quinta-feira, 10 de abril de 2025

O grande capital (remix)

Vai fazer no dia 19 um ano que fiz um post em que dizia que a existência do órgão oficial da esquerda anti-capitalista, o jornal Público, devia a sua existência ao grande capital que combate denodadamente.


Não vou por isso repetir a argumentação dos efeitos negativos que resultam para Portugal da forte presença, no espaço público, de gente que continua convencida de que "o grande capital/ É o tal do gostinho especial/ Gosto a limão, gosto a cereja/ Gosto à opressão numa bandeja/ Gosto à opressão numa bandeja".


Não é que ainda militem em partidos esquerdistas dominados pela paranóia da revolução de massas, pelo contrário, defendem que todos têm direito "a uma vida boa", expressão que, na altura em que a música que serve de mote a este post foi feita corresponderia a uma imediata condenação por desvio pequeno-burguês.


O facto é que sempre que alguém tenta olhar para o sério problema de escassez de capital em Portugal, desatam em coro a protestar e lá vem a conversa de treta sobre governar para poucos, lucros milionários, borlas fiscais e inanidades do género.


Quando Ventura diz as coisas que diz, há reacção, e bem, de jornalistas, por exemplo, Ventura diz que estamos perto de ter 20% da população constituída por imigrantes, e logo o jornalista esclarece o público que o número conhecido actualmente está nos 14,5%.


Mas se Tavares e o PS falam da herança social, raros são os jornalistas que perguntam qual é a utilidade social de ter os da metade de baixo a financiar uma herança para os da metade de cima, mesmo que não seja maioritário o financiamento vindo de baixo.


Os impostos e, dentro destes, os impostos sobre o capital, são uma das áreas mais mal tratadas pelo jornalismo que, aparentemente, não sabem que o capital é o factor de produção, como o trabalho, e resulta da poupança, isto é, da restrição voluntária do consumo que permite a acumulação que está na base do investimento.


E pronto, é este o ponto em que estamos, continuando a combater o grande capital, ao mesmo tempo que nos queixamos das empresas portuguesas só conseguirem sobreviver em sectores de baixa rentabilidade, com base em baixos salários.

18 comentários:


  1. o capital [...] resulta da poupança, isto é, da restrição voluntária do consumo


    (1) Voluntária ou involuntária. Em muitos casos, a acumulação de capital é feita forçando as pessoas a restringir, involuntariamente, o consumo.


    (2) A poupança não é necessariamente feita no país. Pode entrar capital estrangeiro, resultante de poupança feita fora do país.


    (3) Numa era de dinheiro fiduciário, como a atual, o capital pode, até certo ponto, ser gerado não mediante poupança, mas mediante criação de dinheiro pelos bancos privados.

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  2. os sovietes da esquerda preferem o capitalismo de estado que levou à implosão da urss.

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  3. O problema em Portugal é que não existe só esquerda anti capitalista, existem ainda católicos anti capitalistas, aristocratas anti capitalistas, direita anti capitalista e depois uma boa parte do grupo de pessoas que escolheu carreiras no estado e em profissões sem acesso ao lucro que por interesse imediato estão contra   . 
    O òdio ao "lucro", concepção Marxista e depois continuada no Fascismo ( o Italiano)  que o lucro é algo mau. quando na verdade admirável, pois é  fundamental para criar eficiencia que nos dá a redundância de recursos que nos faz não morrer á fome e ao frio.


    Vamos levar um estaladão  imenso da Ásia com esta estupidez.
    Só aí talvez a pior profissão que existe vai abandonar o seu Marxo-Fascismo.

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  4. O problema em Portugal é que sempre que temos grande capital privado temos asneira. O BES era privado, a privatização da Telecom acabou por levar à falência da empresa, a ANA foi concessionada a privados, o que está a inviabilizar o novo aeroporto e a encarecer as taxas de aeroporto. Quanto às médias empresas, o seu modelo de negócio assenta essencialmente em menos impostos e salários baixos.

    O lucro das empresas é utilizado para pagar dividendos e algumas campanhas partidárias, reinvestir não está nos objetivos.

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  5. O post seria totalmente verídico se o capital estivesse ao serviço da economia, como uma qualquer ferramenta,  e não ao serviço da finança. UsA e Europa adoptaram o modelo de capitalismo financeiro, agora finalmente (e por causa de Trump, não porque aprenderam algo) querem regressar ao modelo produtivo.

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  6. Excelente texto, nada a discordar

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  7. O sr Sanchez (que não gosta do capitalismo ocidental, e menos ainda do capitalismo de Trump) já foi à China pactuar(em nome da Espanha e da UE digo eu) com o capitalismo de Estado chinês. 

