Toda a gente que trabalha em gestão de risco sabe que não há risco zero e que é preciso fazer, permanentemente, as contas aos prejuízos e benefícios de cada medida tomada para diminuir um risco (por exemplo, para reduzir o risco de exposição indevida de dados pessoais, a União Europeia criou um Regulamento Geral de Protecção de Dados, diz Pedro Mota Soares, "O cumprimento do RGPD, por exemplo, reduziu os lucros das pequenas tecnológicas europeias quase em 12%").
Como trabalho em conservação da natureza e estive muito envolvido em avaliação de impacte ambiental, tenho uma percepção muito aguda de como as boas intenções associadas à procura do risco zero podem conduzir a péssimas soluções (talvez por ter essa percepção, desde muito cedo protestei com a falta de ponderação das medidas não farmacêuticas adoptadas na gestão associada à Covid).
Agora resolveram aplicar o princípio do risco zero à corrupção, quer na discussão na alteração da legislação dos instrumentos de gestão territorial, quer na insistência com que continuam a tentar inventar um caso a propósito da empresa de Montenegro.
Tirem o cavalinho da chuva, não há risco zero e as tentativas de reduzir o risco a zero só dá asneira.
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