quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Maria Lúcia Amaral

Até há muito pouco tempo, não conhecia Maria Lúcia Amaral, devo dizer que só reparei nela quando foi Provedora e não gostei muito (a razão é simples de explicar, eu entendo que a Provedoria de Justiça deve dedicar-se essencialmente a responder aos problemas concretos de pessoas concretos e abster-se, tanto quanto possível, de questões mais gerais que também estão nas suas competências).


Há uns meses, a propósito de fogos, um dos meus irmãos (que a conhece de pequenina, quando era colega de liceu de irmãos mais velhos dela, numa Nova Lisboa em que toda a gente se conhecia, onde eu nasci mas de onde saí com dois anos e picos) perguntou-me se poderia dar-lhe o meu telefone e tivemos uma conversa informal sobre o assunto.


Não queria nada, a não ser ouvir uma pessoa concreta, eu também não queria nada, e foi uma conversa franca - tão franca que, sabendo eu das suas qualificações, lhe disse a rir-me, que as restrições a direitos fundamentais determinados ao abrigo da lei da protecção civil me pareciam inconstitucionais, acrescentando que nem ia discutir o assunto porque eu sabia que não sabia o suficiente para discutir o assunto com quem sabia muito mais que eu de direitos constitucionais - e cada um foi à sua vida.


Ontem, a preparar uma ida ao Observador, falei com pessoas da alta administração pública com ligações à Administração Interna que me disseram, espontaneamente e sem que eu perguntasse, que já tinham trabalhado com vários ministros desta pasta, e esta lhes parecia ser a melhor.


É claro para qualquer pessoa que Maria Lúcia Amaral não teria qualidades de comunicação e reacção sob pressão que actualmente se exigem a um político, só que, sendo essa capacidade uma virtude política, a verdade é que o governo não existe para nos entreter, mas para nos governar (o mínimo possível, dirá a minha costela liberal, mas não vou entrar por aí).


Agora que pediu a demissão, respondendo à enorme pressão de gente que não só nunca fez melhor, como dificilmente seria capaz de fazer melhor (um ou outro até estiveram na mesma pasta, e eram bem falantes, tinham sempre uma resposta do agrado mediático, mas a verdade é que não fizeram melhor, por lhes faltar o resto que me parece que Maria Lúcia Amaral teria, começando pela independência de espírito), pergunto-me se esta imprensa que morde como um boxer qualquer ministro que não lhe caia no goto, sem qualquer análise séria do seu desempenho (os políticos são avaliados na imprensa por critérios indefinidos, que não são iguais para todos e que, em larga medida, nem são relevantes para o que se pretende de um ministro), não estará a contribuir, mais do que devia, para a degradação da qualidade dos governos.


Nem toda a gente está para aturar a arrogância dos medíocres.

14 comentários:


  1. Ontem há noite o assunto foi comentado na TVs até dizer chega, quando é um facto que não tem de ser comentado pois não serve para nada. Mas os "artistas" dos jornalistas que não prestam contas do que fazem, apontam o de dedo aos outros mas não a eles e acham que eles é que sabem.


    A imprensa que temos é um dos principais problemas do país e parece funcionar em roda livre sem qualquer prestação de contas nem escrutínio. Eles controlam o que devemos saber. O que faz lembrar alguns regimes. Já que falou em critérios indefinidos, os critérios editoriais deles também são indefinidos. Mas se os souber, diga. Assim nunca os violam. Nunca são responsabilizados. Nunca os têm de cumprir. Reina a impunidade.

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  2. É verdade que a Comunicação Social, e refiro-me aos de "Referência", faz da Política (Não no sentido de Governo da Cidade) do relacionamento, tricas, trocas e baldrocas, entre políticos, o seu Tema Dominante.


    Pode dizer-se que por escassez de profissionalismo e menoridade intelectual, só lhes interessa o que não interessa.


    Acontece é que isso não desculpa um fenómeno que se tem agravado e de que maneira, nas três últimas décadas e que consiste na exagerada importância que os Governantes lhes dão.


    Ao ponto de se ter a impressão que Governam em Função da Comunicação Social e não, apesar dela.


    E não há quem lembre aos Senhores Políticos que são Eleitos para Governar e Governar Bem, e não para se fazerem bonitinhos para a Comunicação Social, nem para o Eleitorado, tendo em vista a reeleição.

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  3. A única forma digna e responsável de combater o fenômeno de que fala (que lamentávelmente é bem real) consiste em denunciar, como o faz  aqui, e todos devemos replicar onde possível) apontando o dedo aos maus profissionais, e não comprando o produto.