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  8. agora finalmente querem regressar ao modelo produtivo


    Pois.


    Durante a pandemia decobriram que eram incapazes de produzir máscaras cirúrgicas, álcool-gel e ventiladores em quantidade minimamente suficiente.


    Durante a guerra na Ucrânia descobriram que são incapazes de produzir obuses para canhão e mísseis anti-aéreos em quantidade minimamente suficiente.


    Estas duas duras lições não foram suficentes. Foi preciso vir Trump.


    Infelizmente, atualmente já nem mesmo um país de tradição industrial como a Alemanha forma engenheiros em número suficiente para ser capaz de desenvolver mais a sua produção industrial. Quanto aos EUA, são um caso perdido sob esse ponto de vista.


    A economia de produção encontra-se agora na China, na Rússia, no Vietname, etc. No "Ocidente" está pela hora da morte.

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  9. o Ocidente aceitou serviços e finança.
    Futuros, swap, fundos de investimento.

    E acrescentar que os bancos evitam capitalizar pequenas empresas, pois têm mais retorno investindo em "produtos".
    Agora há que aceitar o papel dominante na China no capital (imperialismo puro e duro em que compram tudo e mais alguma coisa), na logística e na tecnologia. Sim, já nos passaram à frente. Mas certamente a culpa é dos progressistas de esquerda, e dos benefícios sociais europeus pagos pelo taxpayer americano.


    PS: Não deixa de ser engraçado ver o Tubarão O'Leary a falar mal da China e da dependência, quando lá no programa dele pergunta sempre se não podiam ter melhores margens (e só dá guito com boas margens, claro) indo para a China.

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  10. A Telecom não faliu foi um negócio feito pelo governo português com os brasileiros que  acabou por ser o pior negocio para Portugal na era da democracia. Mais uma medalha negra no currículo da governação socialista. 
    O que está ou tem inviabilizado o novo aeroporto não é ANA, é incompetência dos governos portugueses nomeadamente os socialistas visto que dos últimos 30 anos governaram 22.
     Eu não digo que sempre que temos capital privado temos asneira digo antes que  sempre que temos governo socialista temos asneira e da grossa!

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  11. O Sanchez quer o poder do PCC, não quer a parte da liberdade económica na China. 
    Ele provavelmente deve julgar que a produção da Xiaomi é decidida por uns sábios do partido e não uma infusão cultural de fazer, criar, competir que vem logo desde o nascimento. Note como a musica clássica ocidental é importante como método de aprendizagem e concluir um projecto.
    A Europa nunca deixou de sofrer de dirigismite aguda.

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  12. Pois, mas atenção que o problema (de Espanha e da Europa ocidental) não é "apenas" o Sanchismo/socialismo com tendência pro-China, tomem atenção a este video  :


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  13. Não sei se aplicar tarifas a todos os parceiros, manter espinha de aço, enxovalhar os outros, e um dia depois protelar tarifas se pode considerar estratégia.

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  14. O Dr Musk já se pegou com o Navarro Retardo, pois como homem de negócios percebeu que esta guerra não tem só como consequência imediata aumento de custos de produção, e preços, mas também uma possível quebra nas cadeias logísticas. Sim, a China pode simplesmente dizer: não querem comprar? Tudo bem. Não esquecer que a China não é uma democracia, e podem (que remédio) bem aguentar 4 anos de privação. O mesmo não se aplica ao Ocidente, ainda mais numa sociedade que só conhece o conforto, execptuando
     a malta do leste europeu.

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  15. Capital resulta da poupança,  mas também do investimento. Investir em acções, fundos, swap, futuros e activos financeiros resulta em mais capital.

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  16. Dizer o óbvio é necessário, principalmente quando grande parte da população e dos agentes mediáticos ignoram e fazem por ignorar os factos,mas não é suficiente. 


    O que está Trump realmente a tentar obter com as tarifas? (No contexto da luta contra o globalismo económico e político e não "apenas" no imediato resultado financeiro)
    Canal Pablo Munoz Iturrieta


    https://youtu.be/TygFQhEuQRc?si=VD47rkKiB7uv-3Ss
     
     
    O plano oculto de Trump que os média não querem que se saiba e estão todo o tempo a tentar distorcer:
    Y si el verdadero plan de Trump no fuera una guerra comercial, sino una estrategia global para redefinir el poder económico y recuperar el control productivo de EE.UU.? Descubre cómo este giro impacta al mundo y a tu bolsillo.(canal Daniel Lacalle) 


    https://youtu.be/UOCDzZIHay0?si=aYOpdNzOJS8srsy_

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