Tanto quanto percebo, no sector da análise relações internacionais e geoestratégia, Portugal deve ser tão bom como no sector do futebol, exportando especialistas admirados em todo o mundo, calculo eu.
Eu, confesso incompetente tanto em relações internacionais como em futebol, não tenho a menor intenção de me meter em discussões nessas matérias, mas isso não me impede de relatar algumas perplexidades de ignorante.
"por enquanto, nada de fundamental melhorou por causa desta campanha militar", diz um dos especialistas, mas não é único, muitos dizem exactamente isto, essencialmente por entenderem que "não mudou o regime teocrático iraniano, que afirma não desistir do programa nuclear nem do apoio a grupos armados do “eixo da resistência”, como o Hizbullah. Continua a dispor de mísseis e drones suficientes para ameaçar a região e, sobretudo, a navegação segura no estreito de Ormuz – por onde, ironicamente, só tem passado petróleo iraniano, ao dobro do preço anterior e livre de sanções".
Não vou sequer questionar como é que o Irão está hoje a exportar petróleo ao dobro do preço anterior e livre de sanções, quando antes da guerra 80 a 90% das exportações eram para a China, a preço de saldo, sem que isso constitua uma alteração fundamental (o petróleo iraniano representava uns 12% das importações chinesas e a China pagar 12% das suas importações de petróleo ao dobro do preço parece-me uma alteração global relevante).
O que realmente me deixa perplexo é a ideia de que os ataques "Eliminaram dezenas de líderes políticos e militares iranianos – inclusive o Guia Supremo Ali Khamenei e os principais chefes militares – e causaram milhares de baixas.", agravaram uma situação económica que já era frágil (as manifestações de Janeiro, no Irão, resultaram em grande parte das dificuldades económicas), criaram problemas logísticos sérios (Israel, num só dia, rebentou 10 pontes ferroviárias em dez linhas diferentes, por exemplo), reduziram a capacidade de produção no Irão (há várias siderurgias afectadas, as maiores, por exemplo), desestruturaram o sistema financeiro de comunicações do Irão, mas nada de essencial mudou.
O Irão era uma potência regional agressiva e expansionista (não através de guerras de conquistas, mas através do financiamento, treino e armamento de grupos alinhados com o Irão), e o que me estão a dizer é que nada mudou, mesmo tendo desaparecido parte da direcção política e militar do regime, tendo sido destruída parte da sua capacidade de projectar força militar, tendo sido criadas dificuldades económicas que limitam a produção futura e os recursos que o Irão usava para financiar aliados e, ainda assim, está tudo na mesma na região.
Eu não percebo, mas é natural que não perceba sem ir estudar tanto como os especialistas em política internacional que agora surgem em Portugal em cada canto e esquina.
O dito especialista não discute o conflito, discute Trump. E ele quer mais que tudo que Trump pareça mal.
ResponderEliminar«uns comem os figos, aos outros rebenta a boca».
ResponderEliminaros comentadores quer a falar ou por escritos contribuem para a falta de esclarecimentos dos factos. preferível ouvia a Al Jazeera (A Ilha) do Emir do Catar. pensam ou são pagos em termos ideológicos?
A grande mudança chegará quando as Mulheres Iranianas disserem que ela chegou
ResponderEliminarAusência total do sentido do ridículo nesses psitacídeos anti-Trump...mas um atrevimento colossal na leitura da "buena dicha"...
ResponderEliminarJuromenha
Parece-me que o único Comentário verdadeiranmente Capaz e Fundamentado vem dos Militares que fazem a análise da Situação na Rádio e TV, pela simples razão de saberem do que estão a falar
ResponderEliminarA esses vale as pena ouvir e considerar
É sempre bom ler comentário de quem percebe da coisa e escreve sem amarras ideológicas.
ResponderEliminarAinda ontem Ana Gomes vociferava exactamente que nada mudou, pelo contrário, a guerra até acabou com as manifestações do povo contra o regime!
ResponderEliminarEsteve bem o coronel Mendes Dias na resposta: 45 mil mortos com um tiro na cabeça tira qualquer motivação para manifestações!
Um asco toda esta narrativa e argumentária manipuladora e enganosa da opinião pública.
O Henrique não gosta que deturpem as suas palavras nem que não citem as suas frases inteiramente, mas pelos vistos faz isso mesmo aos outros.
ResponderEliminarNas afirmações citadas não se vê em parte alguma que "nada mudou" nem que "está tudo na mesma". Essas são citações incompletas e erróneas que o Henrique faz.