    Até agora eles tinham a faca e o queijo, mas a Internet vem equilibrar um pouco a situação.


    Não é muito, mas é alguma coisa.

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  4. O controlo da informação é essencial a qualquer governo, particularmente nos regimes totalitários. Quanto à ministra — recorrendo a uma expressão que ela utilizou, sob a maligna pressão de repórteres, esses paus-mandados da comunicação social —, “pifou”.
    Não tinha jeito, nem discurso, nem … competência. Acontece. Mas não é por acaso. 
    P. S. A senhora ministra não estava a governar em vez de entreter o povo, estava a aprender. Em conjunto com todos nós, o que é deveras salutar, progressivo e democrático. 

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  5. Luis Dominguin, grande toureiro, dizia que os críticos são como eunucos num harém.
    Vêem fazer, sabem como se faz, mas nunca fizeram, nem vão fazer. 
    Assim estamos. 
    Uma classe jornalística em que se mistura a ignorância como barragens espanholas a descarregar para o Sado e outras piores, com a má fé ideológica, que do alto da sua insignificância, acham que só a esquerda tem direito de governar. 
    E uma classe de comentadores ressabiados por não serem convidados pelo poder para os cargos que eles acham que merecem. 
    O vira o disco e toca o mesmo 

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  6. Pode dar exemplos de incompetência de Maria Lúcia Amaral?
    Eu não conheço e não conheço ninguém das pessoas que tiveram de lidar com ela como ministra que diga isso.

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  7. A Senhora fez muitíssimo bem em mandar toda esta gente, Políticos, Governo, Comunicação Social, Jornalistas, Arrivistas diversos, fez muitíssimo bem, repito, em manda-los a todos dar uma volta e ir tratar da sua vida nas calmas. De


    Há em Portugal um viés, defeito grave parece-me, e que consiste; em sendo alguém eleito ou nomeado, seja para o que for, logo se formarem grupos organizados para o deitar a baixo.


    Não é preciso motivo, não é necessária uma razão, não faz falta uma causa.


    A única coisa que não pode faltar é um alvo e logo, tiro e queda 

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  8. É um aproveitamento do assunto do postal, de que peço antecipadas desculpas, mas o facto apontado, de nem toda a gente estar para aturar a arrogância dos medíocres, vai agravar o que prevejo acontecer com o desgaste do governo por, garantida a oposição sistemática do Chega, ficar na dependência do PS. Adivinho, como forte possibilidade, que Montenegro se venha a encontrar na mesma posição de António Costa no final do seu governo: precisar de fazer uma remodelação e não encontrar gente capaz disponível.

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  9. Haver "gente capaz" mas não disponível (como na verdade, aconteceu com António Costa e provavelmente acontecerá a Montenegro) diz muito e muito claramente, o que vale essa "gente capaz" mas não disponível.


    Eu se fosse o Primeiro Ministro, numa situação desse tipo, dava o cargo ao Contínuo mais antigo, e explicava ao  o País o porquê 


    E havia de ser castiço ver o Contínuo fazer igual ou melhor (1) do que a "gente capaz" mas não disponível.


    (1) Um ministro, capaz ou não, tem assessores até para se assoar, de modo que é preciso ser mesmo artista para argolar embora de "gente capaz" mas não disponível se deva esperar sempre o pior

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  10. o que importa é governar para as tvs

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  11. Eu disse: Se souber quais os critérios editoriais deles, diga. Ainda bem que não respondeu, pois assim também não os sabe. Mas o assunto devia-o preocupar e devia ter dito qualquer coisa.

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  12. Disse bem, consiste em denunciar. Mas os portugueses serão um dos piores povos. Somos o país do FFF(F). Os portugueses gostam muito de palhaçada e de estupidez. Você é adulto e interessa-se pelo assunto. Mas diga quem mais se interessa.
    Está enganado, eles continuam a ter a faca e o queijo. Praticante só existe o que eles mostram.

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  13. Já agora, pode indicar-me um exemplo de competência? Como ministra, certamente.

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  14. Este post fica guardado para memória futura, agora que o governo acaba de nomear para sucessor de Maria Lúcia Amaral, um especialista em conferências de imprensa, mestre em trabalhar com e para os jornalistas (que fazem caixas com a divulgação de casos tremendos, mas já não está lá quando eles não dão em nada - como o ridículo "Bombista do Técnico") - e, sobretudo, pessoa que anda, há anos, a trabalhar para que alguém o convide para alguma coisa.

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