“Os turistas gostam de Banglatown como nós, quando vamos a Manhattan, gostamos de ir a Chinatown e a Little Italy.”, escrevia Bárbara Reis num artigo em que descrevia um passeio que tinha ido dar à rua do Benformoso, no fim do Verão.
Não sei quem é o "nós" a que se refere Bárbara Reis, suponho que se esteja a referir à sua família ou, no máximo, à pequeníssima minoria de portugueses que vai a Manhattan dar passeios a Chinatown e Little Italy.
Nesse pequeno grupo estarão muitos dos que, entre ontem e hoje, resolveram indignar-se com uma operação policial exactamente nessa rua, operação policial em tudo semelhante a dezenas de outras, apesar de haver muito quem ache que foi uma coisa nunca vista (ouvir aqui o que me levou a fazer a pesquisa para que ligo acima).
O problema é que a sua opinião, como a minha, tem pouco interesse nesta discussão, a mim também me faz confusão o aparato policial (ali ou num jogo de futebol, há muitos anos que não vou a jogo nenhum de futebol, mas dizem-me que há revistas generalizadas sem que seja preciso haver qualquer suspeição sobre a pessoa em concreta), mas reconheço que há um conflito de direitos, o meu direito a não ser importunado pelos agentes do Estado sem razão concreta, e o direito de todos a estar em ambientes seguros, e percebidos como seguros, o que pode implicar situações como as que se verificam à entrada dos jogos de futebol.
Portanto, na discussão sobre a proporcionalidade dos meios usados pela polícia nas operações policiais, o que verdadeiramente interessa são as opiniões de dois grupos de pessoas: 1) os que são importunados pela polícia; 2) os que se queixam de que o ambiente em que vivem não é seguro.
A lei, aparentemente, tenta conciliar os dois direitos ao dar à polícia o direito de importunar pessoas sem suspeita concreta, mas apenas quando estejam reunidos um conjunto de pressuposto, por exemplo, o histórico de criminalidade da zona em que a polícia pretende actuar.
É por isso que o argumento de que actuar de uma determinada forma numa zona concreta é discriminatório porque a polícia não actua da mesma maneira em todo o lado (faz mais rusgas no bairro do Lagarteiro que na Foz ou na Avenida dos Aliados) é um argumento tonto, é a lei (e, já agora, o bom senso) que obriga a polícia a actuar de forma diferente em diferentes circunstâncias.
Do ponto de vista das elites que se horrorizam por haver pessoas revistadas de acordo com os protocolos de segurança que existem (e que existem porque o passado ensinou que há riscos que podem ser evitados aplicando estas e aquelas regras), o que inclui os jornalistas que quando vão a Manhattan gostam de ir passear a Chinatown e a Little Italy e, por isso, quando não têm assunto para o jornal e estão em Lisboa (córror, ter de passar tanto tempo na piolheira) vão dar passeios à Rua do Benformoso, o dia a dia das pessoas que todos os dias vivem na rua do Benformoso, e arredores, não existe.
Querem escrever sobre bairros problemáticos, sobre a sobrelotação das casas na Mouraria, sobre as condições de alojamento dos trabalhadores das estufas de Odemira, sobre o trabalho sazonal na agricultura?
Acho óptimo, e agradeço que escrevam.
Não se esqueçam é de ir lá muitas vezes, almoçar aqui e ali, tomar café com a frequência necessária para criar laços, passarem por lá às duas e três da manhã, dormirem uma noite ou outra por lá, saírem de casa à hora a que saem as mães e os pais dos miúdos que andam ao Deus dará todo o dia em muitos desses sítios e depois, mas só depois, escrevam sobre as pessoas com quem se cruzaram.
Dar grandes passeios à rua do Benformoso é suficiente para a literatura de viagens, mas não deveria ser suficiente para jornalistas e outros membros das elites que nos pastoreiam.
ResponderEliminarQuantos dos inumeráveis ofendidos, pelas imagens da acção policial na Rua do Benformoso, teriam passado por lá esta semana?. Este mês, este ano?. Terão a mínima ideia aonde é aquela rua?. Do que se passa por ali, de dia e de noite?.
