sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

As redacções e as elites a trabalhar para André Ventura

Primeiro foi a história da senhora que só queria dar um abraço à menina que estava cercada de agentes da polícia, agora, credo, cruzes, o polícia tirou a arma do coldre só porque estava cercado de vândalos agressivos.


Uma coisa é ser contra a violência policial e ter mão dura contra quem violar as regras que protegem as pessoas da violência injustificada da polícia, outra coisa é partir do princípio de que os polícias são uma espécie de Meninos de Deus, obrigados a comportar-se como Ghandi em todas as circunstâncias.


O que as redacções, os outros partidos, a generalidade das elites têm vindo a fazer é pôr-se do lado dos vândalos contra a polícia, deixando o campo totalmente livre para que André Ventura, ou outro qualquer demagogo, cavalgue o mais que justo sentimento de que a polícia, os professores, os enfermeiros, os médicos, os condutores de autocarros, os fiscais da Carris ou do Metro, os funcionários da secretaria das urgências ou da segurança social estão desprotegidos pelo Estado e pela sociedade face a quem não cumpre e não quer cumprir as regras normais de convivência entre as pessoas.


Bem sei que não é isso que dizem, em tese, pelo contrário, são todos a favor da autoridade abstracta do Estado que cumpre a lei, por acaso são é sempre contra o desgraçado do funcionário que materializa, no caso concreto, esse respeito pela lei ou pelas regras de convivência: com certeza há bons e maus professores, mas a autoridade do professor dentro da sala de aula tem de ser inquestionável, desde que se mantenha dentro do estrito cumprimento das regras.


Os casos excepcionais em que o professor abusa dessa autoridade devem ser exemplarmente punidos, exactamente na medida em que essa autoridade, por regra, deve ser inquestionável e o abuso dessa autoridade é a forma mais corrosiva de a questionar.


Agora partir do princípio de que uma tontinha qualquer tem o direito de ir dar abraços a uma pessoa que está a ser detida, ou que um polícia cercado e insultado ameaçadoramente por um grupo de vândalos deve ser socialmente sancionado por tirar a pistola do coldre, francamente, isso é trabalhar para aumentar a votação de André Ventura.

4 comentários:

  1. Há formas de pensar que revelam muito.
    É uma chatice de mau gosto ir votar no Ventura.
    Os outros são todos uma merda com provas dadas, mas nem pensar em votar no Ventura.
    Votar no Ventura não, isso é ultra extrema direita, mais que fascismo.
    E dizem que desde pequenos são democratas.

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  2. mas afinal quem é demagogo ? os que sistematicamente condenam a policia ao mesmo tempo que inocentam os criminosos, os que dizem na TV sem se rir, que o SNS está preparado para lidar com o Corona Vírus (talvez com chá e bolinhos) ao mesmo tempo que mantém pacientes à espera horas e horas nas urgências, os que antigamente travaram uma barragem pq as gravuras não sabiam nadar e agora querem alterar a lei para fazer o aeroporto num parque reserva natural, os que dizem que a castração química é inconstitucional mas a eutanásia não….ou o André Ventura ? podíamos ficar aqui o resto da semana. O André pode ser muita coisa, mas se for demagogo não destoa da classe politica e jornalística que nos pastoreia. Estar sempre a chamá-lo de demagogo é um pouco como ouvir os insultos da esquerda pós 25 abril ( que duram ainda hoje ), que apelidavam qualquer um que não da sua cor, de fascista.

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  3. A Autoridade do Estado é distribuída por alguns "funcionários" para manter a ordem e defender os restantes cidadãos! Como é possível condenar alguém que está a defender a ordem?

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