Tentei verificar, ouvindo directamente as declarações, mas não as encontrei, o que encontrei foi a reprodução jornalística em vários sítios, o que, como confirmação, não é suficiente por causa do jornalismo de manada que se pratica.
Admitindo no entanto que Pedro Nuno Santos tenha repetido a idiotice que já Catarina Martins tinha dito num debate - o aborto ilegal chegou a ser a terceira causa de morte prematura em Portugal - isso apenas confirma a ideia de que desde que se confirmem as convicções dos jornalistas, pode-se dizer o que se quiser.
No seu discurso de entronização como Secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos referia-se aos resultados já visíveis do programa +Habitação, falando da maior disponibilidade de casas para arrendamento, sem que a genralidade do jornalismo informasse os seus leitores de que esta afirmação era feita com base num estudo de vão de escada sobre anúncios numa plataforma imobiliária, e não se baseava em nenhum dado fiável.
Em relação ao aborto ilegal como causa de mortalidade materna, pode-se dizer que chegou a ser a terceira causa, sem se sentir a necessidade de esclarecer que essa mortalidade, que era elevadíssima, foi descendo paulatinamente ao longo da primeira metade do século XX à medida que as condições sociais melhoravam, teve depois uma queda brusca, muito acentuada, por volta dos anos 50, quando a generalização dos antibióticos reduziu muito as infecções como causa de morte materna, e depois foi-se reduzindo de forma muito relevante a partir de meados dos anos setenta, à medida que o parto passou a ser um acto médico, medicalizado e feito em estabelecimentos de saúde, e a maternidade passou a ser acompanhada medicamente desde o princípio, de tal modo que nas vésperas da legalização do aborto - 2007 - os números da mortalidade materna se tinham tornado muitíssimo baixos, ao ponto das duas ou três mortes anuais que se poderiam atribuir a abortos clandestinos poderem, ainda assim, ser a terceira causa de mortalidade materna.
Pode dizer-se que essas duas ou três mortes anuais eram excessivas e evitáveis, e só por isso teria valido a pena legalizar o aborto até às 10 semanas, o que não deixa de ser uma estupidez sem nome é dizer que essas duas ou três mortes anuais permitem qualificar o aborto clandestino como a terceira causa de morte prematura em Portugal.
Pedro Nuno Santos, Catarina Martins e outras pessoas podem, no entanto, dizer isto sem que uma parvoíce destas belisque minimamente a sua credibilidade mediática simplesmente porque a esmagadora maioria do jornalismo está de acordo com os fins que se justificam por este meio.
Depois espantam-se com o sucesso dos políticos que, fartos do espartilho mediático, fazem política fora do jornalismo tradicional, contra o jornalismo tradicional e o escrutínio inerente, argumentando, com sucesso, que não vale a pena ler jornais porque o que neles aparece não é o esforço de aproximação à verdade mas sim o esforço de condicionamento da divergência.
ResponderEliminarA primeira vez que ouvi essa frase foi pela Isabel Moreira. Esses devem repeti-la, dando razão à velha anedota do memorando que ia passando pelos tropas até chegar ao presidente.
A questão dos números é sempre colocada em termos absolutos ou percentuais; haver um milhão de pobres tem peso diferente em Portugal ou no Brasil, embora um mihão seja sempre muita gente. Os 15% atribuídos a abortos são aquilo que cada um queira que seja. Muito pior que o 0% (supostamente) actual. É o que é...
Questionar-se-ia mais ninguém perguntar o que é isso da mortalidade prematura, que números eram esses (deverá haver mais mulheres a morrer de acidentes de viação, crimes, ou mesmo cancros, que de abortos, especulo) e de onde vinham. Não só dos jornalistas de "investigação", mas também dos oponentes no tal debate com a Catarina, o que diria muito da preparação dos mesmos.
«SERGE HALIMI PRETENDE denunciar, em Os novos cães de guarda, o que chama de jornalismo de reverência, que seria uma característica do atual jornalismo francês. Para ele, existe uma estreita relação entre o jornalismo e o poder, que se traduz na formação de uma espécie de máfia, integrada por alguns destacados profissionais que não apenas ganham fantásticas fortunas em sua profissão, quanto se repartem restritivamente os espaços, os elogios e, evidentemente, os interesses dos diferentes espaços da mídia francesa
ResponderEliminarO termo certo é mortalidade precoce e é definida como mortalidade abaixo dos 65 anos, de acordo com o INE, se não estou em erro
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ResponderEliminarA criança ser morta é mortalidade precoce também.
Neste caso feita de propósito.
Se a mortalidade precoce é abaixo dos 65 anos há muitas mais razões para mortalidade precoce. acidentes, crimes, cancro, já referidos pelo Anonimus também droga, suicidios, ataques cardíacos, infecções etc. e abortos..
ResponderEliminarO que impressiona é que ninguém da "oposição" conteste isto e sequer o valor disto contra os milhares de crianças mortas pelo aborto.
Quanto ao jornalismo, são activistas, não estão lá para fazer jornalismo estão lá para fazer politica.
Deveria ter sido abortado?
ResponderEliminarda Wiki