O Observador (mas peças do mesmo tipo podem-se encontrar frequentemente noutros orgãos de comunicação social) fez um artigo interessante com o título: "Hospitais privados já fazem 39 partos por dia e são responsáveis por 31% dos nascimentos na região de Lisboa".
Um leitor que não parta do mesmo ponto de vista do jornalista, isto é, um leitor que jamais escreveria aquele "já" no título, pergunta-se qual é a questão dos privados fazerem mais ou menos partos que os prestadores de serviços estatais.
Não é que a informação, bem como outras informações na notícia ("um parto pode custar entre os três e os nove mil euros, consoante seja parto normal ou cesariana, com ou sem seguro de saúde, mas a procura não pára de aumentar") não seja relevante, mas para o tal leitor que parte de um ponto de vista diferente, o jornalista esqueceu-se do que seria socialmente mais útil.
Primeiro o jornalista só fala do custo do parto numa instituição privada, não fala no custo numa instituição do Estado, o que permitiria discutir quem é mais eficiente (ou, pelo menos, começar essa discussão).
Depois o jornalista não perde grande tempo em saber por que razão alguém que tem disponível um serviço gratuito, decide pagar para obter o mesmo serviço pagando.
Acresce que o jornalista descreve com clareza a situação "na região de Lisboa e Vale do Tejo — onde a falta de médicos obstetras e o encerramento de urgências obstétricas mais se têm feito sentir — o peso dos hospitais privados é muito maior: nesta região, são responsáveis por 31% do total de partos" mas evita dar o passo seguinte, tirando a conclusão lógica mais relevante: sem a actividade assistencial dos privados, a situação nas instituições estatais seria muito pior visto que haveria quase mais vinte por cento de partos a fazer por um sistema que está rebentar pelas costuras com os outros quatro quintos.
Finalmente o jornalista não explora a sua frase "há cada vez mais mulheres, particularmente das classes economicamente mais favorecidas" para realçar o resultado prático das políticas públicas de saúde existentes em Portugal: uma saúde para ricos e outra para pobres.
É por isso que aquele "já" do título nunca deveria lá estar, porque introduz ruído desnecessário na discussão necessária sobre um verdadeiro sistema nacional de saúde que integre a actividade privada e evite a situação dual que hoje existe, impedindo os pobres de escolher.
A discussão da eficiência é relevante (é preciso fazer mais com menos), a situação dual de uma saúde para ricos e outra para pobres é relevante, saber se o dono das paredes da sala de partos é o Estado ou um privado, é completamente irrelevante.
Um amanuense a "aviar uma encomenda" (ideológica).
ResponderEliminarNada a ver com jornalismo.
Juromenha
Caro João Távora
ResponderEliminarSe entrar no Santa Maria e no Hospital da Luz vê logo porque mesmo em os Pobres podendo escolher, iriam maioritariamente ao Santa Maria.
E a maioria dos "Ricos" á Luz.
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ResponderEliminarOs pobres também deviam ter liberdade de escolha noutros domínios da vida. Onde passar férias, por exemplo, benéficas que elas são para a saúde dos trabalhadores, colaboradores incluídos. Ou, mais prosaicamente, na escolha da habitação, a base material de uma existência digna.
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ResponderEliminarse o dono das paredes da sala de partos é o Estado ou um privado
Não é somente dono das paredes, é também dono das máquinas e dos serviços.
E nessa matéria, das máquinas e dos serviços, os hospitais públicos estão geralmente bem melhor apetrechados do que os privados.
E têm o poder de escolher as férias onde querem, como qualquer outra pessoa. Escolhem em função do que querem pagar e do que pretendem obter.
ResponderEliminarNo nosso sistema de saúde, não, os ricos podem escolher, mas os pobres não podem porque o Estado só lhes garante uma maior capacidade de pagar, se forem atendidos nuns sítios e não nos outros, obrigando-os, na prática, a serem atendidos num sítio em vez de outro.
Vejo que está como o jornalista: qualquer pessoa pode escolher um serviço melhor, sem pagar, mas ainda assim paga para ter um serviço pior, e isso não lhe cria nenhuma curiosidade em perceber porquê.
ResponderEliminar“
ResponderEliminaro estado não presta ... serviços em condições aceitáveis para os contribuintes privados ... de tudo.
ResponderEliminar1/3 dos Portugueses tem seguro de saúde. os funcionários públicos têm tratamento nos privados via ADSE.
o sns serve os restantes e o 1,6 milhões de imigrantes que pensara encontrar aqui o EL DORADO.
as tevezinhas informaram que na noite de Natal dos 5 bébés nascidos 2 eram de estrangeiras com nomes impronunciáveis. também só falam do hospital Amadora-Sintra.
vamos de vento em proa.
E para além disso o Atendimento e Assistência são, por regra mais competentes, atenciosos e humanizados, que no Privado.
ResponderEliminarNestes, os Privados, há uma frieza que causa arrepios.
Logo na recepção o olho "clínico" da recepcionista, avalia o cliente, mede-lhe capacidade da bolsa, e em função disso, doseia cuidadosamente a qualidade do atendimento.
