"A nossa história (do Vale d’ Acór que celebra 25 anos por estes dias) é fundamentalmente uma história de insucesso. Das pessoas que vêm ter connosco 70 % não continuam. (…) A Igreja, o Mundo, a comunidade em geral, se não tem pessoas e organizações que se dedicam a acompanhar os que não vão ter sucesso, isso contribui para que isto seja muito mais feio. Se só nos dedicamos à eficácia social, que é uma tentação das organizações, do Estado e não só, no final temos x pessoas que tiveram rendimento escolar; x pessoas que foram reinseridas; x pessoas que são casos de sucesso para serem mostrados. Tudo isso deixa os outros para trás: por muito sujos que estejam, por muito rebentados que sejam, por muito estragados que estejam, são pessoas humanas, e como questão mais poderosa, são nossos irmãos.
(...) As pessoas que recebemos são pessoas a maior parte delas que cresceram no feio, deitam-se no feio, passam o dia no feio. Quem vem à nossa casa reparará que (…) há um cuidado que ela seja uma casa e que essa casa tenha beleza. Alguém disse que a beleza é difícil. Mas de facto a beleza é um dos sinais com que Deus nos chama mais. A beleza é um dos sinais que Deus nos deixa no caminho para nos lembrar que somos feitos para mais. A beleza tem a grande potência de nos fazer não gostar ou detestar a “não beleza”. A beleza atrai-nos, a beleza puxa-nos e afasta-nos da vida suja."
Pe. Pedro Quintela em entrevista a Aura Miguel na Rádio Renascença.
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