É falso que nada tenha mudado e que esteja tudo na mesma. Antes, o estreito de Ormuz estava aberto; agora, está fechado. É uma grande mudança. Antes, podia-se suspeitar que o Irão fosse capaz de fechar o estreito e que os EUA não conseguiram reabri-lo; agora, tem-se a certeza de que é isso mesmo que acontece.
ResponderEliminarOu seja, houve uma mudança substancial na balança do poder, e essa mudança foi claramente favorável ao Irão e desfavorável aos EUA.
Ignorantes somos todos
ResponderEliminarHá 6 meses o ataque concertado de EUA e Israel tinha aniquilado o programa nuclear iraniano. Afinal, nada mudara.
Nada? Eu diria que tinha mudado a capacidade de defesa aérea do Irão, mas quem sou eu para ter opiniões sobre isso.
ResponderEliminarÓptimo irónico post. O problema de um (verdadeiro) PR dos EUA é a China. O problema da China (por enquanto) era os EUA, agora é outro.
ResponderEliminarA China e o Irão continuavam, ainda, despudoradamente, a trocar armamento pelo mais que indespensável crude e gaz barato. Como não houve um "alguém" a terminar com esse arranjinho o Presidente dos EUA...terminou. "Fechei o Estreito". E agora?.
Agora na China milhares de unidades fabris (e não só), milhões de desempregados estão sentados a olhar para o Sr. Xi. "E agora camarada?".
A realidade é que existe diferença entre um "PR" dos EUA tipo "clan Biden" filhos, irmãos, políticos amigos, P. Democrático todos a receberem prendas da China ... e um outro PR dos EUA, repita-se PR dos EUA, que não precisa mas adora o poder político que tem e usa, naquilo que ele pensa ser o benefício dos EUA. É o seu legal direito.
Para o Irão matar o satã EUA ficou complicado . Para a China negociar, dentro da WTO, mas com truques também. Isso até a Sra. VdL, tarde, mas já percebeu.
E sim, um não "politicamente-correcto" PR dos EUA diverte-se a fazer pouco de pseudo-jornalistas (e não só), não precisa deles. Perguntas parvas, de quem está mentalmente bloqueado (TDS), respostas a condizer "...também vou ficar com metade da portagem no Estreito de Hormuz".... Dáaá!.
ResponderEliminarÉ uma caracteristica das ciências do oculto; nenhum dos mortais comuns percebe que esta é "uma grave violação do direito internacional", e que "operação militar especial" do vladimiro não viola coisa nenhuma... ou, atacar terroristas no seu nicho é uma violação da soberania, mas acoitar, financiar e armar grupos terroristas condiz muito bem com o direito internacional; nunca este foi tão amolgado...
ResponderEliminarSe o programa nuclear fora aniquilado, porquê desencadear outra ofensiva ao programa nuclear? Só pode ser porque nada mudara.
ResponderEliminarHps tem toda a razão. Aparecem uns quantos académicos pretensiosos que só porque estudam a área pensam deter o monopólio do conhecimento. Nos dias de hoje, com a informação ao alcance de um clique, qualquer consegue ter conhecimento suficiente para ter uma opinião consistente, e não baseada em ideias pré-concebidas.
ResponderEliminarNão propague a propaganda marxista-islamista. A guerra foi ganha e o regime mudou. O Irão deixou de ser uma ameaça. Os objectivos foram alcançados na totalidade.
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ResponderEliminarDurante a presidência do Obama, foi assinado um acordo com o Irão para levantar as sanções em troca de não prosseguirem com o nuclear. Trump rasgou imediatamente o acordo, por isso é difícil de saber se teria funcionado ou não.
Agora resta a opção militar, porque entretanto o Irão obteve cerca de 400 Kg de urânio enriquecido. E graças aos ataques de Israel e os EUA, o estreito de Hormuz está bloqueado por um país que não tem líderes, não tem marinha e não tem aviação.
Tudo isto era inevitável ? Talvez, mas no ponto em que estamos não resta outra solução aos EUA senão uma invasão militar (nota: percebo tanto disto quanto o Henrique). O problema, tal como na guerra colonial em África, é político e a guerra é só uma forma de ganhar vantagem negocial.
A dúvida está em quem aguenta mais tempo: os EUA a combaterem uma guerra de guerrilha, ou as milícias iranianas a suportar uma guerra sem apoio entre a população.
Nada?
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ResponderEliminarForça, camarada.
ResponderEliminarAfinal, estão ou não perto de obter armamento nuclear?
Como escrevi, não sabemos se funcionaria ou não. Você está certo de que não iria funcionar. Sugiro que gaste menos tempo a discutir com idiotas como eu e passe mais tempo a aconselhar o Trump.
ResponderEliminarQuais citações é que não correspondem ao que de facto foi dito ou escrito?
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