
Desculpem-me qualquer coisinha, mas esta manhã em São Bento nas celebrações do 50º aniversário da Constituição, se houve bronca, essa desta vez não foi causada por André Ventura. Ouvi há pouco o registo da sua intervenção, e para lá de algum exagero retórico e da habitual excitação vocal, concordei genericamente com o que disse. “Quem diz a verdade não merece castigo”, lá diz o povo.
Como refere Rui Ramos no Prefácio do livro “No Terramoto de 1975” de Tomás A. Moreira recentemente publicado, “Ainda não é claro o número de presos por motivos políticos entregues às autoridades militares, entre 28 de Setembro de 1974 e 25 de Novembro de 1975. Foi certamente mais de um milhar, e durante todo esse tempo deve ter havido sempre muito mais presos políticos em Portugal do que havia no fim da ditadura do Estado Novo.(…) O Relatório da Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos Sujeitos às Autoridades Militares, (…) reconheceu que Portugal vivera, em 1974-1975, durante o PREC, um «quadro histórico de Terror», uma «situação de não-direito», correspondendo a «prisões arbitrárias, falta de garantias judiciárias, tortura, tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes da pessoa humana, e outras violências e abusos»”
O que ampliou substancialmente o impacto do discurso de André Ventura foi o amuo dos “deputados constituintes”, quais marretas empedernidos, que com total falta de fair-play democrático e espalhafato decidiram abandonar o camarote – perdão, a galeria.
A democracia é um sistema sem dúvida desafiante, principalmente para os seus protagonistas. Exige-lhes capacidade de encaixe. Pela amostra, os deputados constituintes têm pele fina, estão mal-habituados: não imaginam o que é viver mais de 50 anos num território politico-cultural hostil. Habituem-se!
O que é nosso é justo, para os outros as larguras....................
ResponderEliminarO "acontecimento" referido no texto ilustra de forma lapidar a ideia que aquela gente faz de Democracia e respeito pelo cidadão Eleitor.
ResponderEliminarUma vergonha e só é pena que André Ventura não seja capaz (apesar de comunicar bastante bem) de explicar ao País o quão baixo hoje, logo hoje se desceu.
Tenho a certeza que hoje André Ventura ganhou hoje, mais uma cabazada de novos Votantes para o Chega.
Talvez um dia os Palermas aprendam
25 de Abril 1974 de 1 ditadura passou-se para 7 ditaduras, 25 Novembro 1975 inicio para menos 1 ditadura. Ficaram 6 ditaduras.
ResponderEliminarsó o PR da AR mostrou ser um democrata. PR e PS foram 2 desastres.
ResponderEliminarForam? Ou são? As suas frases curtas por vezes são mais assertivas,não foi o caso.
ResponderEliminar"No Terramoto de 1975" vale, lidas ainda pouco mais de cem páginas, por esse prefácio e pela lição que, também com esse prefácio, constitui sobre a história contemporânea portuguesa.
ResponderEliminarMas não será, claro, não pode ser, no actual estado de coisas, a versão consagrada dessa história.
Pouco importa que os marretas fiquem na galeria ou saiam perante o discurso do socialista Ventura.
ResponderEliminarA farsa continua.
Caro Senhor
ResponderEliminarSe bem me recordo ... , foram esses mesmos deputados que ficaram presos no edifício parlamentar, pois os movimentos populares (PCP !) assim decidiram, para os pressionar ainda mais... .
Agora já podem abandonar, em protesto ! Mas na altura presos, não gemeram.
Cumprimentos