quarta-feira, 9 de abril de 2025

Governar para poucos

Um dos slogans do PS para estas eleições é o de que a direita governa para poucos e o PS para todos, dando como exemplo a proposta de redução do IRC (governar para poucos) por contraponto ao IVA zero do cabaz alimentar (governar para todos).


Confesso que não percebo a lógica interna do argumento visto que, nos dois casos, se trata de uma redução de impostos, acreditando o PS que se os donos das empresas virem reduzido o IRC, metem o dinheiro ao bolso, mas se virem reduzido o IVA, evitam meter o dinheiro ao bolso e reflectem a sua redução do preço de venda (são os mesmos donos das mesmas empresas, no caso de um dos sectores sempre usados como exemplo, a grande distribuição).


Afastada esta pequena perplexidade dos empresários que ora se preocupam em enriquecer, ora se preocupam em distribuir, conforme o imposto que sobe ou desce, o facto é que é um argumento de campanha que é bem capaz de ter alguma eficácia eleitoral (desde que não seja António Mendonça Mendes a apresentá-lo, ninguém confia num olhar tão esquivo e tão teatralmente sincero, parece o sorriso schrodinger de Mariana Mortágua, que ora aparece e desaparece da sua cara sem qualquer relação com a realidade envolvente).


É que, em Portugal, há uma forte tendência sociológica contra as grandes empresas e o lucro, mesmo que seja evidente que as empresas crescem porque têm lucros e que são as maiores empresas que pagam melhores salários, dão melhores condições de trabalho aos seus trabalhadores, pagam mais impostos, são responsáveis por produzir mais inovação e têm mais clientes.


Não vou enumerar aqui a fundamentação do que disse, até porque já chamei a atenção para um prefácio de Vítor Bento em que está tudo muito bem explicadinho com os números todos certinhos.


Nem o livro de Nuno Palma que, apesar de boicotado por alguns jornalistas de referência, foi um enorme êxito editorial, me leva a ter esperança de que as coisas tenham mudado muito neste aspecto.


Uma das razões para não ter a mínima esperança de que as coisas tenham mudado muito é que grande parte da imprensa continua ferreamente empenhada em impedir que os factos influenciem as suas ideias.


E, por isso, continua "a alimentar o mito de que o lucro é o roubo da mais valia do trabalhador, sistematicamente atacado com base no populismo de esquerda que consiste em falar de "lucros milionários", "economia de casino" e outras patetices só tem o resultado que conhecemos: baixos salários e uma economia pouco interessante, pouco criativa e pouco remuneradora de trabalho e capital".


O que permite ao PS vender a banha da cobra de que baixar o IRC beneficia poucos, sem escrutínio sério por parte do jornalismo.

5 comentários:

  1. Um dos slogans do PS para estas eleições é o de que a direita governa para poucos e o PS para todos...".
    Sabemos bem que quem governa governa para os seus, poucos ou todos. O único receio é serem apanhados pela CS adeversa.

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  2. Com uma base cultural marxocatólica, onde é cultivada a inveja e o ódio por quem ganha dinheiro, é impossível reformar Portugal ...

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  3. A maioria dos jornalistas tugas seriam Fascistas se conhecessem  História e fãs da "Socialização da Economia" do Nicola Bombacci... mas claro o ensino da História por cá é todo censurado.

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  4. Em Portugal o mercado livre não funciona. Logo, quem trabalha no privado nada decide.
    Tudo depende do Estado, seja por subsídios (incluindo Europeus, como bem afirma Palma no seu livro), seja por salários directos e indirectos.
    Enquanto a máquina estatal não for desmantelada, as eleições são decididas por funcionários públicos e reformados. E o PS apela a esses grupos, logo ganha eleições. E fazem bem, se o sistema está montado para eles, só têm de o usar.

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  5. Para a mentira ser segura tem de trazer alguma verdade à mistura, não é ?



    Quando se reduz o IRC está-se a reduzir os impostos a alguns (apenas as empresas). Quando se reduz o IVA está-se a reduzir os impostos a todos (empresas *e* cidadãos).


    Esta é a verdade que vem misturada com a mentira de que no caso do IRC, as empresas embolsam o lucro (e depois ? É delas, que façam o que bem lhes apetecer) e no caso do IVA vão baixar os preços (como ? Se o IVA vai para o Estado).


    Com papas e bolos....

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