Há uns dias ligaram-me da TSF a pedir para entrar num programa que iam fazer sobre abate de jacarandás.
Tinha visto vagamente uns títulos de jornais sobre uma oposição qualquer ao abate de jacarandás num sítio qualquer, que me pareceu semelhante a muitas outras ao longo destes anos sobre abate de árvores aqui e ali, mas nem tinha lido as notícias e portanto não fazia ideia do assunto e não tinha grande vontade de me ir informar sobre este abate em concreto, pensando que se trataria de mais uma manifestação de "paz e amor" (árvores, animais, pobrezinhos, crianças, refugiados, imigrantes, o assunto concreto vai variando, mas a base emocional é sempre a mesma), sem qualquer interesse prático.
Disse à TSF que eu não seria de grande utilidade no programa, que provavelmente iria para lá dizer que abatam as árvores que for preciso e plantem outras quando justificado, o que não me parecia uma opinião especialmente relevante nem original.
Depois foi o Observador a pedir-me para estar num Contra-corrente que na altura nem percebi bem que tema tinha, mas lá entrei, para repetir, pela enésima vez, a minha opinião negativa em relação à quantidade de reaccionários, partidários da democracia directa desde que sejam eles a decidir, que os jornais acolhem e que são contra tudo o que mexe, uns imobilistas de todo o tamanho.
Ontem foi uma amiga minha da adolescência que me perguntou se eu iria à sessão de hoje da Câmara Municipal de Lisboa, sobre os jacarandás, esperando ela que eu fosse reforçar o grupo da sensatez do público, numa sessão que, pelo que percebo, tem tudo para ser um festival de demagogia e ignorância (ao pé dos activistas de muitas destas causas fofinhas, o populismo do Chega é uma brincadeira de crianças).
Hoje um artigo de opinião no Público, de umas pessoas que assinam como vereadores do Livre na Câmara Municipal de Lisboa, em que os vultos do Livre defendem o modelo urbano do século XIX como orientação para a gestão urbana da Lisboa de 2015, e se acham muito moderninhos.
Não vou a sessão nenhuma e verdadeiramente o que me irrita nisto é a complacência dos poderes legitimados democraticamente perante estes demagogos que não percebem nada dos assuntos de que falam, mas têm "o coração cheio de fúria e amor", o que os leva a assinar petições, fazer manifestações e bloquear qualquer mudança do seu mundinho, sempre com as mais altas e nobres justificações (os pândegos do Livre falam no valor do ecossistema associado a árvores de arruamento em zonas densamente urbanizadas, como se se tratasse do colosso de Rhodes cujo desaparecimento seria preciso evitar, para benefício da humanidade inteira per omnia saecula saeculorum).
Para mim, a coisa é simples: Moedas que se deixe de ter medo dos eleitores e execute o seu programa, quem acha que Lisboa em 2025 deve ser gerida com os modelos de gestão urbana do século XIX (que, já agora, cortava árvores a torto e a direito e fez expandir Lisboa por uma das áreas ecologicamente mais ricas da envolvente da cidade, o planalto de bons solos e água abundante que englobava os campos pequeno e grande), que se apresente a eleições e as ganhe.
Era o que mais faltava que nós, os eleitores, estivéssemos reféns destes "pilares das pontes do tédio" que, por não ter mais nada que fazer, se apaixonam ora por árvores, ora por animais, ora por pedras, seja pelo que for, e pretendem fazer atalhos aos processos democráticos de decisão para impor a toda a gente a sua visão imobilista do mundo.
o problema de Moedas reside no facto de não ter maioria na assembleia.
ResponderEliminaro Pan tem 0,5% de intenções de voto e o Livre 5,5%. esta gente tem necessidade,
Muito bem HPS.
ResponderEliminarComo hilariantemente o António Nogueira Leite publicou no X, trocaram o culto a "Iemanjá" pelo do Jacarandá.
Esta gente não se enxerga mesmo e pior nem têm a noção do ridículo.
,
Plenamente de acordo com a sua visão dsobre este tema.
ResponderEliminarSUBSCREVO. RETRÓGRADOS HÁ MUITOS E CHEIOS DE CONVERSA DA TRETA
ResponderEliminarUma boa ideia seria aqueles urbanicos colarem-se ao jacarandas.
