Tudo isto tem uma história. Nos meados do século XIX, fora das áreas de cultivo, Portugal tinha uma paisagem de areais, charnecas e cumeadas nuas, muito adequada para impressionar os estrangeiros pela poeira que era capaz de produzir. Foi essa desolação que o Estado decidiu alcatifar de árvores. Para não demorar, escolheu espécies de crescimento rápido, como o pinheiro e mais tarde o eucalipto. Os primeiros incêndios foram atribuídos à má vontade dos pastores, que não gostaram de ver os serviços florestais vedarem as serras e os baldios para onde levavam os rebanhos. No fim do século XX, a revolução florestal cruzou-se com o êxodo rural: às árvores do Estado, juntou-se o matagal sempre em expansão dos campos abandonados. Num país de Verões quentes e ventosos, com um relevo de acesso difícil, o resultado foi os fogos tornarem-se tão recorrentes no Verão como a gripe no Outono. (...)
A demagogia adora planos tonitruantes – prisões em massa, novas revoluções florestais. Não recomendo que se deixe tudo na mesma. Mas não seria preferível começar por apurar estratégias com o objectivo mais realista de, em caso de incêndio, proteger povoações, garantir vias de comunicação, e salvaguardar o património natural valioso? Para isso, porém, teremos talvez de desaprender a lição do velho Marx, e compenetrar-nos de que convém compreender o mundo antes de tentar transformá-lo.
Rui Ramos no Observador
ResponderEliminarA maior parte da florestação de Portugal não foi efetuada pelo Estado e sim por privados. Aliás, a imensa maior parte da floresta portuguesa tem proprietários privados.
Também foram os privados quem escolheu preferencialmente (no Norte e no Centro) espécies de crescimento rápido.
O pinheiro não é uma espécie de crescimento propriamente rápido, demora uns bons 40 anos a ficar pronto para corte, comparado com os 12 anos de um eucalipto ou um choupo.
Estranho...não foi no tempo do Estado Novo que arborizaram o país? Que história é essa de Marx? O homem também foi ministro de Salazar?
ResponderEliminaronde entra a ideologia e a ignorância estraga-se o país e a paisagem.
ResponderEliminarentregue à esquerda a CS desinforma e contrainforma.
gostei de ouvir os comentários da Anabela.
Arrium porrrium
ResponderEliminar"A demagogia adora planos tonitruantes – prisões em massa, novas revoluções florestais"
Eu aqui discordo em parte do Rui Ramos. Sim, boa parte dos maluquinhos no parlamento adorariam mandar para o Campo Pequeno, quem eles consideram culpados pelos incêndios.
Mas o outro lado da moeda é que se os culpados dos incêndios são "os grandes interesses do capital/eucaliptal/minas/etc" então não é necessário gastar tempo a compreender o mundo. A teoria da conspiração é a cábula dos políticos preguiçosos.
ResponderEliminar"... teremos talvez de desaprender a lição do velho Marx..."
Muito pelo contrário, as lições de Marx são verdadeiras lições, têm de ser aprendidas para fazer exactamente o contrário que Marx defendia.
Marx defendia o aumento gradual (para passarem despercebidos) dos impostos, e é isso que acontece todos os anos com o aumento do salário mínimo (trata-se duma imposição, logo é um imposto).
O que há a fazer é exactamente o contrário que é o de abolir o salário mínimo.
Com mais outras reformas estruturais como a liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos, que são outra redução significativa dos impostos haveria muito mais condições para o repovoamento do interior e para o aproveitamento por parte da população mais efectivo sobre as actividades do sector primário e dos recursos naturais do interior nomeadamente as florestas.
Não é por acaso que grande parte da floresta portuguesa é constituída por eucaliptos, isto é, por uma espécie de crescimento rápido. Os privados, que são quem efetua a florestação, privilegia, naturalmente, extrair rapidamente valor dela - o que só é possível com eucaliptos ou choupos, que estão prontos para corte daí a somente 12 anos. (Os choupos só crescem em solos bastante húmidos, são casos particulares.) Em países nos quais a floresta pertence predominantemente ao Estado - a maior parte dos países desenvolvidos - este pode dar-se ao luxo de plantar árvores de crescimento lento. Os privados, geralmente, não podem ou não querem.
ResponderEliminarE?
ResponderEliminarDO ICNF
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ResponderEliminarA área de floresta(1000ha) era de:
No ano de 1902 de 1957 No ano de 1966 de 2825
No ano de 1989 de 3085
E andamos acima de 3000 desde aí.
ResponderEliminarClaro que plantam eucaliptos. Se não plantarem eucaliptos, qual o rendimento que tiram das terras? Nas zonas onde não existe regadio se não forem eucaliptos plantam o quê? Ou plantam eucaliptos ou abandonam a terra ao mato, é simples.
ResponderEliminarQuando era miúdo, e já depois do 25A, um dos empregos da malta do liceu nas semanas seguintes ao fim da escola era ir limpar a mata. Isso ainda se faz?
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ResponderEliminarOu plantam eucaliptos ou abandonam a terra ao mato
Exatamente. Aliás, uma grande vantagem do eucalipto é que cresce muito rapidamente e, ao fazê-lo, combate eficazmente os matos, de tal forma que o proprietário não tem que ir limpar a propriedade. Outras árvores não combatem eficazmente os matos e requerem que o proprietário tenha que limpar a propriedade durante alguns anos antes de elas crescerem.
Também há diferentes espécies de eucalipto. Por exemplo o eucalipto vermelho que é comum é habitualmente considerado de mais baixo valor e não aceite para papel habitualmente.
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