segunda-feira, 29 de julho de 2024

Escolhas

Como não sou muito de ligar aos jogos olímpicos e coisas que tais, nesta discussão sobre a cerimónia de abertura só gastei meia dúzia de minutos num assunto que me interessa, mas pelos vistos interessa pouco à generalidade das pessoas: como foi escolhido o coordenador artístico (ou lá como se chama o cargo)?


Não foi imediato, mas meia dúzia de minutos depois percebi que tinha sido uma escolha discricionária de umas quantas pessoas que analisaram setenta hipóteses (nada contra o método quando não há dinheiro dos contribuintes envolvido, muitas dúvidas quando há dinheiro dos contribuintes envolvido).


Passei à frente e percebi que isto é uma mania minha, a de saber como se fazem escolhas em algumas coisas.


O Público está a publicar quatro artigos sobre florestas em Portugal, com o pretexto de haver um estudo qualquer da NASA que identifica três zonas da Europa em que a floresta não está a fixar carbono, sendo uma delas a zona centro de Portugal.


A explicação parece de lana caprina (grandes incêndios são grandes emissores do carbono antes capturado, portanto, dependendo de onde se começa e acaba a avaliação, assim se vai concluir que fixa ou liberta carbono), mas uma senhora Rita Cruz parece estar convencida de que é tudo por causa do eucalipto (até porque está convencida de que há uma relação entre fogos e eucaliptos).


Como o direito à asneira é sagrado, acho muito bem que a senhora escreva o que entende, mas lá aparece a minha mania: o que faz o Público escolher uma jornalista júnior, sem qualquer ligação relevante à matéria, que vive na Suécia, para escrever sobre isto?


Claro que a direcção do Público nunca responderá a esta questão, e a própria jornalista também nunca responderá a perguntas sobre as razões que a fazem ouvir Francisco Moreira (um biólogo com trabalho de alguma maneira relacionado com o assunto, mas longe de se um especialista em gestão florestal e evolução da paisagem), Miguel Viegas (um veterinário com um doutoramento em economia e um mestrado em treino físico que dá aulas de economia na Universidade de Aveiro, segundo percebi, mas que de estrutura fundiária não faço ideia o que sabe), José Sousa Uva compreende-se, é responsável pelo inventário florestal nacional e Paulo Pimenta de Castro, uma espécie de formiga que aparece em todos os pic-nics sem que ninguém perceba porquê nem como, mas que sobre a matéria sabe tanto como eu sei de lagares de azeite (é florestal, mas a sua actividade profissional sempre foi ser lobista, primeiro do lado dos eucaliptos, depois de ser despedido dessa função, do lado contrário aos eucaliptos).


Pessoas directamente envolvidas na gestão florestal e nas opções, bem como no estudo da matéria, nada ou quase nada.


Por exemplo, se quer falar de estrutura fundiária, por que raio não falou com Pedro Bingre do Amaral, só para dar um exemplo de uma pessoa com quem discordo quase totalmente sobre esta matéria, mas que de facto compreende-se que seja ouvido sobre um assunto que está no centro da sua actividade intelectual há décadas.


Os dois artigos que já foram publicados são uma bela porcaria, mas não é isso que estou a discutir, é mesmo o que se passa antes: como escolhe o Público o que publica e como escolhem os jornalistas as pessoas que ouvem a propósito de um assunto?

7 comentários:

  1. Porque o objectivo da comunicação social não é o de informar, muito menos de esclarecer, o objectivo é criar polémica, manipular a informação, proteger interesses, criar narrativas.

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  2. Sem querer passar nenhum tipo de arrogância ou atrevimento. Conhecendo-se o que se conhece, como se pode esperar critério, responsabilidade, genuinidade e ou credibilidade de um jornal como o Público? Ou da generalidade dos órgãos de comunicação social?


    O problema das florestas e dos incêndios é tão complexo, e simples ao mesmo tempo, que tende a permanecer sem solução. Pelo menos enquanto urbanóides e verde-lavadinhos olharem para o mundo rural com a soberba e os preconceitos de um urbano, viciado em controlar o clima com o comado do ar condicionado e crente que taxando o metano expelido por uma vaca ou boi vai resolver os problemas do clima e da poluição. 


    Com o provas olímpicas em risco por causa da crónica e asquerosa poluição no rio Sena, só posso concluir que há demasiado boi, vaca, cabra, cão e bichano em Paris!

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  3. Infelizmente é verdade. Tornou-se o propósito mais frequente.

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  4. "uma escolha discricionária de umas quantas pessoas que analisaram setenta hipóteses"


    A escolha será do Comité Organizador. Não percebo qual seria a opção... um referendo? Algo parecido com a Eurovisão, júri mais votação do público?
    Quem decidiu achou que a cerimónia seria "inclusiva", visualmente apelativa, e reflecte os ideias olímpicos e do país.

    As decisões ficam com quem as pratica, se a Organização achou que aquilo é o melhor que se tem para oferecer dentro dos objectivos, seja.

    O gosto ou não, é subjectivo. Pessoalmente não gostei do desfile de barcos, e muita gente adorou essa parte (que até obrigou a mudar os regulamentos).



    Diga-se que pior dos Jogos não é aquela cerimónia, é mesmo o Sena.

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  5. Há uns anos um grupo de pessoas (ou melhor, um representante com contactos) abordou um meio de comunicação social, para que pegassem numa história sobre a CP.
    Apareceu um puto, a quem tinham dito o básico sobre o tema, e que depois terá feito zero pesquisa sobre o mesmo. Foi lá fazer umas entrevistas, ao fim do dia escreveu uma peça.
    É mais que "ideologia"

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  6. Entretanto está a acontecer uma comissão (não parlamentar mas no Senado) à séria nos EUA. 
    Se fosse um candidato democrata a ser alvejado(foi dia 13)aposto tudo em como os média ainda estavam (cá e na Europa) a preparar primeiras páginas e aberturas de telejornais. 




    https://youtu.be/_G7Ve8I2Hao?si=1hu7TQdxGlb3MRmp

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