terça-feira, 14 de abril de 2026

Cansaço: o bloqueio e a imprensa

Falta-me cada vez mais a paciência para o jornalismos dominante, feito de percepções e boas intenções, mas de muito pouca informação objectiva.


O caso do bloqueio do estreito de Ormuz é exemplar.


O Irão decidiu promover um bloqueio parcial do estreito de Ormuz que se caracteriza por não garantir a segurança de quem o usa, excepto se usar um corredor nas águas territoriais iranianas, dentro das suas doze milhas, o que quer dizer, passa quem o Irão deixar.


Os EUA decidiram fazer um bloqueio naval aos portos e circulação marítima iraniana, deixando circular livremente (livremente, neste caso, quer dizer sujeito a verificação pelos EUA) todos os navios que usem o estreito de Ormuz nas rotas normalmente usadas pela navegação, isto é, fora das doze milhas iranianas, desde que não provenham ou não se dirijam a portos iranianos.


Pode-se ter a opinião que se quiser sobre estas opções do Irão e dos EUA, o que não se pode é estar, sistematicamente, a martelar a informação dizendo que os EUA decidiram bloquear o estreito de Ormuz porque um bloqueio naval a um país não é o mesmo que o bloqueio de um canal internacional de circulação.


Se eu não lesse outras coisas para além da imprensa mainstream portuguesa, não faria a menor ideia de que os EUA não estão a fazer bloqueio nenhum ao estreito de Ormuz, mas sim ao Irão.


É muito cansativo estar sempre a ter de ir confirmar a informação que me é fornecida pelos jornalistas.

10 comentários:



  1. Já somos dois…
    Estou num ponto em que nem sequer leio as notícias nos jornais portugueses. 

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  2. Estou em crer que os Portugueses, só abrem os jornais, para confirmar que não vale a pena ler o que lá vem.


    Logo os promovem á categoria de papel de embrulho, dando-lhes enfim  alguma utilidade prática.


    Também não sei se é só impressão minha, mas desde que inventaram aquela história da "Carteira de Jornalista" a coisa começou a cheirar a azedo.

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  3. há outros estreitos: Gibraltar, Dardanelos, Messina ....

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  4. Já passei por isso há uns bons anos, mais de uma década, lembro-me de ler o teletexto só para ver como estava a pior profissão.

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  5. A narrativa vai ser (enquanto os donos dos média forem os mesmos) a culpa é do Trump. 
    Entretanto a notícia (passou despercebida pois claro) de que o acessor mor do Obama esteve em reunião com o sr Prevost(papa católico segundo consta)dia 9 Abril não foi relevante, parece.

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  6. Estreito é o caminho que leva à salvação. E depois há aqueles Estados que sendo estreitos teem a mania das grandezas,e até há um que diz não ser político quando está atolado na política e nas teses mundanas. 

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  7. Há também os mestres no escabroso útil - iterações da campanha "um polícia em cada lar" (aka "violência doméstica") e similares encantamentos e degredos do gado.

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  8. Não foi por acaso que foi eleito um Papa americano.

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