Pedro Passos Coelho e os seus apoiantes não perderam os lugares nas listas de deputados no dia em que Manuela Ferreira Leite ganhou as directas no partido. Perderam-nos no dia em que o PSD ganhou as eleições europeias. O problema não foi ele se ter candidatado contra Ferreira Leite, mas sim não ter aceite a derrota que ela lhe impôs. Passos Coelho e os seus apoiantes (não só no partido, mas também na Comunicação Social e na blogosfera) apostaram que Ferreira Leite sairia no início deste ano, ou demitindo-se ou vendo-se obrigada a convocar um congresso extraordinário.
Ela era a “velha”, ela preparava um bloco central, ela não se diferenciava do PS, ela não falava quando devia, ela só cometia gaffes, ela atrasava-se na escolha do cabeça de lista às europeias, ela devia ter escolhido Marques Mendes e não Paulo Rangel e, sobretudo, ela não subia nas sondagens, que os néscios julgam que são uma espécie de eleições permanentes. Agora, mostrando que não aprenderam nada, o “erro” é a demora em apresentar o programa de Governo…
Mas, com tantos “erros”, com tanta “má imagem”, com tanta “falta de ideologia” (na altura, antes da crise, os “passocoelhistas” ainda não tinham metido o liberalismo na gaveta…), Ferreira Leite ganhou ao imbatível Sócrates nas europeias, onde Passos Coelho cometeu o erro crasso de dar a entender que estava à espera de uma derrota do seu partido para poder ascender à liderança. No PSD, e creio que em todos os partidos, não combater o inimigo no momento da batalha é uma falha que não se perdoa. Dificilmente Passos Coelho conseguiria agora atingir a votação que teve contra Ferreira Leite.
Como resultado disso tudo, o que é que alguém esperava de Ferreira Leite na hora de escolher quem vai estar ao seu lado depois das eleições legislativas? Só por masoquismo ou por medo de afrontar os seus opositores, o que seria uma prova de fraqueza, é que ela seria “inclusiva”, coisa que, aliás, os líderes mais fortes do PSD, Sá Carneiro e Cavaco, nunca foram. Santana Lopes e os seus apoiantes estão aí para mostrar que não houve ressentimentos de Ferreira Leite contra quem a enfrentou nas eleições internas. Passos Coelho escolheu, muito através da Comunicação Social, continuar a combater a actual direcção do seu partido e perdeu. Está apenas a sofrer as consequências. E há até comentadores que acham que ele assim se “posiciona” melhor para uma disputa pela liderança do partido após uma eventual derrota do PSD nas legislativas…
Nada tenho contra Passos Coelho, embora já tenha tido melhor ideia sobre ele, e espero que venha de futuro a agir de forma mais eficaz para quem quer ser líder político. Talvez se ele deixar de dar ouvidos aos “aprendizes de feiticeiro” que peroram por aí, comece a justificar merecer tanta atenção mediática e saiba enfrentar as consequências das escolhas que faz.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Derrotas e consequências
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O melhor artigo que li sobre o processo de elaboração das listas do PSD. Análise certeira e inteligente.
ResponderEliminar"Imbativel Socrates"? O homem desde que é secretário geral tem mais derrotas do que vitórias
ResponderEliminarExcelente post. Oxalá o leiam intra-muros... :)
ResponderEliminarO jogo de poker que é a "política" interna dos partidos do "arco da governação"
ResponderEliminarDe facto, este é um grande trabalho. Adorei. Contudo, penso que com este bom trabalho fico com a ideia reforçada, de que alguns partidos políticos são autênticas seitas de malfeitores.
ResponderEliminarDuarte, olá! Teria que dar o braço a torcer demais para concordar com tudo, mas vá, a minha anuência rondará os 90 e qualquer coisa por cento... Abraço e excelente post!
ResponderEliminarObrigado, Zé. Olha que 90% não está nada mal. Se fosse 100%, isto não tinha piada nenhuma. Abraço
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