quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Da mediocridade

Os portugueses dizem à boca cheia que a culpa do seu atávico conformismo e da sua proverbial mediocridade é da inveja (dos outros), sentimento que pelos vistos (os outros) são especialmente atreitos.

Ora, quanto mais ambicioso é um desempenho, maior será a “reacção” alheia (inveja) e essa coisa até poderá causar algum incómodo ou inquietação.

É assim que, como profilaxia ao conflito, o português prefere então não fazer nada: é usual escutarmos lamentos dos derrotados, vítimas da inveja. O fenómeno, que  actua nos portugueses como se de uma praga se tratasse, amputa-lhes pela raiz a quaisquer resquícios criatividade ou ambição. O sentido de responsabilidade é a cedência final da vítima, vencida pelos envenenados olhares dos seus colegas,  adversários ou concorrentes.

Sendo "a inveja", como "o ódio" ou "o amor", um inevitável sentimento humano, transversal a todas as raças ou credos, pergunto-me afinal como agem os indivíduos de outros povos mais bem sucedidos, onde a iniciativa, o empreendedorismo ou a excelência são propósitos vulgares e por tantas vezes compensadores? Presumo que o que os distingue de nós é o pragmatismo e a coragem com que se empenham nos seus projectos, em contraste com a nossa proverbial pieguice e... o nosso medo, o mais perverso dos sentimentos. O medo é que nos tolhe: afinal somos é uma cambada de medricas.




Em férias: texto repescado
daqui

1 comentário:

  1. Posso dar um exemplo, que não vale nada mas ilustra umas quantas coisas?
    Aqui em Portugal dizem-me sempre para não revelar as minhas pesquisas académicas e, quando o faço, levantam-se muros. Lá fora, não só revelo o que faço, como recebo ideias, dão-me ideias os meus colegas!, é ou não é fantástico? Somos muito miudinhos realmente.

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