Quando o plafond do Seguro é atingido acaba-se o tratamento que isto não são as Carmelitas Descalças e o senhor faça o favor de ir pedir sopa para outro lado.
Eu cá se fosse o Gov. Separava com muito cuidadinho as Águas e cortava pela raiz;
Se prefere o Privado, nada a obstar.
Mas quando esgotar o Plafond da apólicezinha, o amigo está por sua conta e esqueça o Publico.
ResponderEliminarisso não lhe cria nenhuma curiosidade em perceber porquê
Pois não.
Sempre estive convicto de que a generalidade dos meus concidadãos são parvos e nunca estive muito virado para seguir as suas escolhas como sendo racionais.
Uma pessoa inteligente está-se nas tintas para o que as outras fazem.
Tenho dois filhos e em ambos os casos a minha mulher nem quis ouvir falar de maternidades privadas: a mais segura é a maternidade pública.
Caro Anómino, porque não propõe ao Partido avançar com a criação de um SNF — Serviço Nacional de Férias? Assim, o Estado, garantiria Férias condignas aos "pobres"...
ResponderEliminarCaro M Sousa
ResponderEliminarAté nem era mal pensado e muito provávelmente, o resultado seria amplamente positivo.
Uma Sociedade em que uns, muitos vezes por pura sorte, acaso de nascimento ou indiscutível mérito próprio, são favorecidos e tem caminho aberto.
Outros, por azar, incompetência ou muito simplesmente, porque nasceram com competências, que a sociedade não valoriza, serem condenados ao caminho das pedras, não parece lá de grande justiça.
Sobretudo numa Sociedade que diz valorizar a solidariedade, a igualdade e a equanimidade.
Aceitar que as coisas sejam como são e recusar que possam ser melhoradas não me parece de um grande humanismo.
Bem vistas as coisas, já foi muitíssimo pior e se chegamos aqui por que não continuar?
Por que recusar que o Mundo possa ser melhor ?
Porque não um mundo melhor para todos ??
"o sns serve os restantes e o 1,6 milhões de imigrantes que pensara encontrar aqui o EL DORADO"
ResponderEliminarDesde o governo do auto-denominado engenheiro Sócrates Pinto de Sousa que os imigrantes para obterem autorização de residência é OBRIGATÓRIO possuírem seguro de saúde.
Dizem-me que na CGD há muito tempo que na abertura de uma conta bancária para cidadão estrangeiro é vendido no pacote um seguro de saúde, há objectivos para os bancários venderem seguros e com objectivos não se brinca.
Portanto a citação acima é uma estupidez, a maioria dos estrangeiros LEGALIZADOS têm seguro de saúde, desconta, paga impostos mas não utiliza o SNS.
De acordo, deveria ser possível fazer opt out do SNS com o desconto respectivo no IRS. O orçamento da Saúde ronda os 17MM€.
ResponderEliminarCada cidadão que fizesse opt out teria um desconto em impostos de 1700€ ano ou canalizar esse valor para a ADSE.
Se é assim tão bom não precisa de ser obrigatório
Caro anómimo, quem paga os serviços públicos, assim como toda a despesa pública, são os contribuintes (privados) através dos impostos. Esta conversa de publicas virtudes versus privados vicios, não passa de sinalização e virtude (habitualmente de quem pouca terá). Assim como revela uma linha argumentativa ao nível da indigência dos debates futebolisticos.
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ResponderEliminaro Atendimento e Assistência são, por regra mais competentes, atenciosos e humanizados, que no Privado
Recentemente foi-me diagnosticada, num hospital público, uma doença grave.
Por prudência, e uma vez que tenho ADSE, recorri então, também, em paralelo ao hospital público, a um hospital privado, no qual me fizeram exames e fui a consultas.
Posso confirmar a frase acima: o atendimento no hospital público foi mais atencioso e mais humano do que no privado. As médicas (quase todas mulheres, diga-se) do hospital público mostraram-se pesarosas com a minha doença, procuraram consolar-me, exlicar-me a doença e as hipóteses de cura, etc; no privado (que tinha instalações maravilhosas) a frieza reinou.
É só um testemunho, não pretendo generalizar.
Completamente de acordo. E, já agora, como propõe João Vieira, um Ferrari para todos, direito a garantir pelo SNF — Serviço Nacional de Felicidade, um alargamento de âmbito — com o patrocinio de Harry Potter, e do encantado mundo socialista para tótós, onde o Estafo tudo garante a todos sem esforço.
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ResponderEliminar(Depois quando o "Kraft Durch Freude" ficar fora de moda, faz-se uma actualização para Aproveitamento de Tempos Livres.)
Hh pssnte, ms deve ser difícil penetrr no crânio do nónimo cim...
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ResponderEliminarJá falei com o Ventura e ele prometeu-me que, caso seja eleito Presidente, vai tratar do assunto. Esteja atento à lista de inscrições.
ResponderEliminarJá reparou que em tantas linhas não disse nada ?
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