ResponderEliminarsempre original assistir a alguém que fala do que não sabe, é preconceituoso, e que defende que a democracia é uma carta branca ao executivo que nem tem de escutar a população..
ResponderEliminarAh, como eram bons outros tempos...
Cheiro a bafio, naftalina este post e respectivos comentários, mas a democracia é isto mesmo.
ResponderEliminarLOL,
"
Caro X, vejo que apesar de se apresentar como o legítimo representante do povo, o faz anonimamente, mas deixemos esse pormenor.
ResponderEliminarSim, a Democracia representativa implica ouvir as pessoas, as pessoas todas, incluindo as que protestam, mas a atribuição do poder de decidir não se faz medindo os decibéis de cada manifestação, faz-se com eleições.
Candidate-se, ganhe as eleições, e aplique o seu programa.
Tenho a dizer-lhe que fazer ataques pessoais baseados em coisa nenhuma, em vez de responder a argumentos, é uma técnica velha e relha, não tem ponta de originalidade.
ResponderEliminarVamos então a argumentos.
Quer responder-me quais são os valores ecológicos que são afectados com o corte de árvores de arruamento (esqueçamos que são exóticas) em zonas densamente urbanizadas, para começar?
O País dos jacarandás. Dos patéticos e dos pasquins.
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ResponderEliminarMoedas foi eleito, democraticamente, tem mandato popular para concretizar as suas medidas de governção.
O resto é marxismo disfarçado de democracia, sendo que "democracia" é apenas fazer o que eles, marxistas, acham que deve ser feito. Não é à toa que adoram referendos, até ao momento em que os começam a perder, aí preferem a representação parlamentar, desde que tenham a maioria.
Abaixo os jacarandás,, servem zero a população de Lisboa e do país.
Portugal precisa é de um DOGE!
Completamente de acordo consigo. Afinal não eram só os taxistas.
ResponderEliminarComeça logo pelo mau exemplo que damos às novas gerações. Como arquitecto paisagísta também quer falar das podas assassinas que a câmara faz por toda a cidade através de contratos com empresas "credenciadas"?
ResponderEliminarConfesso que não percebi o seu comentário.
ResponderEliminarO que tem a minha opinião técnica sobre a gestão do arvoredo urbano em cada câmara do país com o post?
Já agora, porque me parece haver alguma confusão da sua parte, a arquitectura paisagista é a arte de ordenar o espaço exterior em relação ao homem, não é nenhum movimento infantil de defesa de árvores velhas.
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ResponderEliminara arquitectura paisagista é a arte de ordenar o espaço exterior em relação ao homem
Pois, e colocar árvores ao longo das ruas é precisamente isso mesmo.
Especialmente quando essas árvores dão flores bonitas numa certa época do ano, dando às ruas valor paisagístico que agrada a muitas pessoas.
Ou seja, os jacarandás na avenida 5 de Outubro nada têm a ver com conservação da natureza, mas devem ter muito a ver (creio eu) com arquitetura paisagista.
Por isso a opinião do Henrique sobre eles é potencialmente relevante.
ResponderEliminarMoedas foi eleito, democraticamente, tem mandato popular para concretizar as suas medidas de governção.
É verdade. Mas alguma das medidas previstas no programa de Moedas dizia respeito àquele parque de estacionamento?
Que eu saiba, aquele parque de estacionamento é um projeto já com alguns anos, no qual a administração Moedas pegou a meio. Não é uma medida de governação prevista no programa de Moedas.
Mas posso estar enganado.
Totalmente de acordo com o artigo, haja alguém com 5 dedos de testa. Farto de tanta demagogia barata, como diz e bem, Moedas sem medos, afinal a maioria votou nele, não no Livre, ou noutros semelhantes no pensamento retrógado. Para a frente é o caminho, o futuro.
ResponderEliminarQuando os que estavam na sessão de esclarecimento da CML, juntamente com os "arautos da moralidade e ética republicana" formarem a Associação para o Salvamento da Fauna e Flora Aquática do Mar do Japão e se indignarem e se manifestarem na rua contra os testes dos misseis balísticos da Coreia do Norte no mesmo Mar do Japão eu acorrento-me imediatamente num jacarandá ( apesar dos mais de 300Km de distancia). Dissimulados, são incapazes de assumir que se trata apenas de achincalhamento político básico e não a preocupação com os jacarandás. Até porque se assim fosse possivelmente já teriam pedido para os mesmos voltarem para a sua terra nativa de onde foram "roubados" por colonialistas criminosos e imorais. Enfim...
