domingo, 3 de março de 2019

Domingo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 



Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos a seguinte parábola: «Poderá um cego guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova? O discípulo não é superior ao mestre, mas todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre. Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua? Como podes dizer a teu irmão: ‘Irmão, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista’, se tu não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão. Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. Cada árvore conhece-se pelo seu fruto: não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas das sarças. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal; pois a boca fala do que transborda do coração». 



Palavra da salvação. 

1 comentário:


  1. «"A Ferida dos que nos ferem
    A dada  altura agarramo-nos à dor como se ela fosse um heroísmo e pomo-nos a expor feridas como quem exibe condecorações. A nossa cabeça de pessoas crescidas é complicada. Descobrimos que há um prazer em listar achaques e traições; e, se a minha chaga puder ser maior do que a tua, tanto melhor, isso reforça o meu estatuto…..
    (...)
    ..."Temos duas escolhas : ou permanecemos no barco, temerosos, e arriscamos a afundar-nos  ou sem ter todas as certezas, mas obedecendo ao chamamento da vida, atiramo-nos ao largo. Quem quiser salvar a sua vida tem de aceitar a possibilidade de perdê-la. Só correndo esse risco a salvamos verdadeiramente. A fé não é caminhar num território cheio de garantias, onde tudo está assegurado. «Creio porque é absurdo.» Esta insólita frase, atribuída a Tertuliano, tem alguma coisa a ensinar-nos."


    "Como se víssemos o invisível"

    «Cala e foge.» É um conselho importante, que ajuda a aplanar declives e barreiras -como recomenda o apotegma famoso do padre do deserto…


    Tempo de morrer
    É tão estranho que entre a avalanche de saberes úteis e inúteis que acumulamos uma vida inteira não esteja este: aprender a morrer.

    A vida não é só isto. A morte amplia-a. Revela-lhe um fundo que não vemos. São por isso, tão necessários os versos de Rilke: «Senhor, dá a cada um a sua própria morte./Um morrer que venha dessa vida/que reparta por nós amor, sentido e aflição./ Porque nós somos apenas a casca e a folha./ A grande morte, que cada um traz em si,/ é o fruto à volta do qual tudo gira.»


    ... …
    Os nossos espinhos protegem-nos


    Talvez os milhões de leitores de O principezinho , que dali retiram poesia e esperança, simplesmente ignorem que o lugar mais provável para o início da sua escrita seja uma cama de hospital na cidade de Nova Iorque, onde Saint-Exupéry se recompunha de sequelas complicadas  dos últimos acidentes que havia sofrido. Um amigo tinha-lhe levado uma caixa de aguarelas. Na indefinição daquele exílio americano, preso à solidão de um longo internamento, ele começou a esboçar a parábola do viajante-menino apaixonado pela sua rosa. … …, contudo, ganhamos em não esquecer o contexto de sofrimento, também pessoal, de que Saint- Exupéry parte, mesmo se nos espanta que uma história tão luminosa possa estar ligada a uma experiência de dor.
    Nós não pensamos, mas, como acontece com a rosa, os nossos espinhos protegem-nos …

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