Tais comentários, claramente anti acção da polícia, têm um inequívoco travo a pessoal PS e dependentes.
Apenas o usual clubismo político, "quem não é do Benfica...".
Simplificando: quando esta gente que vive numa bolha elitista e virtual, desconhecendo o mundo real, acha que contactar com a "ralé" ( a qual despreza mas lhe serve para justificar activismos e ideologias) se limita, no seu mundo tonto e fútil, a "dar passeios em Chinatown" for assaltada ou sofrer algum tipo de violência nestes e noutros bairros ou cidades, que chamem o Batman, o Homem-aranha e, as senhoras, a Mulher-maravilha. Se não chegar, podem cantar o "Imagine" todos de mãos dadas e lançar pombas brancas dizendo, aos tremeliques, que não têm medo.
ResponderEliminarAs pessoas reais começam a ficar fartas destes elitistas de alguidar, imbecis que se acham moralmente superiores, vomitando sentimentalismo mas sem compromisso e que abrem a boca para dizer baboseiras, com as bundas gordas sentadas em boas poltronas, falando entre eles e achando que o mundo gira no eixo Lapa-Belém.
Eu já fui encostado a uma parede, estava descansado numa esplanada e a policia apareceu. Não gostei, mas compreendi, na mesa ao meu lado estavam 2 traficantes de droga e de não sei mais o quê. Passei pelo processo sem mácula, a policia tem que agir e por vezes temos de compreender.
ResponderEliminarParece-me que actualmente (e de há uns anos valentes para cá) é mais no eixo P.real/largo do Rato-Belém .
ResponderEliminarO que se tem passado de dia e de noite (e muitas coisas não são reportadas) nessa zona no último ano está reportado num jornal (o qual é criticado por muitos devido a reportar a realidade que outros não reportam) chamado CM. Só um exemplo, na noite de Santo António dois rapazes foram esfaquiados na zona Mouraria/Martim Moniz por não aceitarem comprar droga a grupo que os abordou na rua quando regressavam do arraial,um deles desfigurado e outro em risco de vida. Alguém aqui ouviu alguma coisa vindo dos "profissionais" das indignações? Há também o caso do barman do hotel mundial em Março, quem quiser que faça pesquisa num motor de busca.
ResponderEliminarontem a 'fina flor' da esquerda distribuiu cravos na rua do Benformoso, onde deviam morar para saber o que é ter-se tornado no Bangladesh.
ResponderEliminarSubscrevo
ResponderEliminarNa linha dos que gostam dos sns, escola pública, banco público, águas públicas, mas que usam privado porque é a única coisa que funciona e tem qualidade. Idealizam um mundo, mas para os "outros", eles vivem nos seus condóminos fechados.
ResponderEliminarContinua
Ainda deprime mais esta indignação encenada ser acerca de nada, pois é isso que valem estes mega-operações. Certamente que não se venderia droga na Marquês de Ponte da Lima se lá parassem ou passassem regularmente polícias. Mas isso não acontecia, nem quando havia uma esquadra na entrada da Rua da Severa, quanto mais agora que fechou. O polícia de rua passou a ser uma raridade, salvo junto a supermercados, ourivesarias e obras. Onde estão, o que estão a fazer, porque não fecham um supermercado da droga aberto (que eu veja, há 20 anos) no mesmo sítio, no centro de Lisboa é mais um mistério da nossa administração pública.
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ResponderEliminarJá lá passei em dia de rusga há cerca de 2 anos(no meu caminho para a baixa tive de virar para o Martim Moniz via rua dos Cavaleiros evitando entrar na dita rua M ponte lima)e passados dois dias estava lá na esquina um controlador/ dealer novamente a ver se vinha outra rusga .Portanto tudo como dantes em abrantes.
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ResponderEliminarhttps://observador.pt/opiniao/a-invencao-dum-caso/
ResponderEliminarhttps://www.rtp.pt/noticias/pais/pseudo-arrastao-de-ha-um-ano-em-carcavelos-em-analise-quinta-feira_n32061 (https://www.rtp.pt/noticias/pais/pseudo-arrastao-de-ha-um-ano-em-carcavelos-em-analise-quinta-feira_n32061)
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