ResponderEliminarFartei-me de rir com o texto. Um homem a escrever sobre algo que manifestamente desconhece....
ResponderEliminarPode ser, ou não ser. Tal como tirar árvores pode ser, ou não ser.
ResponderEliminarDou-lhe um exemplo: eu sou das poucas pessoas que conheço que publica a reiteradamente tem defendido a arborização do Terreiro do Paço, que acho um espaço hostil e inóspito.
Com este tipo de comentário, caro Pedro S, vê-se mesmo que lhe falta um "N" entre o "Pedro" e o "S"... Ou então faltam-lhe as penas ...
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ResponderEliminarEu desconheço os jacarandás da avenida 5 de Outubro.
Conheço os jacarandás da rua Almirante Barroso. A minha opinião sobre eles não é positiva. É verdade que em maio têm umas flores bonitas. Mas é durante um período breve - durante o resto do ano todo são árvores feiosas e desengraçadas. Além disso, no período em que dão flor largam também uma pasta viscosa sobre a rua, que emporcalha os sapatos de quem anda por ela e dificulta o andar, porque os sapatos se colam ao passeio.
Prefiro árvores como lódãos ou plátanos.
Não entendo porque têm os jacarandás tantos adeptos.
Quem considera ser a "população de Lisboa e do país" a quem não servem? Porque se há tantas pessoas contra o abatimento dos jacarandás, entre as quais me incluo, é precisamente porque lhes servem. Fora a necessidade natural de qualquer ser vivo em habitar junto de elementos naturais, de mais a mais em cidades cada vez mais populosas e poluídas, os tais jacarandás foram lá plantados intencionalmente e dão vida, alegria, bem-estar e saúde a uma avenida frequentadíssima. Se isso não for "servir a população", não sei o que seja.
ResponderEliminarA minha sugestão é que faça uma lista de pessoas, se candidate, ganhe a câmara e aplique o seu programa de gestão do arvoredo.
ResponderEliminarSe me permite, gostaria só de a informar que, quer queira, quer não queira, dentro de alguns anos aquelas árvores vão morrer.
O post do arquitecto H.P.S foca várias questões qual delas com mais interesse. Da parte política tem toda a razão os eleitos devem seguir e assumir o seu programa executando-o e continuar a assegurar e respeitar os compromissos que os executivos anteriores formalizaram com entidades públicas ou privadas como é o presente caso ,senão quem paga a indemnização por impossibilidade de obra se realizar ? Serão os ativistas? Serão todos os que assinaram o baixo assinado? Ou serão todos os contribuintes de Portugal que infelizmente não podem desfrutar de tal encanto?
ResponderEliminarNo que toca às árvores nas cidades apenas tenho opinião baseada na experiência de utente da cidade e ela é negativa em haver arvores nos passeios já que tornam um perigo o caminhar especialmente os mais idosos na altura das chuvas da queda das folhas dos frutos para alem de nos vendavais poderem ser arrancadas e cair sobre os carros casas e pessoas.
As cidades devem poder desenvolver-se e oferecer a todos serviços de mais qualidade e infraestruturas necessárias como parques de estaciionamento quem ama a natureza faz como eu sai da cidade e vai para o campo
Subscrevo
ResponderEliminarAcham que agora a populaça faz uns abaixo-assinados ou manifs e as coisas acontecem como querem
Democracia representativa
Plantem um jacaranda nas traseiras.
Sevo homem que escreve, com currículo e carreira comprovada na área, desconhece, faça o favor de esclarecer, por quem é.
ResponderEliminarMais um episódio representativo da saloiada tipicamente tuga. Há algumas décadas, algum iluminado lembrou-se de plantar arvores que nada têm a ver com o nosso país e muito menos com o ambiente de cidade, dada a gosma que libertam e estraga pinturas de carros e demais superfícies onde se deixe permanecer. Agora há outros iluminados a defender a manutenção da aberração. Portugal no seu melhor
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ResponderEliminarIsso mesmo. E também o país dos adultos que se comportam como crianças, dos mimados, dos não assuntos e das não notícias, da censura, da diversão, do "lixo" e da manipulação. Nos blogues vemos comentadores que parece brincarem aos comentários. Os comentários tal como os textos, devem ter um objetivo prático.
