenha

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  2. Caro João Távora 


    Se entrar no Santa Maria e no Hospital da Luz vê logo porque mesmo em os Pobres podendo escolher, iriam maioritariamente ao Santa Maria.


    E a maioria dos "Ricos" á Luz.

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  3. Os pobres também deviam ter liberdade de escolha noutros domínios da vida. Onde passar férias, por exemplo, benéficas que elas são para a saúde dos trabalhadores, colaboradores incluídos. Ou, mais prosaicamente, na escolha da habitação, a base material de uma existência digna.

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  4. se o dono das paredes da sala de partos é o Estado ou um privado


    Não é somente dono das paredes, é também dono das máquinas e dos serviços.
    E nessa matéria, das máquinas e dos serviços, os hospitais públicos estão geralmente bem melhor apetrechados do que os privados.

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  5. E têm o poder de escolher as férias onde querem, como qualquer outra pessoa. Escolhem em função do que querem pagar e do que pretendem obter.
    No nosso sistema de saúde, não, os ricos podem escolher, mas os pobres não podem porque o Estado só lhes garante uma maior capacidade de pagar, se forem atendidos nuns sítios e não nos outros, obrigando-os, na prática, a serem atendidos num sítio em vez de outro.

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  6. Vejo que está como o jornalista: qualquer pessoa pode escolher um serviço melhor, sem pagar, mas ainda assim paga para ter um serviço pior, e isso não lhe cria nenhuma curiosidade em perceber porquê.

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  7. o estado não presta ... serviços em condições aceitáveis para os contribuintes privados ... de tudo.
    1/3 dos Portugueses tem seguro de saúde. os funcionários públicos têm tratamento nos privados via ADSE.
    o sns serve os restantes e o 1,6 milhões de imigrantes que pensara encontrar aqui o EL DORADO.
    as tevezinhas informaram que na noite de Natal dos 5 bébés nascidos 2 eram de estrangeiras com nomes impronunciáveis. também só falam do hospital Amadora-Sintra.
    vamos de vento em proa.

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  8. E para além disso o Atendimento e Assistência são, por regra mais competentes, atenciosos e humanizados, que no Privado.


    Nestes, os Privados, há uma frieza que causa arrepios.


    Logo na recepção o olho "clínico" da recepcionista, avalia o cliente, mede-lhe capacidade da bolsa, e em função disso, doseia cuidadosamente a qualidade do atendimento.


    Quando o plafond do Seguro é atingido acaba-se o tratamento que isto não são as Carmelitas Descalças e o senhor faça o favor de ir pedir sopa para outro lado.


    Eu cá se fosse o Gov. Separava com muito cuidadinho as Águas e cortava pela raiz;


    Se prefere o Privado, nada a obstar. 


    Mas quando esgotar o Plafond da apólicezinha, o amigo está por sua conta e esqueça o Publico.

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  9. isso não lhe cria nenhuma curiosidade em perceber porquê


    Pois não.


    Sempre estive convicto de que a generalidade dos meus concidadãos são parvos e nunca estive muito virado para seguir as suas escolhas como sendo racionais.


    Uma pessoa inteligente está-se nas tintas para o que as outras fazem.



    Tenho dois filhos e em ambos os casos a minha mulher nem quis ouvir falar de maternidades privadas: a mais segura é a maternidade pública.

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  10. Caro Anómino, porque não propõe ao Partido avançar com a criação de um SNF — Serviço Nacional de Férias? Assim, o Estado, garantiria Férias condignas aos "pobres"... 

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  11. Caro M Sousa


    Até nem era mal pensado e muito provávelmente, o resultado seria amplamente positivo.


    Uma Sociedade em que uns, muitos vezes por pura sorte, acaso de nascimento ou indiscutível mérito próprio, são favorecidos e tem caminho aberto.


    Outros, por azar, incompetência ou muito simplesmente, porque nasceram com competências, que a sociedade não valoriza, serem condenados ao caminho das pedras, não parece lá de grande justiça.


    Sobretudo numa Sociedade que diz valorizar a solidariedade, a igualdade e a equanimidade.


    Aceitar que as coisas sejam como são e recusar que possam ser melhoradas não me parece de um grande humanismo.


    Bem vistas as coisas, já foi muitíssimo pior e se chegamos aqui por que não continuar?




    Por que recusar que o Mundo possa ser melhor ? 


    Porque não um mundo melhor para todos ??

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  12. "o sns serve os restantes e o 1,6 milhões de imigrantes que pensara encontrar aqui o EL DORADO"


    Desde o governo do auto-denominado engenheiro Sócrates Pinto de Sousa que os imigrantes para obterem autorização de residência é OBRIGATÓRIO possuírem seguro de saúde.
    Dizem-me que na CGD há muito tempo que na abertura de uma conta bancária para cidadão estrangeiro é vendido no pacote um seguro de saúde, há objectivos para os bancários venderem seguros e com objectivos não se brinca.
    Portanto a citação acima é uma estupidez, a maioria dos estrangeiros LEGALIZADOS têm seguro de saúde, desconta, paga impostos mas não utiliza o SNS.

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  13. De acordo, deveria ser possível fazer opt out do SNS com o desconto respectivo no IRS. O orçamento da Saúde ronda os 17MM€.
    Cada cidadão que fizesse opt out teria um desconto em impostos de 1700€ ano ou canalizar esse valor para a ADSE.


    Se é assim tão bom não precisa de ser obrigatório 

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  14. Caro anómimo, quem paga os serviços públicos, assim como toda a despesa pública, são os contribuintes (privados) através dos impostos. Esta conversa de publicas virtudes versus privados vicios, não passa de sinalização e virtude (habitualmente de quem pouca terá). Assim como revela uma linha argumentativa ao nível da indigência dos debates futebolisticos.

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  15. o Atendimento e Assistência são, por regra mais competentes, atenciosos e humanizados, que no Privado


    Recentemente foi-me diagnosticada, num hospital público, uma doença grave.


    Por prudência, e uma vez que tenho ADSE, recorri então, também, em paralelo ao hospital público, a um hospital privado, no qual me fizeram exames e fui a consultas.


    Posso confirmar a frase acima: o atendimento no hospital público foi mais atencioso e mais humano do que no privado. As médicas (quase todas mulheres, diga-se) do hospital público mostraram-se pesarosas com a minha doença, procuraram consolar-me, exlicar-me a doença e as hipóteses de cura, etc; no privado (que tinha instalações maravilhosas) a frieza reinou.


    É só um testemunho, não pretendo generalizar.

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  16. Completamente de acordo. E, já agora, como propõe João Vieira, um Ferrari para todos, direito a garantir pelo SNF — Serviço Nacional de Felicidade, um alargamento de âmbito —  com o patrocinio de Harry Potter, e do encantado mundo socialista para tótós, onde o Estafo tudo garante a todos sem esforço.

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  17. (Depois quando o "Kraft Durch Freude" ficar fora de moda, faz-se uma actualização para Aproveitamento de Tempos Livres.)

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  18. Hh pssnte, ms deve ser difícil penetrr no crânio do nónimo cim...

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  19. Já falei com o Ventura e ele prometeu-me que, caso seja eleito Presidente, vai tratar do assunto. Esteja atento à lista de inscrições.

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  20. Já reparou que em tantas linhas não disse nada ?

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  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...