ResponderEliminarNão é o caso deste até porque faz criticas, mas o seu último parágrafo também serve para muitos textos nos blogues. São "lixo".
ResponderEliminarConcordo com as criticas. A humanidade está a retroceder. E há uma frase que explica o problema. "Tempos fáceis criam homens fracos..." Sem qualquer interesse prático são a maior parte dos assuntos e das notícias.
Eu?! Representante do povo? Pelo contrário, esse papel está descrito no seu texto, onde assume saber o que pensar os eleitores.
ResponderEliminarA sua visão de democracia é tão limitada que nem vale a pena continuar a perder tempo.
Saudações, e boa sorte para a sua eleição,a té lá, espero nunca o ver numa manif, que pelos vistos isso conta pouco.
A minha sugestão é que se informe, nomeadamente da legislação, isto se acredita num Estado de Direito.
ResponderEliminarTudo morre, alguns já morreram e nem se aperceberam.
Essa frase de como eram bons outros tempos define tudo aquilo que o X representa este também achava os outros tempos uma maravilha.
ResponderEliminarSegundo consta no portal do SAPO, pela mão da imparcial agente informativa Joana Petiz, o presidente da CML arrepiou caminho e só vai ordenar o transplante de três árvores. Mais, no mesmo comunicado adiantou que “Quanto a toda a restante intervenção para este eixo, foi pedido um novo esforço de reavaliação por parte dos serviços técnicos da Autarquia e do Promotor do Projecto, procurando perceber se existe mais alguma possibilidade exequível que não tenha sido devidamente equacionada." Equacionada? Devidamente?
ResponderEliminarImagino que como autor do post tenha ficado algo desiludido com a falta de fibra política do ex-futuro candidato a presidente do PSD. Talvez, com um pouco de sorte para Lisboa, a TSF, e Observador e o estímulo da amiga de adolescência para participar num
Vejo que tem um problema com a leitura.
ResponderEliminarLimitei-me a dizer que a gestão é feita por quem ganha as eleições, não discuti qual deveria ser a gestão (matéria para a qual me falta muita informação para ter opinião).
A minha sugestão é a de que apresente uma queixa nos tribunais, se acha que há decisões ilegais.
ResponderEliminarE esse objectivo prático é...
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ResponderEliminarDesconheço o que possa a aplicar e em que níveis a esta espécie em concreto, mas os argumentos para a manutenção/multiplicação de árvores no espaço urbano são várias:
Arrefecimento dos pavimentosProdução de oxigénio
Remoção de poluentes do ar (desconheço se se verifica com esta espécie em concreto), filtrando emissões dos carros
Filtração de água do subsolo
Saúde mental (sim, o bem-estar é importante)
Buffer de ruído
Obrigado por trazer argumentos racionais que podem ser discutidos civilizadamente.
ResponderEliminar1) Arrefecimento dos pavimentos: pode ser feito com qualquer tipo de sombra, árvores ou não, adultas ou não, portanto, cortar as que lá estão e pôr outras não é nenhuma questão desse ponto de vista (muito menos naquela rua, é um argumento mais sério no Terreiro do Paço, por exemplo);
2) Produção de oxigénio: completamente irrelevante, à escala desta dezena de árvores, mas tanto pode acontece com árvores adultas como com as novas;
3) Remoção de poluentes do ar: irrelevante, à escala deste número de árvores, em qualquer caso, tanto ocorre com árvores novas como velhas (as novas até têm as copas a alturas mais úteis para esse efeito);
4) Filtração da água do sub-solo: a filtração de água é feita pelo solo, as raízes das plantas são praticamente irrelevantes nessa matéria;
5) Saúde mental: isso é, essencialmente, uma questão de qualidade do espaço, e não da presença ou ausência de árvores;
6) Buffer de ruído: é um mito muito difundido, mas sem base científica.
A minha vénia! Às vezes penso que está toda a gente maluca e estes textos servem para me tranquilizar, ainda há quem tenha bom senso em Portugal.
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